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Desconfinamento da Mente na Bonança de Ser Vida

No sentido de pugnar o nocivo confinamento das mentes em corpos já de si confinados por imposição durante semanas morosas e infindáveis, pelas implicações inerentes e subsequentes na proliferação de uma outra pandemia severa de doença mental, urge, hoje como ontem, ser grito que se erija na promoção do valor imensurável da vida, permitindo que, na solidão e no silêncio que esmagam, se veja consolo e abrigo nas palavras.
Assim, hoje como ontem, impera salientar que a vida nunca deixará de ser total primavera, qual doce e fantasiosa quimera, descobrindo em cada cheiro novo anseio e em cada vista nova eterna conquista. Abracemos a poesia, que só quebra a sua rima quando desagua, por fim, na pífia alacridade do sopro irreversível do inexorável prazer de ser que se esvoaça.
De facto, a verdade é que ser só o somos uma vez e inteiro seremos se, com avidez, nesta fugaz e traiçoeira passagem, pincelarmos a vida qual bela miragem. Neste prisma, hoje como ontem, olhemo-nos do monte mais alto, revendo o nosso sobressalto e, em hipnose ou sono profundo, procuremos tomar parte do mundo, plantando em pranto errante, nómada hesitante, o elevar vagueante do Norte, fazendo da sorte o sim da estrada. Levantando marés, tocando as estrelas e roubando centelhas ao fogo dos céus, procuremos libertar a dor dos infernos e amainar ventos desertos de cor. Deste modo, dando mundos ao mundo, será prenha a esperança no ressurgimento dos ares que trarão de novo o amor na raiva da dor e verão nascer tua luz que seduz, meus olhos, meio e anseio, que em rodopio de sentidos, unidos, tão mais rotinada, farão aceitar-te em mim, por fim, presença de coração alheio.
Luís Fernandes, 4º ano

Viver com a Dúvida

A dúvida corrói. Começa a ser derramada num canto da nossa cabeça. O que fazemos? Recorremos a uma distração para nos esquecermos dela. Vemos um filme, damos uma caminhada, lemos um livro, vamos ao chat com os amigos. Mas… E quando passam dias e a dúvida ressurge? Ou pior, quando ela aparece mal paramos quietos? Quando não a conseguimos coçar à primeira, ela cresce, alimenta-se da nossa substância cinzenta e pinta os nossos dias dessa mesma cor.
Parece-me importante falar sobre o papel da dúvida nas nossas vidas e da dimensão do seu poder. Defendo que sempre que possível, devemos confrontar a sua origem, ponderar se ela faz sentido ou não. Mas independentemente da resposta, ela pode obviamente sempre permanecer e neste estranho tempo que vivemos, a dúvida é uma certeza que abarca toda a humanidade.
Terei dinheiro para alimentar os meus filhos? Serei despedido quando os estabelecimentos reabrirem? Poderei manter a minha casa? E o meu exame, quando será? E como será? Para os que ainda conseguem dormir, estas questões surgem em sonhos. Os professores entram nos nossos sonhos, o que nos acorda em sobressalto e a transpirar. Maldito seja! A dúvida, até a hora de descanso já conseguiu atingir.
Perdemos a vontade de tomar o pequeno-almoço ou de ir à primeira aula. Ficamos na cama a olhar para o teto. Uma hora passa e ainda estamos na mesma posição. Estes podem ser os primeiros sintomas de uma depressão.
Obviamente que a realidade atual (que muito tem de ficção científica) não permite chegar a nenhuma conclusão de como serão as nossas vidas no futuro. Não conseguimos ter o controlo que gostaríamos sobre elas. Passamos anos a ouvir “Não sofras de antecipação. Vai ficar tudo bem.”, mas isto já não chega. Estamos a criar uma sociedade depressiva e nada é mais perigoso que isso.
É preciso estarmos atentos aos nossos amigos, familiares e conhecidos. Verdadeiramente fortes são aqueles que ainda estão com o ânimo todo, que acordam todos os dias às 7 da manhã e fazem treinos do Youtube religiosamente. Mas a maioria já desanimou, recorre à comida e à Netflix para conforto. Não vemos os nossos avós há meses e não sabemos quando o faremos. Este é outro ponto fulcral, os avós. Estão já nos seus últimos tempos e nem um beijo podem receber. Pelo que se levanta outra dúvida – “Poderei abraçar a minha avó antes dela falecer?”
A dúvida gera ansiedade, tremores, letargia, insónias. Mulheres perdem a menstruação, homens perdem cabelo. O choro torna-se fácil, bem como as discussões. Casamentos destroem-se, amigos discutem.
A dúvida causa doença. Não sabemos o que nos espera, mas sabemos que podemos estar aqui uns para os outros, prontos para animar quem está a perder a força e certamente, quando formos nós a perder a força, alguém há de nos ajudar a reerguer.
Ninguém vivo passou por algo semelhante, pelo que a informação de como lidar tanto tempo com o isolamento é inexistente. Mas por favor, estejamos atentos uns aos outros. Não há nada mais importante do que a nossa saúde mental.
Rita Rodrigues, 4º ano

Tecnologia em Tempos de Pandemia

Percorremos mundos pelos ecrãs dos nossos telemóveis, dos nossos computadores. Entramos em casa dos nossos amigos sem precisar de pedir permissão, ouvimos o som das televisões uns dos outros; aprendemos aquilo que deveria ser ensinado num auditório com os lugares cheios, através dos nossos ecrãs. Ouvimos histórias, contamos histórias. Estudamos, aprendemos, continuamos. Percorremos quilómetros sem sair do mesmo sítio e mantemo-nos informados. É importante que nos mantenhamos informados apenas durante o tempo necessário, é importante desligar e desconectar sempre que possível, sempre que necessário, mas é também importante agradecer tudo aquilo que a tecnologia nos proporciona nesta altura de tantas dificuldades. Milhares de pessoas estão em teletrabalho e continuam com motivação diária para cumprir com as suas tarefas. Os alunos podem continuar a aprender, os professores podem continuar a ensinar, o grupo de amigos pode continuar a cantar os parabéns, porque mesmo que estejamos espalhados pelo mundo, ali, naquele pequeno instante, estamos onde deveríamos estar - juntos. E sentimos essa proximidade, se não sentimos! Creio que é muito em parte graças ao desenvolvimento tecnológico, às redes sociais, às aplicações e a todos aqueles que diariamente partilham os seus interesses e as suas motivações, que isto ainda não descambou. No dia em que ficarmos sem internet, que neste momento é o maior meio de comunicação a nível mundial, aí sim, vamos sentir verdadeiramente o isolamento social. Por agora, a coisa vai-se aguentando. Uma lágrima aqui e ali, mas nada que um sorriso forte numa tela não faça um coração derreter e não solte um sorriso. Por agora, a coisa vai-se aguentado.
Trocamos os nossos locais de trabalho pela nossa mesa da sala, vestimos a camisa e mantemos a calça de fato de treino, acordamos em cima da hora da reunião, desligamos os microfones e ligamos a televisão. É tao fácil decidir aquilo que nos interessa e aquilo que nos desinteressa. Estamos verdadeiramente concentrados no que queremos estar. Ouvimos o que queremos ouvir. É fácil trabalhar em teletrabalho. Mas é fácil cair no esquecimento. Importa continuar a manter presente a ideia de que isto continua a ser o nosso sustento, que mais não seja, psicológico.
É fácil trabalhar em teletrabalho porque temos meios adequados para isso. O que faríamos sem a comunicação social de que tanto nos queixamos, sem as páginas que partilham treinos diários, receitas novas, motivações tão diferentes umas das outras que, com certeza, lá encontraremos a nossa; o que faríamos sem o telefonema do amigo e a videochamada da família que está longe? É assim que encurtamos quilómetros em tempos de pandemia, sempre foi assim só que, antes disto, não compreendíamos a importância porque estávamos à distância de uma viagem, por mais longa que fosse. Hoje estamos à distância de uma cura, que teima em não querer chegar. Os aeroportos estão fechados e o abraço de reencontro encontra-se, neste momento, sobre os nossos olhos, dentro dos nossos computadores.
E desses mesmo ecrãs, das nossas televisões, dos nossos telemóveis, sai um mundo e, a parte mais bonita, é que sai o mundo que quisermos ver, quando quisermos ver. É importante centralizar o separador naquilo que nos faz bem, que nos mantém ocupados, que nos mantém em equilíbrio.
É importante centralizar porque, afinal, estamos todos ligados. Continuamos todos ligados.
Em tempos de pandemia a tecnologia mostrou-se numa das nossas melhores amigas, que nos leva a viagens sem precisarmos de fazer malas, que nos traz as pessoas de quem gostamos sem precisarmos de correr até elas, por muito que queiramos esse dia de novo. A tecnologia trouxe-nos tudo aquilo que não suportaríamos sem ela – a proximidade, a conexão. Estamos ligados e, muitos de nós, estamos ainda mais ligados, agora que fomos obrigados a conectar de uma forma tão diferente que, a meu ver, é tão especial e continua a dizer tanto sobre aquilo que vai nos nossos corações.
Em tempos de pandemia a tecnologia tornou-se numa das nossas melhores amigas para que, assim, continuemos próximos de todos aqueles que são verdadeiramente nossos. Porque, no final, é apenas isso que importa: continuarmos juntos, mesmo que não nos possamos tocar.
Francisca Pinho, 5º ano

Saúde Mental

Hoje venho falar-vos de saúde mental. Imaginem-se num Mundo paralelo a este, não tão paralelo como queríamos porque inevitavelmente para lá caminhamos, onde a saúde mental de cada um de nós estaria a ser levada por caminhos apertados. Imaginem-se em situações desconfortáveis para vocês, para os vossos corpos e corações e aniquilem a necessidade de se sentirem bem com isso, ficando, assim, a vossa sanidade mental na primeira linha de combate. E querendo eu trazer-vos motivos para acreditar que conseguimos tudo aquilo que quisermos e ultrapassaremos este momento de maior dificuldade mundial – na saúde pública, na economia, na política, na gestão de países, na rutura de stocks - assusta-me que se fale (porque se fala, se olharmos com olhos de ver) na prioridade na saúde mental.
Em todo o Mundo existem, neste momento, milhares de pessoas fechadas nas suas casas e, aqueles que não se encontram com as portas trancadas à pandemia, encontram-se fechados em si: profissionais de saúde e profissionais na linha da frente no que toca à necessidade de bens essenciais. Essencial é, também, olhar para isto e parar para pensar. Pensar no impacto gigante que este processo trará às nossas vidas, num futuro que ainda não sabemos quando chegará. Não sabemos para onde caminhamos, mas caminhamos juntos. Importa olharmos para as nossas rotinas que agora deverão ser sobrevalorizadas, redefinir objetivos e mantermo-nos conscientes, mas em equilíbrio, como uma corda bamba entre a preocupação e a satisfação de estarmos aqui.
Ninguém pode sair para tomar o café da manhã na esplanada, ouvir a peça de teatro que dá as boas vindas ao fim de semana, passar à frente na fila do supermercado porque estava demasiado grande para a nossa pequenez e os segundos contados da nossa agenda levam-nos a pedir permissão para passar à frente.
O mundo foi chamado a abrandar e, individualmente, cada de um de nós teve de parar ou teve de acelerar na luta contra a exponencialidade da curva epidemiológica. O fim que queremos é o mesmo, nisto a humanidade está de mãos dadas. Foi preciso algo invisível e poderoso para nos fazer dar as mãos, ironia do destino ou não, sem nos podermos tocar.
E falando daquilo que me preocupa para além de tudo aquilo que nos preocupa: quero falar-vos de saúde mental.
Mantenham hábitos de vida saudável: criem um ritmo de sono adequado às vossas necessidades, saiam da cama como se fossem sair de casa (e saiam do conforto do pijama), alimentem-se bem, sem exageros mas com espaço para aquecer o coração, pratiquem exercício físico, mesmo que o sofá e a vossa inércia queira falar mais alto, ouçam aquilo que vos faz feliz a cada dia e recordem-se disso todos os dias quando acordarem, leiam, mas, acima de tudo, escrevam. Escrever consciencializa-nos. Permitam-se. Não se descuidem, não deixem de olhar pela janela e ver a coisa pelo lado bom. Mantenham a casa limpa e o cabeça no sítio, atualizem-se com informações fidedignas e apenas durante o tempo necessário para não gerar em nós (ainda mais) ansiedade.
Preocupa-me o impacto da pandemia na saúde mental. Preocupa-me que quando possamos sair à rua e nos socorrermos à liberdade, de livres pouco teremos. Preocupa-me os profissionais que depois da guerra, terão pós-traumas importantes e que necessitarão de ajuda para serem ultrapassados. Preocupa-me que não procurem ajuda. Preocupa-me as populações, desde os mais novos aos mais velhos. Temos que tomar medidas individuais que nos permitam sermos melhores e continuar a alcançar objetivos e metas que antes nos pareciam insignificantes.
É urgente cuidarmos uns dos outros, mas é urgente que cuidemos de nós.
E, no meio da incerteza e da imprevisibilidade do destino, não se esqueçam de acreditar. Não se esqueçam de ser pacientes, compreensivos e amigos deste que é o único planeta que temos para estar. Encontrem-se. Acreditem. Vamos sair. Vamos voltar a sair e nada vai ser como antes, o que não será necessariamente mau, porque temos em nós as ferramentas necessárias para nos adaptarmos à mudança desde que nascemos.
Cuidem de vocês e cuidem da vossa saúde mental, porque sem ela, aí sim, estaremos perante outra crise mundial.
Eu acredito! E tu, acreditas?
Francisca Pinho, 5º ano

O Civismo no Egocentrismo de uma Sociedade Individualista

Enceto esta reflexão, referindo que todos somos agentes de saúde pública e que, no pugnar da presente pandemia, se revela impreterível o civismo, que preconiza o respeito pelo outro.
Nas palavras de José Saramago, “o egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for suscetível de servir os nossos interesses”. Daí que, me indigne que haja prevaricadores que se esquivem das medidas de contingência ao frequentar, desnecessariamente, espaços públicos movimentados, sendo relevante sublinhar que quarentena não é sinónimo de férias e que a recusa deste regime quando obrigatório em confinamento profilático pode constituir difusão voluntária de doenças, punível pelo código penal.
A verdade é que a infeção por SARS-CoV-2 é inócua para uma grande parte das faixas etárias quando saudáveis, com quadros benignos ou subclínicos. Não obstante, emerge a necessidade de responsabilização social no sentido de proteger grupos de risco, a citar pessoas idosas, imunodeprimidas e com quadros oncológicos e de doenças crónicas respiratórias associadas na medida em que os recursos do SNS são limitados no que diz respeito a ventiladores e camas nos Cuidados Intensivos, passando o intuito destas medidas de contingência por aplanar a curva de infeção, evitando picos de infetados num curto período temporal e assim o colapso dos sistemas de saúde. Perceba-se que o SNS tem lacunas face ao desinvestimento gradual e que, caso não se tomem medidas de prevenção e não reativas, se pode assistir a um cenário de calamidade como nunca antes visto em décadas.
Já no que concerne aos mecanismos biológicos da doença, sabe-se que o vírus SARS-CoV-2 se blinda ao recetor ECA2, o que tem inerentes implicações terapêuticas. Sabe-se ainda que estes recetores abundam no aparelho respiratório inferior e que, por cada década de vida, o seu número aumenta 20%, o que pode explicar a maior vulnerabilidade dos mais idosos. Sabe-se também que é altamente contagioso e manifesta-se assintomático na vasta maioria das crianças, o que pode ser preocupante pela disseminação “silenciosa” do vírus.
Entenda-se para os mais distraídos que a mortalidade por gripe sazonal não atinge os 0,1%, situando-se a taxa de letalidade do vírus SARS-CoV-2 entre 2% a 4%, sendo que para tal discrepância se deve essencialmente a inexistência da denominada imunização cruzada, que se adquire de um inverno para o seguinte e que confere alguma defesa ao vírus mesmo que mude, e naturalmente de vacina.
Assim, reitero a necessidade impreterível de se evitar o contacto social próximo e aglomerações, de manter uma higiene vigilante, lavando as mãos como sendo a medida mais profícua e também afastando as mãos da boca, nariz e olhos. E, acima de tudo, fiquem em casa, saindo só o estritamente necessário.
Ainda importante, denoto clara preocupação com a irracionalidade gerada pelo alarmismo desproporcionado que conduz as pessoas a irromper pelas farmácias e supermercados, comprando desmedidamente soluções desinfetantes, máscaras – que são exclusivas para grupos de risco-, papel higiénico e bens alimentares.
Finalmente, no papel de estudante da área médica, apelo veementemente a que todos sejamos meios condutores de exemplos, respeitando as normas e procedimentos da DGS, deixando um agradecimento a todos os profissionais de saúde pelo trabalho titânico e incansável na salvaguarda dos seus doentes, mesmo podendo também contrair a doença.
Em suma, termino enfatizando que a tempestade irá passar se estivermos todos no mesmo barco, mesmo em águas agitadas e ainda vastamente desconhecidas, e se cada um de nós cultivar o altruísmo e o civismo, mesmo no egocentrismo de uma sociedade individualista.

Luís Bernardo Damasceno Fernandes, 3º ano