Centro Hospitalar Universitário do Algarve, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Número de vagas para ingresso em 2022: 134

Número de vagas para ingresso em 2021: 131
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 52,341
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 90
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 63,521
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia varia consoante a especialidade em que se encontram. Nas especialidades hospitalares, o dia habitualmente começa às 8h da manhã. Os Internos de Formação Geral (IFGs) são responsáveis por ver o doente e escrever os diários. Em Cirurgia, os doentes eram distribuídos pelos internos diariamente na reunião das 8h. Em Medicina Interna, os doentes são distribuídos pela equipa do orientador. Todos os doentes são discutidos com o médico especialista a quem os mesmos estão atribuídos.
 
2) Faz noites?
Não, no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) - Hospital de Portimão, os IFGs não fazem noites.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Enquanto IFG, dado que temos um orientador atribuído em cada especialidade, somos autónomos qb. Como avaliamos o doente, temos facilmente a perceção dos MCDT's que necessitam e possíveis ajustes terapêuticos. Assim, no momento da discussão com o especialista, expomos a nossa opinião médica e tomamos a decisão clínica em conjunto. 
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
No global, acho que a relação é boa. Em todas as especialidades pelas quais passei até agora, tive orientadores muitos acessíveis e disponíveis. Senti sempre apoio e disponibilidade para questionar. 
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
No hospital onde estou a efetuar o internato (CHUA - Hospital de Portimão), era possível, para a rotação de Medicina Interna, escolher o hospital de Portimão ou a unidade de Lagos. 
Em relação a Medicina Geral e Familiar, podíamos optar por USFs em Portimão, Lagos,  Silves, Lagoa, Vila do Bispo e Aljezur. 
Para Saúde Pública, as escolhas eram entre Portimão, Silves, Lagos, Lagoa, Monchique, Aljezur e Vila do Bispo. 
Esta escolha é realizada pela ordem da média de curso e é efetuada na primeira semana de trabalho, no dia de apresentação/formações.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Honestamente, não tenho conhecimento de ninguém que esteja a fazer investigação este ano, mas quando começamos o ano, falaram-nos de várias oportunidades nesse campo, nomeadamente no ABC - Algarve Biomedical Center. Também existe a possibilidade de participar e publicar na revista do CHUA. Além disso, tenho colegas que estão a fazer outro curso, que estão na VMER ou que estão a estudar para repetir a PNA. Acho que depende muito de cada um, mas acredito que há tempo para tudo.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o IFG?
No meu caso em concreto, o Hospital de Portimão foi a primeira opção para realizar o ano de formação geral. Sou do Porto e claro que é sempre uma desvantagem estar longe de casa e dos amigos. Mas isso acaba por tornar-se numa vantagem, dado que em Portimão quase todos os IFGs se encontram na mesma situação e, dessa forma, acabam por se criar laços mais fortes. Em termos hospitalares, durante o curso estagiei sempre em hospitais mais centrais e acho que é uma vantagem ter a experiência de trabalhar num hospital mais periférico.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Diria para arriscar. Como em todo o lado, existem coisas boas e coisas más, mas acredito que Portimão é uma escolha incrível para viver o ano de formação geral.
 
Testemunho da Dra. Bárbara Figueiredo
IFG no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/05/centro-hospitalar-e-universitario-do.html

Hospital Garcia de Orta, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Número de vagas para ingresso em 2022: 31

Número de vagas para ingresso em 2021: 32
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 86,969
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 42
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 74,782
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia depende da especialidade. Em Medicina Interna, passamos o dia no internamento, onde vemos doentes de forma autónoma e depois discutimos os casos ao fim da manhã. Um dia por semana fazemos urgência, 12 horas, com a nossa equipa de banco. Em Cirurgia, também passamos o dia na enfermaria, mas já só temos uma tarde de urgência, após acabar o trabalho na enfermaria. Existe abertura para ir ao bloco com a equipa, caso haja interesse. Em Pediatria é um pouco diferente, temos 3 rotações - berçário, internamento e urgência - cada uma delas com duração de 3 semanas. Fazemos ainda o dia semanal de urgência. Temos bastante autonomia para observar os miúdos sozinhos e depois discutir com o especialista, existe muito apoio. Com a Covid, as coisas mudaram um pouco, mas normalmente existem, em todas as especialidades, sessões clínicas formativas para os internos.
 
2) Faz noites?
Fazemos noites apenas em Medicina Interna.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Temos bastante autonomia, mas sempre apoiados pelo especialista.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Considero que a relação entre os internos e os especialistas é bastante boa, existe quase sempre abertura para esclarecer as nossas dúvidas. As equipas, por norma, almoçam sempre juntas, por exemplo. Não há aquela separação entre os internos e os especialistas.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Medicina Interna, Cirurgia e Pediatria no Hospital Garcia de Orta.
Medicina Geral e Familiar nas USFs do ACES Almada-Seixal.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Flexibilidade diria que sim, há vontade de ensinar e ter os internos envolvidos em projetos curriculares, apesar de não ter conhecimento de ninguém que o tenha feito.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
É uma pergunta difícil, diria que a principal vantagem é o bom ambiente e a autonomia que nos proporcionam. Por outro lado, ao ser um Hospital quase central, por vezes há bastante trabalho e alguma falta de apoio/tempo para nós. 
Outras vantagens do Hospital Garcia de Orta: localização (a praia a 10 min, que sinceramente é muito bom para a qualidade de vida) e as casas são bem mais baratas. Em termos educativos, é um hospital periférico mas, por ter tantas valências, funciona quase como um central (não tens de andar de um lado para o outro, é tudo localizado ali).
Como desvantagem: na urgência, apesar de os orientadores serem no geral impecáveis, a burocracia pode complicar o trabalho, mas tudo se faz.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Devem recolher o máximo de informação possível sobre cada hospital e junto de vários internos, porque nem sempre temos a mesma visão/experiência sobre um mesmo local. Eu escolhi o Hospital Garcia de Orta já a pensar no meu internato de formação específica - não acho que tenha de ser assim, mas pode ser também um fator decisor, pensarem se o hospital vos permitirá explorar as dúvidas que têm sobre o futuro e ajudar na escolha da especialidade.
O ano de Formação Geral é uma boa oportunidade para conhecer lugares e serviços com os quais não tiveram contacto na faculdade, para perceberem como funcionam outras dinâmicas hospitalares.

Testemunho da Dra. Inês Alexandre Foz
IFG no Hospital Garcia de Orta, E.P.E. em 2020
Atualizado pela Dra. Mariana Filipa Dias Pais
IFG no Hospital Garcia de Orta, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Hospital Beatriz Ângelo

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 28

Número de vagas para ingresso em 2021: 29
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 82,347
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 30
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 81,061
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia varia muito consoante a rotação em que nos encontrarmos.
Independentemente da rotação em que se encontrem, existe sempre uma sessão clínica às 2ª feiras de manhã, com duração de 1 hora, sobre temas comuns no serviço de urgência ou na enfermaria.
Na rotação de Cirurgia Geral, normalmente, passa-se as manhãs na enfermaria. Não é habitual assistirmos às consultas dos nossos tutores e, se não gostarem muito de cirurgia, não são obrigados a ir ao bloco. Um dia por semana têm de fazer urgência de 12 horas (rotativamente turno diurno e noturno, dia útil e fim-de-semana), que não é realizada no âmbito da Cirurgia Geral/Pequena Cirurgia, mas sim urgência de Medicina Interna.
Na rotação de Pediatria é tudo mais tranquilo. Os 2 meses são divididos entre Enfermaria (3 semanas), UCInt (3 semanas) e Neonatologia (2 semanas), mas o vosso tutor é atribuído no início da rotação. Um dia por semana têm de fazer urgência de 12 horas sempre no horário das 8:30h às 20:30h (rotativamente em dia útil e fim-de-semana), pelo que os Internos de Formação Geral (IFGs) não fazem turnos noturnos. Um dia por semana, têm de assistir a consulta de pediatria com o vosso tutor, que normalmente decorre ou se prolonga pela tarde. Nos restantes dias, saem à hora de almoço. Existem sessões clínicas sobre temas da pediatria, sessões de discussão de histórias clínicas elaboradas pelos Internos de Formação Específica (IFEs) e journal club, onde terão de apresentar um artigo à vossa escolha.
Na rotação de Medicina Interna, os dias são passados na enfermaria e é raro sair-se cedo, pois a carga de trabalho é muito superior à rotação de Cirurgia ou Pediatria. Um dia por semana têm de fazer urgência de 12 horas (rotativamente turno diurno e noturno, dia útil e fim-de-semana). Não são obrigados a assistir à consulta dos tutores, até porque serão mais úteis na enfermaria, nomeadamente a observar os doentes, escrever os diários e adiantar notas de alta. Existem sessões clínicas sobre temas de Medicina Interna e das várias especialidades ou subespecialidades, sendo que poderão ter que apresentar algum trabalho.
Durante as rotações hospitalares, foi-nos solicitado que desempenhássemos tarefas relativas ao COVID, nomeadamente na plataforma TRACE-COVID, onde atualizávamos os processos dos doentes que realizavam teste no hospital.
Na rotação de Medicina Geral e Familiar, o dia-a-dia e horário são mais dependentes da USF e do tutor. Habitualmente, participam em todos os tipos de consulta e têm algum grau de autonomia, podendo fazer consultas sozinhos com posterior discussão com o vosso tutor. Em algumas USF é-vos pedido que apresentem um trabalho relativo a um tema comum nos cuidados de saúde primários. 
Quanto à Saúde Pública, em 2021, os IFGs realizavam apenas inquéritos epidemiológicos. O horário habitual foi das 9h às 17h.
 
2) Faz noites?
A escala para o serviço de urgência, tanto na rotação de Medicina Interna como na de Cirurgia Geral, incluía períodos noturnos e fins-de-semana. Em pediatria, não fazemos turnos noturnos. Têm direito a gozar descanso compensatório quando fazem urgência ao fim-de-semana, mas devem combinar com os vossos tutores em que dia da semana será.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Considero que, na globalidade, existia autonomia para tomar decisões, mas estas devem sempre ser discutidas com os tutores ou médicos responsáveis, quer especialistas, quer IFEs.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
A relação entre os vários profissionais é bastante boa, existindo muita abertura e facilidade de comunicar com todos, independentemente da posição hierárquica em que se encontram. A maioria dos profissionais encontra-se muito disponível para apoiar os IFGs e contribuir para a sua aprendizagem.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são todas no Hospital Beatriz Ângelo, já Medicina Geral e Familiar é nas USFs pertencentes ao ACES Loures-Odivelas.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, existe recetividade para ajuste de horários, possibilitando a continuação de outras atividades. Deve, no entanto, ser combinado com os chefes de serviço e com os vossos tutores.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Como principais pontos positivos: a qualidade e dinâmica das equipas médicas; a variedade de diagnósticos e patologias que se observam, atendendo a que abrange uma população muito diversa. 
Como aspeto menos positivo, para quem não possui veículo próprio, será a dificuldade de acesso por transportes públicos.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O Hospital Beatriz Ângelo presta assistência a uma vasta e diversa população, com um elevado recurso ao Serviço de Urgência (SU), pelo que os turnos de urgência são sempre muito intensos e trabalhosos, mesmo para os IFGs. Consoante os objetivos da pessoa, tal pode ser interpretado como uma vantagem, pois ganha-se mais experiência e autonomia, ou uma desvantagem pois, por vezes, podem sentir-se mais assoberbados e com pouco auxílio. No entanto, procurem sempre discutir os doentes com alguém. 
Na globalidade, considero o Hospital Beatriz Ângelo uma boa opção para realização da Formação Geral, pois permite um balanço muito razoável entre a vida profissional e a vida pessoal. As equipas são dinâmicas e com médicos jovens, pelo que existe uma grande facilidade de adaptação e um bom ambiente entre todos.
Em qualquer uma das rotações, é possível que consigam realizar alguns procedimentos, nomeadamente, colocação de CVC, paracenteses e colheita de sangue venoso via femoral.
 
Testemunho do Dr. Bernardo Miguel Henriques Marques da Silva
IFG no Hospital Beatriz Ângelo em 2020
Atualizado pela Dra. Andreia Filipa Rodrigues Lopes
IFG no Hospital Beatriz Ângelo em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 51

Número de vagas para ingresso em 2021: 53
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 74,774
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 65
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 67,197
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia de um Interno de Formação Geral (IFG) no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV) varia de acordo com a rotação em que se encontra. E, a ordem das rotações é conhecida no primeiro dia, de acordo com a nota de entrada no internato. Eu escolhi a seguinte ordem de rotações: Cuidados de Saúde Primários (CSP) > Cirurgia Geral (CG) > Medicina Interna (MI) > Pediatria.
CSP tem uma duração de 3 meses e, no meu caso, fiz 6 semanas de Saúde Pública (SP), seguidas de 6 semanas de Medicina Geral e Familiar (MGF). Esta ordem varia consoante o ACES e, também, de ano para ano. Como realizei esta rotação nos primeiros meses do ano, foi necessária mais ajuda no início do ano e daí que, em algumas ACES, os meus colegas tenham feito mais tempo de SP. Portanto, entende-se que, em SP, fiz apenas inquéritos epidemiológicos. Em MGF, todos os dias, acompanhava uma Especialista nas consultas abertas, consultas programadas e consultas ao domicílio e, ainda tive a oportunidade de guiar algumas consultas, sempre sob a supervisão da Especialista.
CG tem a duração de 3 meses. Neste caso, o trabalho decorre em equipa, ou seja, cada equipa tinha, pelo menos, 3 IFGs. Acompanhámos os Especialistas e Internos de Formação Específica (IFE) na urgência, internamento, consulta, pequena e grande cirurgia. Julgo que esta rotação será mais interessante para os que adoram cirurgia e, para tal, têm que mostrar interesse desde o início, de modo a que sejam chamados a participarem. Aliás, alguns colegas meus participaram nas pequenas cirurgias.
MI tem a duração de 4 meses, mas 1 mês corresponde a uma optativa. Na minha opinião, é neste período que se tem mais autonomia, em que o IFE e/ou Especialista pretende saber a nossa opinião acerca de diagnósticos diferenciais e propostas terapêuticas, tanto no internamento como na urgência. A minha rotina nesta rotação foi um pouco diferente da dos meus colegas, pois alocaram-me à equipa Covid. Portanto, enquanto tivemos doentes Covid internados, o dia começava pela divisão dos doentes pelos elementos da equipa, ia observá-los e depois discutia com o Especialista.
O CHEDV dá-nos a oportunidade de fazer 1 mês de optativa, que se escolhe no primeiro dia juntamente com a ordem das rotações. Existem várias opções de escolha, desde Neonatologia – a que eu escolhi – Cardiologia, Medicina Intensiva, Oncologia, Medicina Física e de Reabilitação, entre outras. Tanto o horário e o dia-a-dia são definidos com o serviço e, por isso, é muito variável.
Por último, Pediatria, a rotação que ainda não realizei, tem a duração de 2 meses. Segundo os meus colegas que já passaram pelo serviço de Pediatria, basicamente, acompanha-se um tutor nas consultas, urgências e internamento. 
 
2) Faz noites?
Sim, em todas as rotações hospitalares (CG, MI e Pediatria) um IFG cumpre 12h SU por semana, podendo começar ao fim-de-semana ou num dia de semana, e o esquema altera-se dia-noite-dia, de modo a que se façam 2 noites por mês. 
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Não é suposto um IFG ter autonomia. Porém, a meu ver, a única rotação onde se pode ter verificado algum grau, ainda que ligeiro, de autonomia foi em Medicina Interna. Como disse anteriormente, tanto no internamento como na urgência, o IFE e/ou Especialista ouve a nossa opinião, mas toda a decisão diagnóstica e terapêutica era tomada após discussão com um elemento mais velho. 
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
De uma forma geral, a relação é muito boa. Obviamente que, nem todos têm a mesma paciência para explicar e transmitir conhecimentos, mas achei que, regra geral, a maioria dos elementos mais velhos, tanto do meio hospitalar como do meio não hospitalar esclareciam as minhas dúvidas e entusiasmavam-me a investigar os casos. 
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
A maior parte das rotações ocorre no CHEDV, mas algumas atividades podem realizar-se no Hospital de São João da Madeira, Hospital de Oliveira de Azeméis ou no Lenitudes.
Relativamente às USF’s, incluem-se em 3 ACES (ACES 1 – Feira e Arouca, ACES 2 – Aveiro Norte e ACES Gaia). O número de vagas para cada USF depende de ano para ano, porém no ACES Gaia só fica alocado 1 IFG. A escolha é feita, também no primeiro dia, pela nota de entrada no internato. 
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, apesar de não ser a melhor pessoa para falar sobre o assunto, porque não me envolvi em nenhuma atividade para além do internato. Mas conheço vários colegas IFGs que participaram na organização de congressos, fizeram pós-graduações e artigos científicos. Portanto, tempo há. Na minha opinião, apenas é necessária organização, força de vontade e encontrar algo de interesse, visto que depois do horário cumprido vai-se para casa sem levar trabalho e só se volta a pensar em trabalho na manhã seguinte. 
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o IFG?
Vantagens: Bom acompanhamento do serviço administrativo do internato, que ajuda muito nas dúvidas que surgem ao longo do ano; Bons acessos (essencial para quem é de Gaia e Porto); Estacionamento gratuito; Boa organização de horários; Possibilidade de fazer CSP em Gaia; Para quem não tem interesse em Cirurgia Geral é uma vantagem, pois não há obrigatoriedade em ir ao bloco ou em participar em procedimentos.
Desvantagens: Não é um hospital central, logo não tem todas as especialidades, após uma determinada hora não há determinadas especialidades e/ou alguns exames complementares de diagnóstico; o que pode ser vantajoso para alguns, é considerado desvantajoso para outros, pois quem tem interesse em Cirurgia Geral tem de estar sempre à procura de oportunidades em que possa participar. 

8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Bem, não façam a escolha, sem pensarem primeiro em certos fatores que, no fim do ano podem ser fundamentais para quem quer começar a poupar. Posso dar o meu exemplo: sou da Ilha de São Miguel, fiz os primeiros 3 anos na Universidade dos Açores e os seguintes na Universidade de Coimbra, por isso sei como é o funcionamento de 2 hospitais e queria conhecer mais uma realidade diferente. Para tal, decidi fazer uma lista de prós e contras em que usei como tópicos: Onde posso arranjar alojamento barato e com bons acessos a autoestradas? O hospital tem bons acessos? Estacionamento gratuito? Hospital central ou periférico? Tenho que fazer noites? Posso fazer optativas?
Obviamente que estes foram alguns fatores que pesaram na minha escolha, mas tantos outros podem influenciar a vossa opção. Reflitam bem sobre tudo para terem um ano incrível e conseguirem desfrutá-lo a 100%. 
 
Testemunho da Dra. Beatriz Maria Mota Almeida
IFG no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/05/centro-hospitalar-de-entre-o-douro-e.html

Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 21

Número de vagas para ingresso em 2021: 20
Classificação normalizada do último colocado em 2021: Não fechou

Número de vagas para ingresso em 2020: 21
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 
Não fechou
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia varia muito, consoante a especialidade em que nos encontramos e mesmo dentro de cada especialidade. Existe sempre um dia em que cumprimos as 12 horas semanais de urgência (8h-20h). Nos restantes dias, temos sempre um período em que estamos na enfermaria, mas também noutras atividades, como a consulta. Durante a rotação de Cirurgia, há pelo menos um dia na semana em que a equipa em que estamos inseridos está no bloco operatório. Na Pediatria, fazemos 1 mês no berçário e 1 mês de consultas. Durante a rotação de Medicina Geral e Familiar, não fazemos serviço de urgência, mas no Centro de Saúde onde estive acabava por ter um dia na semana em que cumpria 12 horas no Centro de Saúde. 
 
2) Faz noites?
Não, durante o ano de formação geral na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) não fazemos noites, nem fins-de-semana.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Tenho a autonomia que considero ser a adequada para um Interno de Formação Geral. Temos bastante autonomia para ver doentes e assumimos doentes no Serviço de Urgência. No entanto, discutimos sempre os casos com um especialista ou interno mais velho, por isso, a decisão final é tomada em conjunto. Até agora nunca me senti abandonada ou sem apoio, todos os médicos com quem contactei demonstraram disponibilidade para me ajudar no que precisasse. 
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Só posso falar da minha experiência, que até agora tem sido muito positiva. Em todas as especialidades tive tutores que me receberam bem, que me colocaram à vontade para esclarecer as minhas dúvidas e que contribuíram para que aprendesse mais e crescesse enquanto médica. Para além disto, no geral, também tenho sido bem-recebida pelos restantes elementos dos diferentes serviços e, tal como referi na última pergunta, sempre que precisei todos me ajudaram e esclareceram qualquer duvida que tinha. Com base na minha experiência, posso dizer que é uma relação boa e de entreajuda.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As especialidades hospitalares (Medicina Interna, Cirurgia e Pediatria) são todas feitas no Hospital de Beja. A rotação de Medicina Geral e Familiar normalmente é realizada na UCSP de Beja. No entanto, se houver interesse por parte do interno e um tutor disponível, pode ser feita noutro Centro de Saúde pertencente ao ACES Baixo Alentejo. Por exemplo, eu realizei esta rotação na UCSP de Serpa.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, normalmente não ultrapassamos o horário obrigatório de 40h semanais. Para além disso, como disse, na ULSBA temos noites e fins-de-semana livres, o que na minha opinião nos permite ter tempo para nos podermos dedicar a outras atividades do nosso interesse. 

7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Para mim uma das grandes vantagens é ser um hospital com um ambiente familiar, onde é fácil conhecer os colegas das diferentes especialidades, o que facilita a comunicação e trabalho multidisciplinar. 
Uma desvantagem é o facto de não termos algumas especialidades ou certos MCDTs disponíveis, tendo que referenciar alguns doentes para outros hospitais. 
Apesar de não termos estágios opcionais, há a possibilidade de visitarmos serviços que sejam do nosso interesse, mesmo fora do hospital, o que também considero uma vantagem.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Escolham de acordo com as perspetivas e ambições que têm para o vosso ano de Formação Geral. Se tiverem dúvidas, falem com internos de vários hospitais ou procurem informação junto de iniciativas como esta, da ANEMIA, onde podem encontrar o testemunho de vários internos. Se quiserem ter um ano de Formação Geral com fins-de-semana e noites livres, aproveitar a tranquilidade do Alentejo, mas simultaneamente aprender e crescer enquanto médicos, aconselho muito a ULSBA para realização do Internato de Formação Geral.
 
Testemunho da Dra. Leonor Manuel Eugénio Pinto
IFG na Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Centro Hospitalar de Trás-os-montes e Alto Douro, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 64

Número de vagas para ingresso em 2021: 62
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 66,150
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 64
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 57,610
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Na rotação de Pediatria, o dia inicia-se às 8.30h com uma reunião de passagem de doentes. Por vezes, também são apresentados trabalhos elaborados pelos internos de formação específica (IFE) após a reunião. À segunda-feira há o “Journal Club”, onde os internos de formação geral apresentam, em grupo, um artigo científico (muito simples). Após a reunião dirigimo-nos para a atividade a que estamos alocados nesse dia, nomeadamente Consulta Externa, Berçário, Internamento ou Serviço de Urgência/Serviço de Observação. Geralmente, os internos de formação geral colaboram na realização da história clínica e exame objetivo. No berçário fazemos o exame objetivo do recém-nascido, juntamente com um IFE, e preenchemos o Boletim de Saúde Infantil e Juvenil. Em Pediatria, não temos um tutor atribuído, por isso acompanhamos o especialista/interno que está na atividade a que estamos alocados em cada dia.
Em Medicina Interna, somos integrados numa equipa constituída pelo especialista e interno de formação específica (de Medicina Interna ou de outra especialidade) ou ficamos com um interno do 5ºano. No internamento entramos às 8.30h (em algumas equipas às 8h) e o especialista faz a distribuição dos doentes pelos elementos da equipa. Ao longo da manhã observamos os doentes que nos foram atribuídos e escrevemos o diário clínico. No final da manhã, reunimos novamente para discutir todos os doentes, ajustar a terapêutica e definir o plano. À quarta-feira há a reunião de serviço onde são apresentados, de forma resumida, os doentes que estão internados (em algumas equipas pode ser o Interno de Formação Geral (IFG) a fazê-lo). À sexta-feira existe outra reunião de serviço dedicada à apresentação de trabalhos realizados pelos internos de formação específica. No Serviço de Urgência (SU) temos autonomia para observar os doentes e pedir exames complementares de diagnóstico. Neste hospital, os IFGs não podem prescrever medicação e todos os doentes são discutidos com o especialista ou IFE. No SU integramos uma equipa diferente da equipa do internamento, o que considero uma vantagem. Existe, ainda, o dia de residência (até às 20h) que, dependendo do tutor, será ou não obrigatório. Em alguns casos também é necessário acompanhar o tutor no dia da sua consulta externa.
Em Cirurgia Geral, os IFGs são distribuídos pelas 4 equipas existentes (A- colorretal; B- hepato-bilio-pancreática; C- esófago-gástrica; D- tiróide e mama). Nos dias de internamento entramos às 8h e fazemos uma visita com os especialistas onde é definido o plano para cada doente. Posteriormente, observamos os doentes, escrevemos o diário clínico e pedimos exames complementares de diagnóstico, se necessário. Um dia por semana há a pequena cirurgia, onde se procede à excisão de pequenas lesões (quistos sebáceos, lipomas, entre outras) e temos a oportunidade de ajudar o IFE. No dia de bloco operatório, observamos os doentes do internamento durante a manhã e só depois do almoço é que vamos assistir às cirurgias. A minha equipa tinha 3 IFGs e íamos ao bloco operatório de forma alternada (em algumas equipas não é obrigatório). No SU colaboramos na colheita da história clínica, exame objetivo, pedido de exames complementares de diagnóstico e sutura de feridas.

O estágio de MGF no Centro Hospitalar de Trás-os-montes e Alto Douro (CHTMAD) tem algumas particularidades. Dentro de cada rotação, somos ordenados por médias de curso (normalizadas) e as últimas 3/4 pessoas de cada rotação têm de realizar este estágio em Lamego. Como não fiquei nessa posição, fiz o estágio em Vila Real, na USF Corgo. A nível de ambiente, acho que não poderia ter ficado em melhor sítio. Todos os especialistas, internos, enfermeiros, administrativos e restantes funcionários são muito acolhedores e disponíveis e o espírito de trabalho em equipa é algo que se sente. Além disso, os utentes são muito bem tratados. A minha experiência enquanto IFG foi muito boa! Ficamos atribuídos a um especialista, acompanhando-o na sua rotina clínica diária: assistir a consultas e ajudar no que for necessário, nomeadamente, realização de exame objetivo, registo de MCDTs, renovação de receituário, entre outros. Alguns tutores permitem a realização de consultas com posterior discussão clínica e definição de plano. O estágio de Saúde Pública tem sido bastante diferente consoante o estado pandémico. Tive a sorte de o fazer numa fase boa da pandemia o que permitiu aos profissionais da ACES Marão e Douro Norte mostrar-nos aquilo que fazem além da COVID. A maior parte do tempo e maior parte dos colegas IFG que passam por Saúde Pública têm de fazer imensos inquéritos epidemiológicos, no entanto, eu não fiz nenhum e tive todos os dias, durante duas semanas, uma apresentação sobre algum projeto ou programa dinamizado pela instituição, nomeadamente na área da saúde sexual e reprodutiva nas escolas, na promoção do exercício físico nos diabéticos, na área da saúde oral infantil, entre muitos outros.
 
2) Faz noites?
 Não fazemos noites, mas fazemos fins-de-semana e feriados. O horário da urgência de Medicina Interna e Cirurgia Geral é das 8h-20h. Em Pediatria a urgência é das 8.30h-20.30h.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
As decisões clínicas são sempre tomadas por especialistas ou internos de formação específica.

4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
 Considero que a relação médico interno-médico-especialista é muito boa e, no geral, os especialistas preocupam-se com a nossa aprendizagem, estando disponíveis para o esclarecimento de dúvidas.
 
5) Em que hospitais e USFs podem ser efetuadas as rotações?
Este ano ficaram 15 pessoas no Hospital de Chaves e isso implica ficar lá o ano todo. Habitualmente, há pessoas que preferem ir para Chaves, mas caso não haja consenso a escolha é feita com base na classificação normalizada.
Na rotação de Medicina Interna também é necessário que algumas pessoas, geralmente 4, fiquem no Hospital de Lamego, durante 2 ou 4 meses.
Relativamente a MGF somos distribuídos pelo ACES – Norte (Vila Real) que inclui a USF Fénix, USF Corgo, USF Nuno Grande, USF Nova Mateus, USF Murça, USF Régua, UCSP Alijó, e pelo ACES – Sul (Lamego).
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim, é possível.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o Internato de Formação Geral?
De uma forma global, o CHTMAD é um hospital acolhedor, onde os IFGs são muito bem recebidos. No serviço de urgência temos sempre apoio de um interno ou especialista, o que considero muito importante na fase de formação em que nos encontramos. Os restantes serviços do hospital também estão disponíveis para nos receber, caso queiram “conhecer” outras especialidades.
A principal desvantagem é o facto de algumas pessoas terem de ir para Lamego ou para Chaves.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Cada um deve definir os seus objetivos e prioridades para este ano, mas penso que depois de decidir a zona do país, o mais importante é pensarem se se identificam mais com a dinâmica de um hospital central ou distrital. No meu caso, a proximidade de casa, o facto de o IFG não tomar decisões clínicas sozinho e de não fazer noites foram os aspetos que tiveram mais relevância na minha decisão.
Contudo, o mais importante é aproveitar as oportunidades de aprendizagem que este ano proporciona e, ao mesmo tempo, descansar e aproveitar o tempo livre para fazer o que mais gostam.
 
Testemunho da Dra. Carminda Isabel da Mota Pinheiro 
Colaboração do Dr. Tiago Jorge da Silva Costa na questão número 1 nos aspetos referentes ao estágio de MGF e Saúde Pública
Ambos IFGs no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/03/centro-hospitalar-de-tras-os-montes-e.html

Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E.


Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 80

Número de vagas para ingresso em 2021: 83
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 82,527

Número de vagas para ingresso em 2020: 75
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 81,291

 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Dependendo do estágio em questão, um dia tipo pode ser muito variável.
O estágio de Pediatria consiste em 1 mês de berçário e 1 mês de enfermaria/unidade de cuidados especiais pediátricos. No berçário, somos responsáveis pela observação dos recém-nascidos nas primeiras 24-48h após parto enquanto na enfermaria acompanhamos os especialistas e internos na avaliação das crianças internadas. Fazemos 1 urgência diurna semanal (9h00-21h00) e durante o estágio, 1 urgência noturna no Hospital Dona Estefânia (22h00-8h00).
No estágio de Medicina Interna, somos, principalmente, responsáveis pela avaliação dos doentes da enfermaria. Existem 4 enfermarias (2 no Hospital São Francisco Xavier e 2 no Hospital Egas Moniz). Adicionalmente, somos distribuídos por uma equipa de urgência em grupos de 3-4 IFGs e organizamo-nos de modo a assegurar os períodos de dia (8h00-20h00) e noite (20h00-8h00). Trata-se de cerca 5/6 períodos de urgência por mês, incluindo fins-de-semana, abrangendo funções no SO, no balcão e no circuito de COVID.
No estágio de Cirurgia Geral, asseguramos funções na enfermaria e existe bastante abertura para podermos ajudar no bloco operatório, na sala de pequena cirurgia eletiva e nas consultas. Em geral, os IFGs fazem uma urgência semanal diurna de 12 horas, mas em algumas equipas também podem fazer período noturno (8h00-20h00; 12h00-24h00; 20h00-8h00). Podemos optar pelo serviço de Cirurgia Geral no Hospital São Francisco Xavier, Hospital Egas Moniz e Hospital Santa Cruz; no entanto, os IFGs do Hospital Santa Cruz são integrados na urgência em equipas dos dois primeiros. No serviço de urgência, somos, principalmente, responsáveis pela abordagem dos doentes da pequena cirurgia.
O estágio de Medicina Geral e Familiar consiste em acompanhar o horário de trabalho do tutor atribuído. Este período incorpora um estágio de 2 semanas de Saúde Pública dedicado à realização de inquéritos epidemiológicos em teletrabalho.
 
2) Faz noites?
Sim, asseguramos períodos noturnos de urgência na Medicina Interna e, em algumas equipas, na Cirurgia Geral.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Promove-se bastante a autonomia dos IFGs, o que permite ganhar importante experiência prática mas estamos integrados numa equipa e temos apoio na tomada de decisões clínicas.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
Na minha experiência pessoal, a relação entre internos e especialistas é boa, sem conflitos de maior e sempre senti que o meu trabalho era valorizado.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O estágio de Pediatria é realizado no Hospital São Francisco Xavier; no estágio de Medicina Interna, pode optar-se pelos Hospitais São Francisco Xavier e Egas Moniz enquanto no estágio de Cirurgia Geral, pelos Hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz. No entanto, os períodos de urgência são sempre efetuados no Hospital São Francisco Xavier.
O estágio de Medicina Geral e Familiar decorre nas USFs do ACES de Oeiras e Cascais.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Existe alguma flexibilidade para conjugar outras atividades, no entanto não são permitidos estágios opcionais e, portanto, prende-se principalmente com o aproveitar de folgas e do horário pós-laboral.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
O Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental oferece uma boa capacidade formativa e oportunidades de enriquecimento prático aliados a um ritmo de trabalho que permite uma abordagem mais completa dos doentes. O contributo dos IFGs é importante para o trabalho de equipa e estamos, de forma geral, bastante apoiados.
Uma desvantagem que deve ser referida é que, pelo facto de ser composto por 3 hospitais, a realidade e a experiência dos IFGs pode variar consoante a equipa onde são integrados.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Penso que devem tomar uma decisão consciente, pedindo a opinião de IFGs que tenham passado nos diversos Centros Hospitalares e desta forma, optar pelo que vai mais ao encontro dos objetivos de cada um para o ano de formação geral.

Testemunho da Dra. Catarina Pereira Moita
IFG no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/02/centro-hospitalar-de-lisboa-ocidental.html