Hospital de Cascais

Número de vagas para ingresso em 2022: 8

Número de vagas para ingresso em 2021: 9
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 89,496
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 12
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 85,077
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O horário de trabalho nunca se estende muito além das 16h. Por vezes, há facilidade em sair mais cedo, mas quando é necessário ou se tem interesse, pode-se estender um pouco mais. Depende muito do que cada um pretende do seu estágio (exemplo: algumas equipas de Cirurgia não estabelecem um horário e, havendo atividades, o interno pode participar nas que quiser: consulta, bloco ou pequena cirurgia, que podem estender-se até mais tarde; no estágio de Pediatria, há várias consultas a decorrer ao mesmo tempo, em que algumas se podem estender um pouco mais).
 
2) Faz noites?
No Hospital de Cascais, não se faz noites (o horário do banco é, geralmente, das 8h às 20h - no caso da Medicina Interna, acaba por se estender, pois a passagem dos doentes demora mais; no caso da Pediatria o banco é das 9h as 21h). Pode acontecer ter de fazer fins-de-semana, mas com direito a um dia sem horário durante a semana prévia.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Os doentes são todos discutidos com um assistente. Todas as decisões passam por aí, até porque não temos acesso informático à terapêutica e a pedidos de alguns exames complementares de diagnósticos, como TC.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
Muito boa relação com os especialistas. Sempre disponíveis para discutir e esclarecer dúvidas.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Em termos de hospital, todos os estágios são feitos no Hospital de Cascais, já as USF são em Alcabideche e Cidadela de Cascais.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Em relação à flexibilidade com outras atividades, penso que o ano de IFG no Hospital de Cascais permite isso. Não há demasiada sobrecarga de horário.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
Em termos de mobilidade, para quem não tenha carro, o Hospital é de difícil acesso. Penso que o autocarro será o melhor meio, mas não consigo identificar quais as rotas dos mesmos. Para quem tem carro, o acesso é fácil, com estacionamento disponível para todos os funcionários.
A meu ver, uma das principais vantagens é o Hospital ter uma equipa de médicos tendencionalmente mais nova, em todos os serviços, o que torna o ambiente mais descontraído. Apesar de ter poucos internos, todos se conhecem e existe uma relação de entreajuda entre todos.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Penso que o importante na escolha do local para IFG é definir quais são os objetivos para o internato, quer de formação geral, quer de específica. Definir quanto é que se quer dedicar ao internato. Se se procura algo mais descontraído, o Hospital de Cascais é uma boa opção. Se existem especialidades em que o finalista está interessado e existam vagas naquele Hospital, querendo conhecê-lo, também, a meu ver, faz sentido escolher um desses locais.

Testemunho da Dra. Catarina Rocha de Albuquerque
IFG no Hospital de Cascais em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano
 
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/10/hospital-de-cascais.html


Humanity On the Move

A “HOM – Humanity On the Move” é um projeto sem fins lucrativos e sem fronteiras, que se dedica à luta e defesa dos direitos humanos dos refugiados, requerentes de asilo e migrantes. A sua missão é promover, dia após dia, um mundo mais justo e solidário, e gerar empatia e inclusão. Vinte jovens, cheios de vontade de agir e, maioritariamente, estudantes de medicina, juntaram-se a 31 de janeiro de 2021 na Covilhã e, apesar de não realizarem missões humanitárias, fazem-nos refletir em valores como a dignidade da pessoa humana.
As vidas dos refugiados, requerentes de asilo e migrantes estão, muitas vezes, suspensas num ciclo infinito de filas de espera, medos e incertezas, de quem já pouco tem a perder. Fugiram da guerra e da violência, mas nem sempre encontram as condições que procuravam nos países que os acolhem.
No workshop do In4Med, onde conheci a HOM, pediram-nos para imaginar uma pessoa a ser perseguida no seu próprio país, apenas por ter ideais religiosos diferentes da maioria. De seguida, desafiaram-nos a responder a questões de escolha múltipla sobre o que faríamos, estando nessa mesma situação. Este percurso, que viria a revelar-se real, deixou todos os participantes profundamente sensibilizados.
Por este e por todo o trabalho que tem desenvolvido, a HOM merece esta partilha e ter uma divulgação maior, pelo que resolvi escrever este pequeno artigo e dar-te a possibilidade de te envolveres no projeto. Se estiveres interessado nele, poderás contactar a HOM através do e-mail humanityonthemove.hom@gmail.com e encontrar mais informações nos seguintes links:





 
Andreia Gi, 6º ano

Hospital Garcia de Orta, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 31

Número de vagas para ingresso em 2021: 32
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 86,969
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 42
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 74,782
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia depende da especialidade. Em Medicina Interna, passamos o dia no internamento, onde vemos doentes de forma autónoma e depois discutimos os casos ao fim da manhã. Um dia por semana fazemos urgência, 12 horas, com a nossa equipa de banco. Em Cirurgia, também passamos o dia na enfermaria, mas já só temos uma tarde de urgência, após acabar o trabalho na enfermaria. Existe abertura para ir ao bloco com a equipa, caso haja interesse. Em Pediatria é um pouco diferente, temos 3 rotações - berçário, internamento e urgência - cada uma delas com duração de 3 semanas. Fazemos ainda o dia semanal de urgência. Temos bastante autonomia para observar os miúdos sozinhos e depois discutir com o especialista, existe muito apoio. Com a Covid, as coisas mudaram um pouco, mas normalmente existem, em todas as especialidades, sessões clínicas formativas para os internos.
 
2) Faz noites?
Fazemos noites apenas em Medicina Interna.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Temos bastante autonomia, mas sempre apoiados pelo especialista.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Considero que a relação entre os internos e os especialistas é bastante boa, existe quase sempre abertura para esclarecer as nossas dúvidas. As equipas, por norma, almoçam sempre juntas, por exemplo. Não há aquela separação entre os internos e os especialistas.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Medicina Interna, Cirurgia e Pediatria no Hospital Garcia de Orta.
Medicina Geral e Familiar nas USFs do ACES Almada-Seixal.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Flexibilidade diria que sim, há vontade de ensinar e ter os internos envolvidos em projetos curriculares, apesar de não ter conhecimento de ninguém que o tenha feito.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
É uma pergunta difícil, diria que a principal vantagem é o bom ambiente e a autonomia que nos proporcionam. Por outro lado, ao ser um Hospital quase central, por vezes há bastante trabalho e alguma falta de apoio/tempo para nós. 
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Devem recolher o máximo de informação possível sobre cada hospital e junto de vários internos, porque nem sempre temos a mesma visão/experiência sobre um mesmo local. Eu escolhi o Hospital Garcia de Orta já a pensar no meu internato de formação específica - não acho que tenha de ser assim, mas pode ser também um fator decisor, pensarem se o hospital vos permitirá explorar as dúvidas que têm sobre o futuro e ajudar na escolha da especialidade.

Testemunho da Dra. Inês Alexandre Foz
IFG no Hospital Garcia de Orta, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano
 
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/11/hospital-garcia-de-orta-epe.html

Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 54

Número de vagas para ingresso em 2021: 56
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 84,714
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 65
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 77,081
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia de um IFG no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho depende em muito da rotação em concreto. Exceto em Medicina Geral e Familiar, há Urgência de 12 horas semanal e o resto varia, mas o horário concentra-se sobretudo nas manhãs.
 
2) Faz noites?
Sim. Em Medicina Interna, toda a gente acaba por fazer noites; em Cirurgia, a maior parte também passa pelo Serviço de Urgência à noite (dependendo da equipa); em Pediatria, é mais raro (aconteceu este ano, também em consequência de alterações por causa da COVID-19). Fazemos, também, fins de semana, num esquema rotativo pré-selecionado desde o início do ano. Não acho isto necessariamente mau: as noites em geral são mais calmas, ganha-se um bocadinho mais e, mais importante, acho que é bom para a escolha da especialidade, experimentar como é que pessoalmente lidamos com os Serviços de Urgência de noite. Há, obviamente, descanso compensatório no dia a seguir, bem como folga, se fizermos SU no sábado à noite ou no domingo (incluindo o dia).
 

3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?

Em geral, autonomia total não há, e ainda bem. É mau sinal um IFG ter de tomar decisões de forma autónoma! Vemos doentes de forma autónoma nas enfermarias e na Urgência (mais em Medicina Interna/Cirurgia do que em Pediatria - como em todo o lado, aliás), mas é suposto que qualquer decisão relevante (terapêutica, altas, etc.) seja discutida ou aprovada por um especialista, ou interno mais velho. Talvez na enfermaria de Cirurgia tenha tido de tomar algumas decisões autonomamente, mas como disse, não acho que seja o ideal...
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
No global, diria que a relação é bastante boa. A grande parte dos médicos são simpáticos, apoiam-nos e respeitam-nos. É um hospital central (pelo menos, na maior parte das especialidades), mas não é um hospital académico e, por isso, não temos de lidar com "professorites". O facto de a equipa de Urgência ser fixa (por exemplo, ao longo de 4 meses de Medicina Interna, serão quase sempre os mesmos especialistas a estarem convosco no Serviço de Urgência), permite que os especialistas vos conheçam e que exista confiança mútua.
 
5) Em que hospitais e USFs podem ser efetuadas as rotações?
O Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, E.P.E. tem várias unidades. Cirurgia faz-se sempre no Hospital Eduardo Santos Silva (Unidade 1). Pediatria realiza-se na Unidade 2, no centro de Gaia (exceto o Serviço de Urgência de Pediatria, que é na Unidade 1 também). Medicina Interna é quase sempre feita na Unidade 1, mas em anos anteriores, havia alguns que iam para o Hospital de Espinho, a uns 25km do centro de Gaia. No entanto, creio que desde o início da pandemia isso deixou de acontecer e diria que seria mais provável que, quando a situação melhorar, continuem a não ir (porque queriam reformular o objetivo do Hospital de Espinho). Medicina Geral e Familiar pode ser feita em várias USFs no centro/norte de Gaia (ACES Grande Porto VII) ou em USFs no sul de Gaia/Espinho (ACES Grande Porto VIII).
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Há tempo para conjugar com outras atividades, incluindo continuar projetos de investigação que tenham iniciado anteriormente. No entanto, se a vossa intenção for começar algum projeto de investigação, não me parece ser o melhor local (ou o melhor ano, na verdade): iniciar investigação com um IFG que vai lá estar pouco tempo e que nem sabe bem como será o seu futuro profissional, não é um foco do IFG, pelo menos aqui. Mas se for uma coisa que queiram muito e lutarem por isso, diria que hão de arranjar qualquer coisa...
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
A maior vantagem é haver um ótimo equilíbrio entre realmente aprender, mas ter tempo livre. Dos feedbacks de amigos de outros hospitais, era um dos melhores nesse equilíbrio (e, sem dúvida, o melhor do Grande Porto nesse aspeto em 2020). Outra das grandes vantagens é essa que acabei de referir - Vila Nova de Gaia é Porto: vivendo no centro de Gaia, têm acesso fácil ao centro do Porto (se viverem na zona da linha amarela do metro, é facílimo) e a toda a vida cultural que isso permite. Se preferirem viver no Porto e ir a Gaia trabalhar, também é totalmente razoável (e a Unidade 1 tem estacionamento a 15 euros por mês para ajudar ainda mais). De resto, o Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho é um hospital de gente simpática, e que costuma tratar relativamente bem os seus trabalhadores.
Quanto às desvantagens: no estágio de Cirurgia, não é expectável que sequer entremos no bloco, mas sim apenas fazermos enfermaria e Serviço de Urgência (também assim é em muitos hospitais, mas não deixa de ser uma desvantagem) e já não parece haver opcionais (em 2020 ninguém conseguiu, mas podem sempre tentar). Também o anteriormente referido facto de se fazer noites e fins de semana é visto como uma desvantagem para a maior parte das pessoas.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Informem-se, vejam apresentações de anos anteriores e, quando já tiverem reduzido o leque de opções, falem diretamente com os internos que lá estão: é que as coisas mais interessantes de cada lugar não podem ficar escritas em público... Gostava também de transmitir uma mensagem de calma: há sítios melhores e piores, mas, onde quer que vocês fiquem, nunca vai ser péssimo! E o IFG é só um ano, e tem impacto quase nulo nas vossas escolhas profissionais para os próximos anos - não vale a pena sofrer demasiado com esta decisão, porque a médio/longo prazo, quase não tem consequências. Que tenham um excelente ano, de preferência sem COVID!

Testemunho da Dra. Joana Rita Pinto Galvão
IFG no Centro Hospitalar Vila Nova de Gaia/Espinho, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano
 


SOS Cobertura

“SOS: Save Our Souls”, o congresso de trauma e emergência médica organizado pelo Departamento de Investigação e Formação, teve a sua segunda edição entre os dias 20 e 21 de março de 2021. A Revista ANEMIA teve oportunidade de marcar presença no evento e registou vários momentos do mesmo, para levar até ti esta que é uma promissora atividade do NEM/AAC.
 

Comunicação na Sala de Trauma e Bloco Operatório

O congresso “SOS: Save Our Souls”, teve início com uma palestra ministrada pelo Professor Doutor Henrique Alexandrino, sobre comunicação na sala de urgência e bloco operatório.
Durante a apresentação e de forma bastante interativa com a plateia, salientou-se o que é necessário para que exista boa comunicação numa equipa multidisciplinar, como a que encontramos numa sala de emergência e sob cenários de grande pressão e stress.
Foram apresentados vários casos clínicos, sobre hipotéticos cenários com os quais nos poderemos deparar numa sala de emergência. Os casos foram discutidos entre médicos que compõe uma equipa de trauma da sala de emergência, pelo que a plateia teve um vislumbre da abordagem que uma equipa tem na sala de EM, com a oportunidade de intervir e participar.
Saliento o elevado interesse desta interação, que nos possibilitou entender um pouco melhor todo o raciocínio clínico necessário a um médico no SU, a importância da comunicação entre a equipa e o papel de um team leader nestes cenários.
 
Carla Maravilha, 4º ano
 

Medicina de Catástrofe e Paralelismo com a Atualidade

No desenrolar do congresso SOS, assistiu-se, por via virtual, a uma palestra inerente à Medicina de Catástrofe e seu paralelismo com a realidade, a cargo da Dra. Raquel Silva e do Dr. João Antunes.
Deste momento, destacamos o depoimento da Doutora Raquel, que esteve em missão na cidade de Gambela, Etiópia. Referindo o ambiente pobre e volátil a tal local subjacente, concluiu sentir que o seu trabalho fazia a diferença, o que lhe dá mais alento em prosseguir tão nobre caminhada, seja pelo incremento no número de pessoal diferenciado na região, melhoramento das instalações do SU, da formação técnica ou da telemedicina. Salienta, ainda, ter contribuído para a criação de pontos de água, de um laboratório e farmácia no SU, de um banco de sangue, de uma câmara de armazenamento de produtos médicos e reparação dos geradores de energia. Por fim, recorda o seu contributo para uma resposta rápida à população quando necessária, através da existência de equipamentos e medicamentos gratuitos no SU de Gambela.
 
Luís Bernardo Fernandes, 4º Ano
 

Abordagem ao trauma sexual no SU

Este tema foi palestrado por três profissionais de saúde: a Dr.ª Ana Sofia Coelho, Dr.ª Carla Carreira e Dr.ª Helena do Côrro. Embora de suma importância, foi evidente o pouco conhecimento que muitos de nós temos    quanto a ele.
“Silence is not always golden” - esta citação tocou-me de forma muito peculiar. Não apenas por se aplicar de forma transversal ao tema, mas por nos poder aparecer qualquer tipo de vítima no SU, muitas delas com vários traumas sexuais e por vezes sem disposição para colaborar.
O silêncio das vítimas exige empatia do profissional de saúde, só assim conseguirá apurar o que nem sempre se consegue verbalizar. É importante clarificar alguns conceitos: 
- Agressão sexual: atividade sexual na qual a vítima é forçada ou constrangida a participar, onde o agressor a leva a praticá-la consigo ou outra pessoa; - Manipulação: afetiva, física, material e/ou abuso de autoridade, de maneira evidente ou não.
De acordo com o Código Penal, o médico é obrigado a apresentar queixa perante casos de crime público e, quando o crime não é público, a vítima tem até 6 meses pós-agressão para apresentar queixa contra o agressor.
O que são urgências médico-legais?
● Agressões < 72 horas; 
● Ejaculação e a vítima não tomou medidas de higiene pessoal; 
● Hemorragia ou dor vaginal/anal; 

● Possibilidade de gravidez ou DST; 

● Relato de uso excessivo de violência física. 

Quando a vítima entra no SU, deve ser, primeiramente, informada da necessidade de preservar qualquer tipo de vestígio físico do agressor, mesmo sendo isto tudo aquilo que ela não quererá fazer. As colheitas só devem ser realizadas nas 72 horas seguintes à agressão e é fundamental obter consentimento informado da vítima/representante legal para a sua realização. Mais ainda, é fulcral fotodocumentar o estado físico e pertences da vítima.
Nos casos trazidos à urgência por abuso sexual, o médico deverá ser um observador independente e fundamentalmente imparcial. De seguida, deverá documentar as lesões pormenorizadamente e recolher o máximo de informação possível quanto à história da agressão. 
Ao longo de toda a apresentação, salientou-se que a ausência de vestígios físicos/biológicos não significa inexistência de abuso. 
 
Andreia Nossa, Erasmus 20/21
 

Doente Psiquiátrico em Contexto de Urgência

Como devemos abordar uma emergência psiquiátrica? Quais os procedimentos a seguir perante um paciente em distress? Estas e muitas outras questões foram abordadas de forma simples e explícita nesta palestra, que nos deu oportunidade de conhecer melhor o trabalho desenvolvido nas urgências de Saúde Mental.
É crucial estabelecer uma relação empática com o doente, privilegiando a escuta ativa, uma interação simples e congruente. Gerir o ambiente da urgência é também importante, o que implica a articulação com uma equipa multidisciplinar e a criação de um ambiente confortável, tanto para o doente como para os acompanhantes.
No final da palestra, resolvemos casos clínicos, o que tornou esta experiência mais interativa, permitindo ainda desconstruir mitos relativamente à depressão e outras patologias. A frase que mais me marcou foi, sem dúvida, a seguinte: "No SOS, é importante não só o físico, mas também a alma - o ser vivo no seu todo."
 
Joana Mendes, 4º Ano
 

Dadores de Órgãos em Paragem Circulatória

Portugal ocupa um lugar cimeiro na colheita de órgãos para transplante. No entanto, ainda tem um longo caminho pela frente no que toca a dadores em paragem circulatória. Este processo só começou em 2016, no Hospital de São João, e apenas em janeiro de 2020 chegou ao CHUC.
Para este procedimento é fulcral a ECMO, uma máquina que recolhe sangue venoso do doente e repõe-lhe sangue arterial, assegurando, assim, o seu suporte pulmonar e cardiovascular. No nosso país, os órgãos são de dadores que sofreram paragem cardiorrespiratória dentro ou fora do hospital, mas sem sucesso na tentativa de ressuscitação. Esporadicamente, podem ser colhidos de dadores que entraram em morte cerebral antes de em paragem cardiorrespiratória.
Tanto na transplantação como nas demais áreas da Medicina, a multidisciplinaridade é essencial. Da mesma forma, sem uma rotina de treino, de educação e avaliação periódica dos resultados, nenhum avanço científico é possível. Citando o Dr. Eduardo Sousa: “Nunca parar, para nunca se hesitar!”
 
Rita Nunes, 2º Ano
 

Abordagem ao trauma na grávida

Sabias que 1 em cada 12 grávidas sofrem algum tipo de trauma durante a gravidez? O trauma constitui a primeira causa de morte não obstétrica na grávida. As principais causas de trauma na grávida incluem acidentes de viação (46%), agressão física (17%), queda (25%), suicídio (3%) e queimaduras (2,7%).
Tendo em conta que os acidentes de viação correspondem a metade dos traumas gravídicos, é importante relembrar que a utilização do cinto de segurança é obrigatória, prevenindo a morte fetal em cerca de 80% dos acidentes.
Perante uma grávida vítima de agressão física, devemos sempre questionar uma possível violência doméstica, que está comumente associada a estas idas ao SU.
Qual a abordagem médica perante um trauma da grávida? A prioridade será sempre a estabilização materna e, somente quando esta estiver garantida, é que se procederá à avaliação do feto. Para além da abordagem ABCDE, é fulcral a mobilização manual uterina para a esquerda, de modo a prevenir a compressão venosa e arterial do feto.
 
Inês Sampaio, 4º ano


Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 39

Número de vagas para ingresso em 2021: 38
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 54,886
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 39
Classificação normalizada do último colocado em 2020: Não fechou
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia no Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada é relativamente tranquilo, umas vezes mais movimentado, outras menos. Em termos de estágios em concreto:
- Pediatria é muito relaxado, regra geral consegue-se sair mais cedo e é feito um trabalho de grupo para apresentação no final do estágio, como método de avaliação. Na Pediatra, ficamos 2 semanas no berçário, em que depois do primeiro dia, assumimos os exames objetivos dos Recém-Nascidos; no internamento, ajudamos com o registo dos diários clínicos e notas de entrada, e podemos assistir à consulta do tutor que nos tiver sido atribuído. Geralmente, durante o estágio de Pediatria é quando temos maior flexibilidade e tempo para ir visitar outros serviços de interesse.
- Medicina Interna: é atribuído um tutor e consoante este, tens mais ou menos autonomia, mas regra geral orientamo-nos com os internos da equipa e distribuímos trabalho, como as notas de entrada, de alta e visita aos doentes com respetiva escrita do diário, com a discussão do plano com o tutor. A avaliação a Medicina Interna, normalmente, é um trabalho a pares.
- Cirurgia Geral: ficamos encarregues da visita aos doentes, elaboração de notas de entrada e notas de alta. Em termos de participação em cirurgia e pequena cirurgia, geralmente há abertura do serviço para a nossa participação. A avaliação do estágio de cirurgia é um trabalho individual e um relatório de estágio.
- Medicina Geral e Familiar (MGF): depende da USF.
    Relativamente a férias, em MGF podemos tirar todos ao mesmo tempo. Nos outros estágios, só 50% dos internos que estão naquela rotação é que podem tirar, mas não há restrições para o Natal. Ou seja, podes tirar no Natal, desde que fiquem os 50% da rotação a trabalhar.
 
2) Faz noites?
Nas Urgências, não fazemos nem noites nem fins de semana (com a Covid-19, tivemos de fazer, mas em tenda de pré-triagem de urgência e, portanto, não estávamos mesmo na urgência.  Lutámos para que deixássemos de fazer isso, mas não sei em que ficou este ano).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
- Pediatria não tens autonomia, regra geral ficas com um especialista, interno ou tarefeiro, sendo que poderás ter mais ou menos autonomia, consoante a pessoa com que ficas.
- Medicina Interna: costumamos ficar a acompanhar o interno de especialidade. No entanto, dependendo do chefe de equipa, poderá ser pedido que assumas doentes, devendo sempre discutir os planos com o chefe de equipa.
- Cirurgia Geral: tens bastante autonomia, há momentos em que ficas um pouco sozinho se tiverem de ir para o bloco operatório e não houver tarefeiro ou interno de Medicina Geral e Familiar nesse dia. No entanto, caso alguma urgência ou sala de emergência seja acionada, podemos sempre pedir apoio à ortopedia ou ligar para o bloco operatório.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
A relação dos internos com os especialistas é, regra geral, muito boa. Eles são acessíveis e interessados em ensinar.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Os estágios são todos feitos no Hospital Divino Espírito Santo, à exceção de Medicina Geral e Familiar, em que é feita uma distribuição por orientadores no Centro de Saúde de Ponta Delgada ou Lagoa, mas há alguma abertura para se fazer fora (no meu ano, houve uma colega que fez na Madeira, de onde é natural).
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Em termos de investigação não sei... mas o horário não é pesado, pelo que deduzo que dê para conciliar.
São 15 dias em comissões gratuitas para congressos e formações, se não estou em erro.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
Vantagens de escolher o Hospital Divino Espírito Santo: bom ambiente, não se faz urgência aos fins-de-semana e noites. Tens tempo para ir explorar a ilha e restante arquipélago nas tuas férias!
Desvantagens: em época Covid-19, fomos muito considerados “carne para canhão” e fomos deslocados para trabalho Covid, que não contribui propriamente para a nossa formação, tendo-nos prejudicado. Mas também mudou o conselho de administração este ano, por isso poderão ter outra postura agora. Com a Covid, as pessoas ficaram um pouco mais isoladas cá.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Aproveita bem o ano de Formação Geral! Para te divertires e conheceres um sítio novo e/ou pessoas novas, mas também para aprenderes! Apesar de já termos algumas responsabilidades, nunca são as mesmas de um Interno de Formação Especializada.
 
Testemunho da Dra. Beatriz Oliveira Câmara
IFG no Hospital Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º Ano


Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 108

Número de vagas para ingresso em 2021: 116
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 69,505
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 85
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 79,051
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Medicina Interna (Medicina 1.2 no Hospital de São José): horário 8h30-16h, sensivelmente. Já conhecia o serviço e gostei bastante, acho que a nossa passagem é organizada e há preocupação em que tudo corra pelo melhor. Gostei bastante do ambiente, é um serviço bastante acolhedor e com vontade de ensinar. Serviço de Urgência de 12 horas (dia ou noite); na minha equipa, só fazíamos balcões.
Cirurgia Geral (Cirurgia B - Hospital Curry Cabral): horário 8h30 até 17h ou mais, dependia do trabalho. No meu ano, apenas víamos os doentes da cirurgia Hepatobiliopancreática. Era uma grande carga de trabalho, mas com patologias interessantes, sinto que foi onde aprendi mais. Víamos doentes, fazíamos entradas/altas/discutíamos as situações nas reuniões multidisciplinares... Havia sempre disponibilidade para irmos ao bloco. No entanto, só o fazíamos caso a enfermaria não ficasse sobrecarregada (o que era raro).
Pediatria (Unidade de Infeciologia - Hospital Dona Estefânia): foi no início da Covid, então não existiam doentes não-covid. Por este motivo, não vi os casos mais interessantes e as patologias que esperava, que me tinham dito que era hábito. Mas adorei o serviço, a relação com toda a equipa era ótima! Fizemos basicamente trabalho de Saúde Pública “versão pediatria”, base de dados, entradas, altas, contactos com as crianças que estavam em domicílio...
       Medicina Geral e Familiar: escolhi a USF Mónicas - horário bastante flexível. Como passei na mesma no pico da Covid, não havia muita atividade presencial; então, basicamente, o que fazia era auxiliar nas vigilâncias sobreativas e assistir a consultas abertas!
Saúde Pública: foi teletrabalho, organizávamo-nos entre as tarefas existentes (base de dados, vigilâncias ativas, inquéritos epidemiológicos, SINAVE...). Sempre apoiados via WhatsApp e com diversos documentos de apoio.
 
2) Faz noites?
Em Medicina interna e Cirurgia fazes noite ou dia, no Serviço de Urgência.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Tens alguma autonomia para fazer as coisas, mas acabas por discutir sempre com alguém, tanto em Serviço de Urgência como em enfermaria.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Da minha experiência, ótimo ambiente, de forma geral, entre os internos e os médicos dos centrais.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central engloba o Hospital de São José, Hospital Santo António dos Capuchos, Hospital Santa Marta, Hospital Curry Cabral, Hospital Dona Estefânia e a Maternidade Dr. Alfredo da Costa.
Medicina Interna pode ser feita em todos, exceto no Hospital Dona Estefânia e na Maternidade Dr. Alfredo da Costa.
Cirurgia apenas no Hospital Curry Cabral e no Hospital São José.
Pediatria apenas no Hospital Dona Estefânia.
Quanto a Medicina Geral e Familiar, há a possibilidade de se ficar no ACES Lisboa Central ou no ACES Sintra, se não estou em erro.
A escolha da ordem das diferentes rotações foi feita por média normalizada.
Relativamente à Medicina Interna, aquando da escolha da rotação, tem de se escolher logo o serviço, os tutores penso que não se escolhe, somos apenas distribuídos.
Em Cirurgia Geral não há tutores. Pela ordem de média normalizada e no primeiro dia de estágio, escolhe-se o serviço.
Depois de nós sairmos, iniciou-se um processo de distribuição dos IFGs por unidade funcional e não por enfermaria, pois quase não acompanhávamos outros casos interessantes e acabávamos por perder um bocado nas áreas de colorrectal, esofagogástrica, endócrino... Agora não sei como está.
Na Pediatria, no primeiro dia de estágio, escolhemos o local onde ficamos - Infeciologia, Pediatria Médica, Adolescentes...
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Sobre essa questão, não posso dar feedback porque não fiz e nem tenho conhecimento de alguém nessa situação.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
As instalações são mais antigas, mas penso que não se perde muito. Os serviços acabam por estar divididos pelos diferentes hospitais e há sempre apoio, caso seja necessário. São vantagens, também, a possibilidade e facilidade de discutir doentes entre as diferentes especialidades. As pessoas são bastante acessíveis no geral.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Fiz quase toda a formação no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central. É sem dúvida vantajoso, pois fica no meio da cidade, o que permite aproveitá-la imenso, tendo ainda um fácil acesso de transportes públicos ou até mesmo a pé.

Testemunho da Dra. Sofia Gonçalves Bragança
IFG no Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º Ano
 

Invisível

Havia uma multidão
Mas ela sentia-se sozinha
Conhecia bem a incompreensão
E nada disso era adivinha
 
Perdia horas acordada
Só pensava e pouco ou nada comia
Sonhava em mudar de vida
Mas nada a satisfazia
 
Quem sou eu afinal?
Uma pedra, um fantasma?
Será que ninguém me vê?
Será que todos preferem assim tanto o visor do seu TV plasma?
 
Já ninguém olha para cima
Postes são abalroados, encontrões são dados
O scrolling ganhou assim tanta estima
Que os “seres humanos” deixaram-se finalmente ser derrubados?
 
O “NOSSO TEMPO” está revoltado
As ruas vão ficando vazias
Tu de máscara com o nariz destapado,
Quantas desculpas pedirias às almas para trás perdidas?
 
O “NOSSO TEMPO” está a ficar esgotado
Assim como eu, o fantasma,
Que jurei por amor e honra ao próximo estar confinado,
Será isto apenas cisma minha ou é o fim do Mundo que se aproxima?
 
Texto escrito por Andreia Margarida Marques Nossa Ferreira, ERASMUS MIM 2020/2021, a 20 de fevereiro de 2021, o ano incógnito

Hospital Distrital de Santarém, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 45

Número de vagas para ingresso em 2021: 44
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 46,872
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 45
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 55,229
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Temos sempre de cumprir 40 horas semanais e a rotina depende muito do estágio que estivermos a realizar. Nos estágios hospitalares, temos um dia de urgência de 12 horas por semana, sendo que os restantes dias, normalmente, são de enfermaria. Por norma, vemos os doentes de manhã, escrevemos os diários, aguardamos pelos eventuais exames complementares de diagnóstico e discutimos os casos com a equipa da qual fazemos parte. Geralmente, há também oportunidade de assistirmos a consultas da respetiva área, assistir a cirurgias e a pequenas cirurgias. Em contexto de centro de saúde, o dia-a-dia é muito variável. Gostava apenas de salientar que, em 2020, com o início da pandemia, a organização das nossas atividades foi sendo ajustada, o que acredito que vá acontecendo de ano para ano.
 
2) Faz noites?
Em Cirurgia, fazemos noites e trabalhamos ao sábado. Em Pediatria, fazemos noites e fins-de-semana. Em Medicina Interna, não fazemos noites nem domingos.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Depende sempre muito das equipas e do próprio interno, mas, no geral, diria que há muito apoio de internos da especialidade e/ou especialistas, tanto na enfermaria como no serviço de urgência. As decisões mais importantes passam, geralmente, por um superior.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Em geral, diria que tive muito boas experiências, com médicos que se interessavam por ensinar de forma descontraída. Acredito que dependerá sempre da experiência de cada um.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O ano de Formação Geral é realizado apenas no Hospital Distrital de Santarém. Relativamente a Medicina Geral e Familiar, julgo que as vagas possam sofrer alterações de ano para ano. No ano de 2020, estavam disponíveis vagas na cidade de Santarém, em Almeirim, em Alviela, em Alpiarça, no Cartaxo, em Rio Maior, em Salvaterra de Magos e em Coruche. A escolha do centro de saúde decorreu por ordem de média do MIM, pelo que quem não tiver carro próprio deverá ter atenção nas escolhas, já que as vagas na cidade são muito restritas e os transportes públicos para as outras localizações são muito limitados, ou mesmo inexistentes.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Apesar de não ter tido essa experiência, penso que haja flexibilidade e tempo para tal, já que a nossa carga horária semanal raramente excede as 40 horas.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
A direção do internato é organizada e defende bastante os internos, quer a nível de tarefas que nos competem, quer a nível de exigência horária. Em termos de valências hospitalares, por ser um hospital periférico, algumas especialidades não estão disponíveis, pelo que certos casos têm de ser encaminhados para hospitais centrais. Apesar disso, é um hospital com grande afluência e conseguimos ter outra perspetiva de como gerir situações, sem acesso a todos os recursos de um central. Relativamente a Santarém, penso que é um bom local para quem gosta de cidades mais pequenas, mas perto da capital, e que pretenda ter um ano de Formação Geral mais calmo. A oferta de alojamento incide sobretudo em quartos, apartamentos T0 ou T1 são difíceis de encontrar.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Que pondere quais são as suas prioridades, principalmente neste período tão incerto que atravessamos. Boas e más experiências vão surgir em qualquer lugar, e aspetos a melhorar vão sempre existir. Apesar de tudo, acho que o ano de Formação Geral é um ano excelente para adquirirmos competências práticas do dia-a-dia de um médico, aprendermos a importância do trabalho em equipa e de entreajuda dos colegas.  Mas também é um ano para abrandarmos um pouco, ponderarmos sobre nós e o nosso futuro. Por esta razão, acho que é importante tomarmos uma decisão ponderada, porém com a certeza de que não há escolhas certas ou erradas.
 
Testemunho da Dra. Diana Rafaela Alves Andrade
IFG no Hospital Distrital de Santarém, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º Ano