Guardo tudo para mim...



Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Guardo tudo para mim... 

Tudo não, mas tudo o que realmente importa. 

Sorrisos superficiais não mostram bem-estar real, mas ninguém o sabe. 

Guardo para mim porque é demasiado complicado explicar o que sinto. 

Guardo para mim porque ninguém quer saber dos meus dramas. 

Guardo para mim porque tenho medo de afastar quem gosto ao mostrar a essência do meu ser. 

Guardo para mim por todas as razões estúpidas que possam encontrar. 

Mas guardo.

E vou continuar a guardar.

Guardo até explodir. Ninguém vê, mas eu sinto. Notam talvez uma certa infelicidade que a dada altura já não dá para esconder com sorrisos, mas nada mais. Nada mais porque se perguntam "Está tudo bem?", a resposta é imediata. Formatei-me para responder "sim". Raramente é verdade, mas as pessoas aceitam e eu agradeço.

Guardo, guardo, guardo. Às vezes escrevo, ponho por palavras, mas guardo o que escrevo. E nunca ninguém sabe. É mais fácil assim. 

Enquanto guardar, está seguro. E enquanto estiver seguro, está tudo bem. Está tudo bem se ninguém souber que não está nada bem. 

O importante é nunca ninguém saber, só eu, que guardo tudo para mim. 



Fonte anónima (o importante é nunca ninguém saber)