Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 48

Número de vagas para ingresso em 2021: 65
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 69,775
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 60
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 63,444
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Uma semana é composta por um dia de Serviço de Urgência de 12 horas (que engloba fins de semana e feriados, podendo ser diurno ou noturno, exceto o estágio de Pediatria que é sempre diurno) e os restantes dias úteis são passados no internamento (ver doentes, escrever diários, pedir exames, fazer notas de entrada e adiantar altas).
A hora de entrada e de saída é variável entre os estágios, sendo que na Cirurgia é geralmente entre as 8h e as 14h (embora num dos dias da semana seja até às 20h, que é o dia da permanência, onde normalmente é permitido ir ao bloco operatório assistir a cirurgias). Na Pediatria, a hora de entrada é às 8h30 e a hora de saída varia, sendo que há dias em que se sai às 13h e outros em que se sai às 18h. Este estágio tem uma grande variedade de valências, passando pelo internamento, consulta, neonatologia e berçário. No entanto, é bastante observacional. Em Medicina Interna, o horário geralmente é das 9h às 16h30 ou até às 17h30, nos dias de internamento. Em Medicina Geral e Familiar, é muito variável e depende de cada tutor.
 
2) Faz noites?
Sim.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
A autonomia é “q.b.”. Idealmente, é preferível discutir os casos antes de pedir exames na urgência, mas quando já estivermos habituados a ver aquele quadro clínico, podemos ir pedindo exames básicos antes de discutir o caso. Geralmente o que fazemos é ver os doentes sozinhos e fazer a história clínica, sendo que depois discutimos que exames pedir e ficamos atentos aos resultados, para voltar a discutir o caso e decidir o passo seguinte. Não podemos prescrever nem dar altas, como em qualquer hospital, porque no ano de Formação Geral ainda não temos autonomia.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
A relação médico interno-médico-especialista é variável, como em qualquer local, mas geralmente o ambiente é agradável.
 
5) Em que hospitais e USFs podem ser efetuadas as rotações?
Os estágios hospitalares são sempre no Hospital de Penafiel, à exceção do estágio de Medicina Interna, que tem a possibilidade de ser no Hospital de Amarante (existe um autocarro do hospital, que faz o transporte inter-hospitalar gratuito dos profissionais que alternam entre hospitais).
Os estágios de Medicina Geral e Familiar podem ser feitos em 3 ACES, que englobam as áreas de influência do hospital (como Penafiel, Paredes, Gandra, Paços de Ferreira, Lousada, Felgueiras, Marco de Canaveses, Amarante, Baião, etc.).
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Há flexibilidade para conjugar o estágio com outras atividades, mas há estágios que consomem mais tempo do que outros e podem dificultar a realização das mesmas.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
As vantagens deste hospital são: grande área de abrangência, pelo que somos muito necessários quer na urgência, quer no internamento e, por isso, sentimo-nos verdadeiramente úteis e vemos uma grande diversidade de casos clínicos; bom ambiente; bons acessos; possibilidade de estagiar extra-horário em outras especialidades, que geralmente aceitam internos interessados; muitas oportunidades de formação organizadas pelo hospital, embora este ano mais limitadas devido à pandemia (que teve um impacto muito grande neste hospital, que engloba vários dos concelhos do país mais afetados pela COVID-19).
Desvantagens: carga de trabalho; fazer noites, fins-de-semana e feriados; estágio de pediatria muito observacional; ausência de estágios opcionais (que existem em poucos hospitais do país, mas podem ser muito proveitosos).
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Depende muito do que pretendem para o vosso futuro e do tipo de aprendizagem que querem levar deste ano. Se a vossa especialidade pretendida não se inclui nas especialidades que este ano de Formação Geral contempla, escolham um hospital onde haja opcionais, idealmente. Se ponderam a possibilidade de fazer tarefas e se quiserem aprender a safarem-se sozinhos, escolham um hospital central e/ou com uma grande área de abrangência. Se quiserem um ano mais relaxado, leiam muito sobre cada local e evitem noites e fins-de-semana.
 
Testemunho da Dra. Cláudia Marina Carneiro da Cruz
IFG no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano


De Mulher, para Mulher


Quando li o desafio da aNEMia e me decidi aventurar, achei que escrever algo sobre a mulher não deveria ser assim tão difícil. Mas aqui estou eu, a cismar, vezes e vezes, no que cada um de vocês leitores irá pensar, o que irão dizer, ansiosa dos que se vão rir, das Mulheres que não se vão identificar. Simplesmente, por sentir que muito mais ficará por dizer. Assusta-me um mundo que tanto de mim quer, mas que nada de mim faz. Percebi que aceitar este desafio obriga-me a deixar de ser uma alma presa a um corpo, a deixar-me simplesmente ir…por nós.
O Feminismo baseia-se na igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Não obstante, defende a liberdade de cada uma de nós poder traçar o destino com o qual mais se identifica. Pelo menos, assim era, antes de um movimento Neofeminista ter vindo inundar as nossas redes sociais, deturpando a essência desta que deveria ser uma causa nobre. O Neofeminismo enche-se de contradições, enche as nossas mentes de rótulos, estereotipa a felicidade individual, chegando a parecer que existe uma receita com o necessário para se ser Mulher.
E se eu não for assim? E se não me identificar com essa “receita”? Neste feminismo extremo, as mulheres esquecem aquilo que lhes dá prazer, acabando muitas vezes por se rebaixar ao fazerem coisas de que não gostam realmente, apenas para garantirem que nenhum homem se sobrepõe a elas.
O que me acontecerá, se quiser colocar a família à frente da carreira? Se quiser ser “à moda antiga”? Estarei errada? Serei machista? Ou estarei simplesmente a usufruir do meu livre-arbítrio? As neofeministas defendem o acesso a cargos de chefia por capacidade e mérito individual, não pelo género. Então, porque são as primeiras a censurar quem vota num homem que é, efetivamente, mais apto para o cargo? Deverei votar sempre numa mulher, mesmo que acredite ser menos competente que o oponente do sexo masculino?
Estaremos ainda a falar de Feminismo? Estaremos realmente a lutar pela Igualdade? Até que ponto deixaremos o medo de regressar a um passado submisso nos influenciar?
Hoje, venho aqui dizer aos homens e mulheres que deturpam o Feminismo: Não! Não me vão obrigar a desigualar! Venho dizer a todos os que me querem calar, a todos que o meu caminho querem traçar: Não! Digo NÃO a todos que condenam as minhas decisões, apenas por não seguir o Neofeminismo. E não sou menos por pensar diferente.
Eis o que sinto: há uma “irmandade” a pressionar-me para ser aquilo que não sou, para lutar por causas que não entendo. Uma “irmandade” que me obriga a viver num modelo em que não encaixo, que não me deixa descobrir um mundo que também é meu.
Sou feminista.  Escolho livremente ser feminista - à minha maneira. Por mim, por Ti e pelo perpetuar da sororidade.
Porque isto é o que sinto e também sou Mulher.
 
Relato de uma Mulher, no século XXI

Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 112

Número de vagas para ingresso em 2021: 116
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 62,265
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 85
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 72,623
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Apesar da atipia que foi o ano de 2020 para toda a população, sobretudo para os profissionais de saúde, o meu dia-a-dia como IFG não mudou drasticamente. Dependendo do estágio em que me encontrava, o dia-a-dia era diferente.
Comecei com Medicina Interna (4 meses, de janeiro a abril), que considerei ser o estágio mais exigente, tanto em carga horária, como em raciocínio clínico, o que nos faz aprender imenso e crescer enquanto médicos. Claro que tudo depende da nossa dedicação e entrega. Existem cerca de 8 serviços de Medicina Interna, sendo a escolha feita por média de curso. Os dias são passados na enfermaria, cerca de 8 horas por dia, tendo sempre um dia de urgência de 12 horas, que alterna semanalmente entre dia e noite e fim-de-semana. Na enfermaria, começamos por colher sangue para análises aos doentes que necessitam de reavaliação analítica. Posteriormente, vemos as vigilâncias e intercorrências que podem ter ocorrido desde o dia anterior. De seguida, vamos observar e avaliar os doentes, ver o resultado das análises e exames realizados, redigir um diário clínico e fazer o novo plano para os doentes. Realizamos ainda as notas de entrada e de alta hospitalar. No serviço de urgência, podemos ficar na Sala de Observações (SO) de Medicina, onde reavaliamos os doentes temporariamente internados no SO. Podemos ainda ir para os balcões de atendimento ou Covidário.
Em Pediatria (2 meses, de maio a junho), fazemos um mês num serviço e outro mês noutro, variando o nosso dia-a-dia com esse mesmo serviço, que pode ser apenas de consulta (por exemplo, Neurodesenvolvimento ou Imunoalergologia), ou enfermaria (Pneumologia Pediátrica, por exemplo). No primeiro caso, assistimos às consultas realizadas; no segundo caso, é trabalho de enfermaria, semelhante ao de Medicina Interna, com algumas particularidades que a população pediátrica exige. Fazemos 40 horas semanais, incluindo 12 horas de urgência pediátrica, cerca de 2 a 3 vezes por mês, que é realizada sempre na companhia de internos de pediatria. Estas podem ser noturnas ou diurnas, incluindo fins-de-semana.
Posteriormente, fiz o estágio de Cuidados de Saúde Primários (3 meses, de julho a setembro), incluindo 2 semanas de Saúde Pública. No estágio de Centro de Saúde, acompanhamos o nosso tutor nas consultas. O grau de participação na consulta depende tanto do tutor, como de nós, da nossa vontade em aprender e executar o trabalho médico. O horário é semelhante ao do teu tutor, perfazendo 40 horas semanais. O estágio de 2 semanas de Saúde Pública, este ano foi diferente, uma vez que foi dedicado à gestão dos casos covid. Nos outros anos, há a possibilidade de acompanhar o tutor em consultadorias, consultas do viajante, ir a escolas e instituições avaliar a qualidade das instalações, entre outras coisas.
Por último, fiz Cirurgia Geral (3 meses de outubro a dezembro). Aqui o horário é um pouco diferente, pois para além das 40 horas semanais, fazemos mais 12 horas extra de urgência de cirurgia, que são, por isso, pagas. Cerca de 5 urgências por mês, que são divididas de forma semelhante entre diurnas e noturnas, influindo fins-de-semana. Existem 7 equipas, dedicadas a diferentes áreas cirúrgicas. Nós pertencemos apenas a uma, cuja atribuição é feita, normalmente, por sorteio, apesar de no último ano,ter sido feita por média. O dia-a-dia é na enfermaria. Nos dias em que a nossa equipa está de Bloco Operatório, é possível assistir e participar nas cirurgias, se tivermos interesse (não é obrigatório).
 
2) Faz noites?
Fazemos urgência durante a noite em Medicina Interna e Cirurgia Geral, das 20h às 8h. Em Pediatria, das 21h às 9h.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Temos muita autonomia para tomar decisões, mas todas devem ser supervisionadas e discutidas previamente com o nosso tutor ou médico especialista. Não nos podemos esquecer que estamos no início da nossa carreira e que ainda há muito para aprender e que não podemos cometer erros, sobretudo no que diz respeito à saúde dos nossos doentes.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
A relação com o tutor varia de pessoa para pessoa, mas pela minha experiência são bastante acessíveis e presentes. Em cirurgia, os médicos especialistas não estão, mas estão os internos da especialidade, que nos ajudam imenso e com quem trabalhamos em equipa.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Escolhendo o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, podemos fazer Medicina Interna no Hospital de Santa Maria ou no Hospital Pulido Valente, sendo a escolha feita por ordem da média do curso. Cirurgia e Pediatria são realizados no Hospital de Santa Maria, sendo a distribuição pelas equipas realizada por sorteio. O estágio de Medicina Geral e Familiar pode ser realizado nas USFs da ACES Lisboa Norte, Almada e Loures/ Odivelas. A pedido, também é possível fazer noutros ACES da ARS Lisboa e Vale do Tejo. Exemplos de USF de Lisboa Norte são Parque, Alvalade, Sete-Rios, Rainha Dª Amélia, Benfica Jardim, Rodrigues Miguéis, Carnide-Quer, entre outras. A escolha é realizada por média de final de curso. No caso das USF de Lisboa Norte, o estágio de 2 semanas de Saúde Pública é realizado na Unidade de Saúde Pública de Sete Rios.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
É possível conjugar o Internato de Formação Geral com investigação, ainda mais num Centro Hospitalar Universitário como é o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, que tem ainda o Instituto de Medicina Molecular, onde estão sempre prontos para abraçar novos projetos. Para isso, basta força de vontade, disponibilidade e organização. Há tempo para trabalhar no hospital, fazer investigação e ter vida social.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
As vantagens de escolher o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte são muitas. O Hospital de Santa Maria é o maior hospital do país e por isso abrange uma grande e variadíssima população, bem como os casos mais complexos, que são encaminhados para lá. Assim, interagimos com variadíssimas situações e estilos de vida, que nos enriquecem tanto a nível profissional como pessoal. É um hospital que depende muito dos internos, pelo que somos verdadeiramente úteis e por isso trabalhamos muito, o que é muito bom para quem está a iniciar a sua carreira médica. Temos muita autonomia e responsabilidade, o que nos permite aprender e crescer imenso. Para além disso, está excelentemente situado no centro de Lisboa, com transportes de fácil acesso, para além de ter muita habitação perto, com possibilidade de deslocação a pé. É um hospital que recebe muitos internos, o que nos permite conhecer muitas pessoas e partilhar experiências.
Como desvantagens, temos o lado mau de termos muito trabalho. É de facto um hospital com muita carga de doentes e de urgência, o que exige muito tempo e esforço da nossa parte. Fazer urgências aos fins-de-semana e noites pode ser desvantajoso para algumas pessoas. Para mim não foi, pelo contrário, considero útil e enriquecedor ter vivido essa experiência. Outra desvantagem, para alguns, é o facto de aqui serem os médicos a tirar sangue aos doentes e não os enfermeiros. Para mim também foi uma vantagem, uma vez que gosto muito de o fazer. Acrescento ainda que,como há falta de pessoal, pode ser complicado tirar folgas, sobretudo em Medicina Interna.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O meu conselho para os futuros IFGs é que escolham um Centro Hospitalar que se adeque à vossa personalidade e ambições para o futuro. Se gostam de um ambiente que privilegie o acolhimento, em que todos se conhecem, escolham um Hospital Distrital. Mas se querem poder acompanhar os casos mais complexos, encontrar maior variedade de patologias, ter mais autonomia e trabalhar mais, então escolham um Centro Hospitalar Central, como é o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte. Todos têm vantagens e desvantagens. No mesmo hospital, as condições do momento poderão proporcionar diferentes experiências a pessoas diferentes. Vão aprender e crescer muito em todos. Mais importante que o Hospital, são vocês! São vocês que fazem o internato! Boa sorte para todos e sejam bem-vindos à melhor profissão do mundo.
 
Testemunho da Dra. Ana Margarida Cordeiro Mourato
IFG no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano




Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 64

Número de vagas para ingresso em 2021: 62
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 66,150
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 64
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 57,610
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia do IFG depende da rotação em que estiver inserido.
Na rotação de Medicina Interna, o horário de entrada será pelas 8h30 (8h em alguns grupos), estando o IFG integrado num grupo de 3 elementos com um especialista/ interno do 5º ano de Medicina Interna, um IFG e um interno de formação específica (apenas se outro elemento for especialista) ou dois IFG. Cada equipa tem os seus doentes da responsabilidade do especialista que, no início da manhã, procede à divisão dos mesmos pelos elementos do grupo. Durante a manhã, o IFG realiza a história clínica, exame objetivo, escreve o diário respetivo, realiza o pedido e registo de exames. Ao final da manhã/início da tarde, o grupo volta a reunir-se e procedem à discussão dos doentes, decisão clínica e ajuste terapêutico pelo especialista. Uma vez por semana, o IFG assistirá à consulta do especialista respetivo e ficará de residência. Também uma vez por semana, realiza 12 horas de urgência, em que vê os doentes que vão entrando, realiza história clínica e exame objetivo, pedido de exames complementares que entenda necessários e, posteriormente, discussão do caso com o especialista da equipa.
Na Cirurgia Geral, o sistema é semelhante ao de Medicina Interna, existindo menos grupos (4), cada um com especialidades de atuação diferentes (Grupo colorretal, hepato-bilio-pancreático, digestivo alto, mama e tiróide), ficando 2/3 IFGs alocados a cada grupo. Durante a manhã, os especialistas procedem à divisão dos doentes e o IFG deverá passar visita, escrever o diário e registar exames complementares de diagnóstico, com discussão ao final da manhã. O IFG poderá também acompanhar a sua equipa no bloco operatório e participar. Uma vez por semana, o IFG faz urgência com a sua equipa, realizando a história clínica, exame objetivo, pedido de exames e discussão com o especialista. Além disso, realiza suturas de feridas.
Em Pediatria, os IFGs são divididos pelos vários locais (internamento, serviço de observação, berçário/neonatologia, consulta externa), estando duas semanas em cada um. No início da manhã, assistem à reunião de passagem dos doentes da urgência e de discussão das crianças internadas. Depois, dirigem-se ao sítio onde estão alocados. No internamento e serviço de observação, o IFG auxilia os internos de Pediatria a passar visita nas crianças internadas e a escrever os diários. No final da manhã, discute os doentes com um especialista. Nas semanas da consulta externa, assiste às consultas que existam durante o dia, de qualquer área, podendo auxiliar o especialista e realizar o exame objetivo. Na unidade de Neonatologia, é possível acompanhar a visita médica e colaborar nos registos clínicos. No Berçário, há 18 berços, estando o IFG responsável pela visita ao recém-nascido sem alta prevista e pelo preenchimento do Boletim de Saúde. O especialista colaborará na primeira visita e na visita pré-alta. Uma vez por semana, o IFG faz urgência, onde pode proceder à chamada e observação das crianças, mas tendo sempre de debater os casos com o especialista.
Em Medicina Geral e Familiar, cada IFG será alocado a um centro de saúde da sua preferência, por ordem de média em cada rotação. Acompanhará um especialista, fazendo o horário deste. Durante o estágio, assistirá às consultas, realizando algumas autonomamente, nomeadamente, as consultas abertas, mas consultando o especialista para a tomada de decisões. Além disso, auxiliará na renovação do receituário, registo de análises e gestão de vários recados.
 
2) Faz noites?
No Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, nenhum IFG faz noites, tendo o dia de urgência o horário 8h-20h (8h30-20h30 em Pediatria).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
As decisões clínicas são tomadas pelo especialista, sendo todos os doentes, em internamento ou urgência, discutidos com o mesmo. No entanto, o IFG poderá dar a sua visão e parecer da situação, dado que vê os doentes autonomamente.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
No geral, a relação é boa. A maioria dos especialistas são muito recetivos aos IFGs, incluindo-os no dia-a-dia médico e discussões clínicas. Estão sempre disponíveis para dúvidas e explicações que sejam necessárias. Penso que no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, há um importante equilíbrio entre trabalho, autonomia e a fase de aprendizagem em que estamos.
 
5) Em que hospitais e USFs podem ser efetuadas as rotações?
No Hospital de Vila Real ou no Hospital de Chaves (para este, vão cerca de 16 IFGs), sendo a alocação realizada de acordo com as preferências do IFG e média ponderada. No de Vila Real, há 4 IFGs, em cada rotação, que realizam o estágio de Medicina Interna em Lamego.
Quanto às USFs, temos 2 ACES (Douro Norte e Douro Sul), geralmente com 6 vagas em cada ACES. O ACES Douro Norte engloba as USF do centro de Vila Real (5 USFs), Murça, Alijó e Santa Marta. O ACES Douro Sul, engloba as USF da Régua e Lamego. A alocação é realizada por preferência e de acordo com a média ponderada.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, desde que combinado com os respetivos grupos.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o Internato de Formação Geral?
Uma vantagem do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro é, como já referi, o equilíbrio que existe entre a integração dos IFGs no dia-a-dia hospitalar e aprendizagem. O especialista não nos "abandona", dá uma orientação clara e, para preservar essa orientação, os IFGs não podem prescrever a nível hospitalar. Só falei de vantagens, mas termino acrescentando que existe, no geral, um bom ambiente nos serviços e que os IFGs são bem recebidos.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Penso que a escolha do hospital para o ano de IFG deverá ser ponderada visando manter o equilíbrio entre vida pessoal/profissional. Assim sendo, penso que o mais útil será definir as cidades em que gostariam de ficar e, posteriormente, dentro dessas perceber as principais diferenças entre os seus hospitais e escolher o que mais se adequa a vocês. A meu ver, é de privilegiar um centro hospitalar que permita um crescimento e desenvolvimento das competências médicas, através da integração dos IFGs nos diferentes atos médicos e possibilitando realizar diversas atividades. É também importante assegurar que a autonomia do IFG não seja total, mas antes integrá-lo na tomada de decisões. A autonomia médica deverá ser adquirida progressivamente.
 
Testemunho da Dra. Marta Catarina Ribeiro Bernardo
IFG no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano


Atualização em 2021 disponível em:https://revistanemia.blogspot.com/2021/11/centro-hospitalar-de-tras-os-montes-e.html

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 80

Número de vagas para ingresso em 2021: 83
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 82,527
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 75
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 81,291
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia depende sempre do estágio que estamos a realizar.
Na Pediatria, passamos um mês no berçário e outro na Unidade de Cuidados Especiais Pediátricos, ou na enfermaria de pediatria. Fazemos uma urgência diurna (09h – 21h) por semana e, durante o estágio, uma urgência noturna no Hospital de Dona Estefânia.
No estágio de Medicina Interna, o dia-a-dia é na enfermaria (09h – 17h) e fazemos uma urgência por semana diurna ou noturna de 12 horas.
O estágio de Cirurgia, a meu ver, foi o mais atípico, uma vez que a atividade cirúrgica diminuiu com a pandemia. Mas baseia-se em idas ao bloco de manhã ou de tarde e ver doentes na enfermaria de manhã. O banco na minha equipa era diurno, de 12 horas uma vez por semana. Havia equipas que tinham também bancos noturnos.
O estágio de Medicina Geral e Familiar também foi dos mais afetados, a minha atividade foi quase exclusivamente dedicada à plataforma TRACE-COVID, bem como no estágio de Saúde Pública, dedicada à realização de inquéritos epidemiológicos.
 
2) Faz noites?
Fazemos noites na urgência de Medicina Interna e em algumas equipas na Cirurgia Geral.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Enquanto internos de Formação Geral, a nossa autonomia é parcial por lei; no entanto, senti sempre liberdade em expor as minhas decisões e discuti-las com especialistas ou internos de especialidade. Decisões mais complexas eram sempre tomadas com apoio.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
No Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, a relação interno-especialista é, no global, boa. É informal, o que ajuda a criar menos barreiras na comunicação e relação.  Não tenho nenhuma razão de queixa dos estágios em que passei. Sempre me senti apoiada e bem recebida.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
- Hospitais: São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz.
- USFs: USFs do ACES Cascais e Oeiras.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Há flexibilidade para conjugar com outras atividades, sim. Nunca senti oposição. Os estágios opcionais não são possíveis, mas tive oportunidade de visitar outros serviços.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens para realizar o IFG no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental: boa capacidade formativa; na Medicina Interna, temos bastante autonomia na urgência, passamos pelas várias vertentes - Balcão, Sala de Observações (SO) e Covidário, enquanto noutros hospitais os IFGs só fazem SO. Bom ambiente entre toda a equipa, inclusivamente entre internos. A existência de três hospitais dá para ter uma visão mais diversificada.
Desvantagens: não vejo honestamente. Talvez alguma falta de organização, por vezes, dos serviços. Mas tendo sido um ano atípico, compreende-se.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Aconselho a pedirem feedback a vários internos que realizaram o IFG nos respetivos centros hospitalares. Informem-se de todas as características do local, de forma a fazerem uma escolha consciente e a melhor de acordo com as vossas aspirações.

Testemunho da Dra. Inês de Sousa Miranda Mendes da Silva.
IFG no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/11/centro-hospitalar-de-lisboa-ocidental.html

Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 14

Número de vagas para ingresso em 2021: 20
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 80,073
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 25
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 74,742
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia como Interna de Formação Geral dependia do estágio a que estava alocada. No caso dos estágios hospitalares, dividia o meu dia-a-dia entre o dia de serviço de urgência de 12 horas, o internamento (8h30 às 14h) e o período da consulta (uma tarde/semana). No caso do estágio de Cirurgia Geral, tinha ainda um período de bloco operatório, onde tinha a oportunidade de participar como 2ª ou 3ª cirurgiã, sendo este hospital excelente para quem está indeciso sobre se gosta ou não de especialidades cirúrgicas. No caso do estágio de Cuidados de Saúde Primários, o meu horário era semelhante ao do meu tutor.
 
2) Faz noites?
Não. Apenas turnos de Serviço de Urgência de dia (8h às 20h).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Quer em ambiente de urgência ou de enfermaria geral, o Interno de Formação Geral pratica medicina tutelada. Os doentes são assumidos pelo Especialista, que delega o doente ao interno. O interno tem o dever de colher a história clínica, realizar o exame físico dirigido e escrever o diário clínico correspondente. De seguida, antes de tomar qualquer decisão ou pedido de exames complementares de diagnóstico, deve apresentar e discutir o doente com o especialista.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
Existe um tutor por estágio, com quem temos uma relação privilegiada. Todos me ensinaram diversos conhecimentos médicos. Contudo, o mais importante foi aprender a lidar com a realidade de ser médico no SNS, que é muito diferente de ser estudante de medicina.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O Centro Hospitalar compreende duas unidades, a Unidade de Vila do Conde e a Unidade da Póvoa de Varzim. Os internos passam em ambas as unidades durante os estágios hospitalares. Têm à sua disposição todas as USFs do ACES Grande Porto IV - Póvoa de Varzim / Vila do Conde como opção de escolha para realizar a sua rotação de cuidados de saúde primários.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, perfeitamente. A carga horária do Internato de Formação Geral são 40 horas por semana, com facilidade em ter várias tardes livres.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
As principais vantagens da escolha do Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde são: qualidade de vida; proximidade ao Porto e da praia; pagamentos das horas incómodas a tempo e horas; possibilidade de ter uma “opcional” ou um estágio fora do hospital de origem, na especialidade do nosso interesse; possibilidade de participar em cirurgias e praticar várias técnicas e procedimentos; Serviço de Urgência relativamente mais calmo que o dos hospitais centrais; criação de um plano de férias sem constrangimentos; horários respeitados; tutores muito acessíveis.
As principais desvantagens da escolha do Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde são: a menor variedade de patologias no internamento, com todos os casos a cargo das especialidades generalistas e com limitações de terapêuticas a oferecer; sem experiência de turnos noturnos; a interação entre chefias e os internos de Formação Geral apresenta, em casos pontuais, uma comunicação e organização que poderiam ser melhoradas.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Aconselho que reflitam bem sobre o que pretendem do ano de Formação Geral. Eu privilegiei a qualidade de vida, um hospital com um ambiente mais familiar, com um fluxo de doentes menor e admitidos por patologias mais frequentes na população geral, para que o choque entre ser estudante de medicina e interna fosse o mais tranquilo possível. Também pesou na minha decisão a possibilidade de experimentar especialidades como estágio extra e a possibilidade de participar em cirurgias.

Testemunho da Dra. Olga Dulce Sousa de Meneses.
IFG no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/10/centro-hospitalar-da-povoa-de.html

Ode ao Amor - A Challenge

Para Sempre, Fénix

Hoje vamos fazer amor junto à lareira.
Chove lá fora. Vamos ceder um ao outro e deixar que a loucura fale à luz da labareda. Vamos ser transparentes, invisíveis, vultos taciturnos na parede, acanhados de vida. Vais ser o sol, eu a chuva. Aparecerá algures no Paraíso um arco-íris quase tão bonito como a nossa paixão desmedida. É incurável, eu sei, mas deixo o antídoto para quem o queira. Aquele que se demora a ser feliz perde-se nas margens do rio do esquecimento, jaz para sempre na sombra do que poderia ter sido outrora.
Depois cantas aquela poesia de que eu gosto tanto, não tanto como de ti, ao meu ouvido, nessa tua voz rouca. Recosto-me sobre o teu peito e demoro-me nos teus caracóis dourados e brilhantes, na tua pele adocicada. A chuva cessará e as nuvens abrirão gentilmente caminho para a rainha da noite ser a testemunha eterna de uma felicidade só nossa. Lá perto do fim perguntar-te-ás o que fizeste para merecer uma mulher como eu e eu sussurrarei que és o homem mais sortudo à face da Terra. Adormeceremos pela alvorada.
Mas não, hoje vou comer sozinha, sentada à lareira.
Chove lá fora. Disseste que ias chegar mais tarde, tinhas uns assuntos a tratar com urgência. Vou ler aquela poesia de que gosto tanto, recostar-me sobre a almofada de veludo e tentarei desenhar a saudade numa folha branca. Entrançarei o cabelo e deitar-me-ei na nossa cama. Na manhã seguinte sei que repararás no facto de ter mudado os lençóis outra vez e também sei que não vou dizer que é por sentir o cheiro a outra fragrância, não a minha. Vou pedir-te mais cinco minutos contigo na cama contudo sei qual será a resposta.
Antes de saíres, ainda limparei as cinzas da lareira.
 

Ana Sousa




Cratera na Alma

Atingiste-me, um meteorito
Um irracional algoritmo
Um raro e indefinido atrito
 
Só no olhar, que impacto
No frágil coração – o epicentro
Devastando, sem um único contato
Que dócil sofrimento.
 
Depois do brusco choque
Foi só estilhaçar, nem reparas
Para ti foi só um simples toque."
 

Carolina Sequeira




Uma Ode ao Amor

Uma ode ao amor.
O amor das horas vagas,
Dos minutos preenchidos,
Dos segundos galopantes.
Peço só mais uns instantes,
Para olhar para ele e vê-lo sorrir.
O amor que preenche o vazio
E transborda o por si só completo.
Um quadro brilhante, nosso e certo
Pintado com cuidado, forrado a ouro.
O amor que abraça com mais do que o corpo,
Que embala e beija com a alma.
O cheiro dele traz-me esta calma,
A serenidade de um lar no fim do dia.
O amor do calor dos dois,
Do primeiro olhar ensonado,
Do céu enevoado ou ensolarado.
Daria tudo para o ver acordar todos os dias,
Enchê-lo de beijos com os bons dias,
Amá-lo do início ao fim (que fim?).
O amor que me segura,
Que me cresce e me constrói,
Que me molda e me melhora.
Uma vida inteira que demora,
Que às vezes chora, que devora,
Mas devolve em dobro. Em infinito.
O amor que ajuda, que é amigo.
Ele, que partilha comigo
A vida que move ambas as nossas engrenagens.
O amor que confia sem igual,
Que não julga, que protege,
Resiliente e incondicional.
Uma ode ao amor.
Ao amor que resiste.
Ao amor que me deste.
Obrigada.
Sara Cardoso

Homem Não Chora?

Olá! Sou a Melissa. O cortejo da minha vida data 16 anos de idade. Neste exato momento, entre os meus companheiros mais gregários, aproveito o intervalo escolar. Observo-os detidamente e jogo-me ao leito dos pensamentos. Encanta-me saber que todos à minha volta têm um jeito respetivo de derrota e vitória, signatários de alguma trajetória. Admira-me saber que somos únicos dentro de nós e imensos para além de nós. Deslumbra-me saber que vivemos a confiança de tamanha diferença e tamanha semelhança. A única coisa que não percebo: Porquê que os homens são tão assim… condenados a serem homens. Falo da condenação à Masculinidade Tóxica… para ser mais justa e aguda. Tamanha pretensão em assenhorar-se do mundo e de todos, mas sem maturidade suficiente para tal. Isso mesmo! Não consigo entender como os rapazes da minha idade são tão infantis.
Ser um “Homem de verdade” é um know-how que acaba por redundar em atitudes sobejamente deletérias. Um comportamento que não está restrito ao gueto do próprio homem, mas que derrama em seu redor. No bojo do conceito “Homem com H maiúsculo” criam-se pseudo-absolutos, como a sede de dominação e poder, para preencher um foço cavado pela deficiência afetiva e pela mentalidade reacionária e sufocante.
Olha o João… passou toda a manhã a contar aos amigos os detalhes condimentados da suposta noite amorosa com a sua namorada. Ou melhor, se quiserem corporizar a ideia do quão transversal é a vigência da masculinidade tóxica, aqui vai uma minuta do “como ser macho alfa”. Aos 5 anos, Bruno, meu primo, assimilou que “homem não chora”. Bruno é reiteradamente abordado com a indagação: “quantas namoradinhas tens?” (colecionáveis?!). Da parte do pai, tem absorvido o entendimento: “ajudo a cuidar dos filhos quando me apetece”. De certo, quando tiver a primeira desilusão amorosa, daqui a dez anos, ouvirá do amigo: “Deixa-te disso. Faz-te homem!”; “Não sejas mole com as mulheres. Não te apegues”. Aos 17, envolver-se-á numa briga com outro rapaz. Indignado, irá expressar: “Parto-te as ventas. Vais ver quem é mais homem”. Aos 54 anos, com histórico de cancro de próstata na família, recusar-se-á a fazer o toque retal: “Meterem-me o dedo? Nunca!”. Espero visceralmente que este não seja o itinerário da tua vida. Porém, ser-se “Homem” custa caro em plena interpretação tóxica da ação de género.
Esse exercício imaginativo acaba por ser bastante sintomático da primazia do homem diante às taxas de suicídio, homicídio, vícios, sinistralidades nas estradas, doenças, etc. Ou seja, vive-se menos e pior. Os homens sofrem em silêncio e imbuídos numa arrogância. Tudo isso, às custas do proselitismo machista da educação costumeira.
O sexo exprime ordem de virilidade, e está atrelado ao imperativo de performance, dependente de uma ereção irrefreável. Não procura sentir o sexo, procura fazê-lo. A referência sobre o sexo é a pornografia: mecanizadora da arte de fazer amor e fator que limita o modelo de erotismo aos genitais.
Comportamentos sectários, agressivos, rotuladores e manipuladores são catalisados pela desconexão com as emoções, pois não sabem lidar com os seus próprios sentimentos. O pedido de ajuda é tido como sinónimo de fragilidade e falta de poder. O transtorno de ansiedade, a insónia, o vício em pornografia, a ejaculação precoce, são problemas muito comuns nos homens, mas falta sensibilidade para pedirem ajuda. Os grupos de amigos, no máximo dos máximos, conseguem operar a simpatia e esgarçar a empatia. Acabam por ser ciclotímicos nessa carência de referências saudáveis. Quase tudo em torno deles põe cinética à roda dentada do egoísmo. Criados para serem cuidados e não para cuidar; criados para proteger e não para cuidar. Obrigados a serem expansivos, conquistadores e implacáveis. Sobra tempo para ser humano? Frágil? Sofredor?
Não livres da sombra individual e coletiva. Enfim, Homens que se tardam a humanizar.
Se não chora, devia chorar.
Vou prá minha aula…
 

Rodrigo Alexandre Fortes, 6º Ano

Tudo e Nada ou Terra do Engano

Nada
É difícil ser tudo.
Rosa perlada em solo mudo.
 
Tudo
É fácil ser nada.
Sombra de amor afogada.
 
Voam cinzas,
Vestido de fogo frio,
Vestígios de humanidade sem brio.
 
Existes...
Ou talvez não.
Incerteza numa existência que é em vão.
 
Vazio:
Certeza de nada.
Deixo a porta aberta escancarada.
 
Medo:
Não conhecer tudo.
Dar mão quente a quem ajudo.
 
Serenidade
Na indiferença das palavras
Submissas de suposta igualdade.
 
Liberdade
Falsa desde o primeiro dia
Em que lhe chamaste amizade.
 
Soldado prisioneiro
Numa guerra já perdida
Pelo capitão sem certo paradeiro.
 
Talvez esteja na Terra do Engano...
Onde tudo e nada serve para venda,
Onde tudo e nada serve como pano.
 

Ana Catarina Pastilha, 5° ano