Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 39

Número de vagas para ingresso em 2021: 38
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 54,886

 
Número de vagas para ingresso em 2020: 39
Classificação normalizada do último colocado em 2020: Não fechou
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia no Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada (HDES) é bastante variável consoante o Serviço/Especialidade e – mesmo no mesmo Serviço/Especialidade - consoante o tutor, o dia da semana e a quantidade de trabalho que existe para fazer, como em qualquer outro sítio.
De forma geral:
- O estágio de Pediatria divide-se em duas componentes. Duas semanas de Berçário e as restantes no Internamento de 2ª Infância. O Internamento propriamente dito (2ª infância) tem sido tendencialmente calmo, pelo menos este ano (eventualmente devido à diminuição das infeções por fecho das escolas/uso de máscara), com menos crianças internadas do que seria de esperar. Assim, após redigir as notas de entrada, observar as crianças internadas e elaborar os seus respetivos diários clínicos, temos oportunidade de observar consultas das várias subespecialidades (existindo abertura para assistir a consultas que não as do tutor que nos foi atribuído). Geralmente, existe uma grande flexibilidade para gerir o tempo de trabalho após completar o trabalho do Internamento. Durante as 2 semanas que passamos no Berçário, passamos por uma fase de observação (1/2 dias, de acordo com o conforto de cada um) e posteriormente assumimos a observação dos recém-nascidos na admissão e restantes dias (à exceção do dia da alta, em que são sempre observados por um especialista). Por fim, é realizada a apresentação de um trabalho de grupo para apresentação final do estágio, sobre um tema à nossa escolha, pertinente neste contexto.
- No estágio de Cirurgia Geral, a atividade de dia-a-dia realiza-se em 3 planos: Internamento (onde elaboramos as notas de admissão, diários e notas de alta, sob supervisão do nosso tutor e dos internos da especialidade), o Bloco Operatório (onde existe – de forma geral – uma abertura constante para a nossa observação/participação, de acordo com o interesse de cada um) e a Consulta (altamente variável de tutor para tutor). Por fim, a avaliação consiste na apresentação de um trabalho na reunião de Serviço (este ano, realizado a pares) sobre um tema à nossa escolha, e elaboramos um relatório final de estágio (com o intuito de nos preparar para a elaboração deste tipo de relatórios ao longo do restante Internato) que é discutido com o tutor e a Chefe de Serviço.
- No estágio de Medicina Geral e Familiar, a experiência dependerá (ainda mais) de cada tutor e Centro de Saúde, especialmente no que diz respeito a autonomia na realização de consultas e procedimentos. No entanto, de forma geral (na minha experiência e de outros colegas), o estágio consiste maioritariamente na observação de consultas (de Saúde de Adulto, Saúde Infantil e Saúde da Mulher) – presenciais e teleconsultas – e na realização de contactos indiretos, nomeadamente transcrição de resultados de exames complementares de diagnóstico, notas de alta de internamentos, relatórios cirúrgicos, etc. sem a presença física do utente, discutindo com os tutores o procedimento de acordo com o mesmo (marcação de nova consulta, tranquilização do doente, etc.). Há ainda alguns tutores, que permitem que seja o IFG a conduzir a consulta, intervindo quando necessário/respondendo a dúvidas. O estágio de MGF contempla ainda duas semanas de Saúde Pública, que, devido a pandemia, consistiu na nossa integração na Linha de Vigilância Epidemiológica.
- No estágio de Medicina Interna, o papel do IFG consiste maioritariamente na atividade do Internamento (sendo raro ser requerido que se assista a consultas, ainda que exista sempre essa possibilidade caso o Interno assim o deseje). Diariamente, os doentes atribuídos à equipa são divididos entre Especialistas, Internos da Formação Geral e Internos da Formação Específica. Os IFG são então responsáveis por observar o doente, escrever o diário e discutir as propostas de MCDTs e plano terapêutico com o seu tutor, elaborando ainda notas de admissão e alta. O estágio deveria contemplar uma avaliação através de um trabalho, no entanto, pelo que percebi, não se tem realizado a grande maioria das vezes este ano, por falta de disponibilidade de calendário.

Relativamente a férias, existe a regra de que apenas 50% dos IFG de determinada rotação podem estar de férias simultaneamente. Este ano partilhámos todos num Excel o período de férias que desejávamos de forma a identificar semanas/dias de potenciais conflitos, de forma a serem resolvidos entre nós da maneira mais conveniente, o que acabou por ser fácil.
 
2) Faz noites?
Como Internos da Formação Geral somos escalados apenas para fazer dias úteis e sábados (não somos escalados para fazer noites ou domingos/feriados). Este ano, ao contrário do ano passado, somos escalados para fazer sábados, mas como os sábados são rotativos entre os vários IFGs, acaba por ser uma raridade. O ano passado sei que os IFG eram responsáveis por fazer pré-triagem à COVID-19, mas este ano não fomos responsáveis por essa atividade.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
O grau de autonomia na realização de atos clínicos é sempre variável de tutor para tutor e altamente dependente do contexto, no entanto, para tomada de decisões terapêuticas não é suposto o IFG ter autonomia, e as nossas decisões/planos têm sempre de ser aprovadas por um especialista ou interno da especialidade. De forma geral e de acordo com cada especialidade:
- Em Pediatria não existe autonomia na tomada de decisões clínicas, ainda que possas ter mais ou menos autonomia na observação dos doentes. Os doentes do Internamento são discutidos entre especialistas e internos todos os dias, e as decisões relativas a cada um são tomadas em equipa. No Serviço de Urgência, nunca vemos crianças sozinhos, sendo sempre acompanhados por um especialista ou interno da especialidade.
- Em Medicina Interna, a tendência no Serviço de Urgência é de juntar o IFG com um interno de especialidade. No entanto, dependendo do chefe de equipa e outras considerações como p.ex. a disponibilidade de gabinetes, pode ser pedido que o IFG assuma alguns doentes (sozinho ou em conjunto com outro IFG). A atuação terapêutica e o plano para o doente, no entanto, devem ser sempre discutidos com o chefe de equipa.
- Em Cirurgia Geral será talvez o estágio em que se tem mais autonomia na abordagem do doente, principalmente no Serviço de Urgência no primeiro contacto com o doente e primeira avaliação da gravidade da situação; visto os Cirurgiões e Internos da Especialidade poderem ser chamados para o Bloco Operatório a qualquer altura. No entanto, evidentemente, perante qualquer situação mais grave/séria, existe disponibilidade das outras especialidades para nos ajudar ou maneira de contactar os Cirurgiões/Internos da Especialidade.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
A relação dos internos com os especialistas é, regra geral, muito boa. Os médicos especialistas do HDES são tendencialmente disponíveis e interessados em ensinar, e senti sempre abertura e disponibilidade para assistir a qualquer consulta/procedimento/ato médico do meu interesse. Sinto que – de forma geral – adequam as suas expectativas e exigências ao nível de interesse de cada um na sua área específica, o que é ideal.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Os estágios são todos feitos no Hospital Divino Espírito Santo, à exceção de Medicina Geral e Familiar, em que os IFGs são distribuídos entre o Centro de Saúde de Ponta Delgada, Lagoa e dos Arrifes (que eu tenha conhecimento). Existe ainda alguma abertura para realizar este estágio fora, sei que alguns colegas fizeram o estágio de Cuidados de Saúde Primários na Madeira.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Apesar de não ter conhecimento de causa, penso que deverá existir. O horário tende a não ultrapassar as horas previamente estabelecidas e todos sempre se mostraram disponíveis para ajustar o mesmo em situações pontuais, e ajustar a exigência/nível de atividade ao nível de interesse de cada um. Penso existirem alguns Internos da Formação Específica que realizam paralelamente atividade de investigação, pelo que existindo essa abertura, existirá também para os IFG (tendencialmente com menor responsabilidade e carga horária menor).
Temos ainda, como nos outros hospitais, os 15 dias disponíveis para formação.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
Vantagens de escolher o HDES: Na minha opinião, a grande vantagem do HDES é ser “o melhor de dois mundos”: por um lado, é um hospital altamente diferenciado, com presença de quase todas as especialidades e de referência no Arquipélago, o que nos permite contactar com patologias mais raras e uma grande diversidade de doentes. Por outro lado, existe a sensação de estar num hospital com um “staff” mais reduzido, o que permite um maior à vontade, familiaridade e bom ambiente entre todos. Pode ainda ser uma vantagem não ser escalado para fazer Urgência durante a noite (nem aos domingos). Este ano em específico, nos meses de Janeiro-Março, penso que o impacto menor que a COVID-19 teve em São Miguel também foi uma vantagem, pois permitiu que continuássemos focados na atividade “normal” e prevista para o Internato da Formação Geral, ao invés de sermos desviados para atividade relacionada com a COVID-19.
Desvantagens: honestamente não me ocorre nenhuma desvantagem.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O Internato da Formação Geral é uma excelente oportunidade para perceberes melhor os teus interesses e orientação clínica (especialidades Médicas vs. Cirúrgicas e Hospital vs. Cuidados de Saúde Primários e Crianças vs. Adultos). Para além disso, é um ano de aprendizagem mais “descontraído” sem momentos de avaliação demasiado formais. Aproveita bem para explorar as várias vertentes daquilo que queres ser/fazer no futuro :) 
 
Testemunho da Dra. Mariana Faustino Botelho de Griné Severino
IFG no Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/04/hospital-divino-espirito-santo-de-ponta.html
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