Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 51

Número de vagas para ingresso em 2021: 53
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 74,774
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 65
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 67,197
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia de um Interno de Formação Geral (IFG) no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga varia bastante com a rotação em que nos encontramos.
Comecei pela rotação de Medicina Geral e Familiar, o que no ano de 2020, considero uma vantagem, pois os primeiros meses do ano permitiram uma normalidade que não se verificou após o aparecimento dos primeiros casos de COVID-19 em Portugal. Nesta rotação estamos alocados a um especialista e cumprimos o horário que a ele lhe está atribuído, seja consulta programada, consulta aberta e até acompanhamento nas saídas para consulta ao domicílio.
Na rotação de Cirurgia Geral, pertencemos a uma equipa. Assim, o trabalho deixa de ser “de um para um”, e passamos a trabalhar com um conjunto de pessoas fixo. Desde o internamento, consulta, urgência e pequena cirurgia, somos chamados a participar ativamente em tudo. Se o interesse for por áreas cirúrgicas e for importante saber se é dado tempo no bloco, a resposta é sim. Não foi a experiência que tive, dadas as circunstâncias (limitação do número de pessoas no bloco operatório), mas conforme a evolução da pandemia houve colegas que tiveram oportunidade até de participar em cirurgias.
Medicina Interna foi vivida nos meses de verão, ou seja, foi o mais aproximado da experiência comum a anos anteriores, pois foi uma fase calma na evolução da pandemia. Voltamos a estar atribuídos a um especialista, mas esta é, na minha opinião, a rotação em que mais autonomia temos. O trabalho é feito em conjunto com o médico especialista que nos acompanha, mas em trabalho de equipa. A minha rotina era ao início da manhã dividir entre as duas os doentes que pertenciam à minha tutora, passava visita e no final da manhã discutia os doentes com ela. Permitia uma dinâmica de autonomia e aprendizagem enorme, pois para além de o trabalho feito ter impacto, o momento de discussão permite resolver dúvidas vistas na prática. A urgência, uma vez por semana, é feita em turno contra-lateral com o tutor de forma a que o internamento seja sempre assegurado.
No Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, dão-nos a oportunidade de fazer um mês de uma optativa, que completa os 4 meses de Medicina Interna (3 meses de Medicina Interna + 1 mês de optativa). No meu caso, a escolha foi Neonatologia, mas a lista é grande, desde Cuidados Intensivos, Psiquiatria, Cardiologia, Medicina Física e de Reabilitação, Oncologia, entre outras. Nestas, o horário e dia-a-dia são definidos com o serviço e por isso, muito variável.
Por fim, a rotação de Pediatria, acabou por, no meu caso, ser a mais prejudicada pela pandemia. A rotina, em teoria, não foge muito à de Medicina Interna, desde a alocação a um tutor e acompanhamento da rotina do mesmo (consulta e urgência), até às manhãs passadas no internamento. Contudo, pela necessidade de integração dos IFGs em turnos COVID, a experiência não foi vivida por inteiro, acabando apenas por assegurar os turnos de urgência da Pediatria e as consultas com o tutor.
 
2) Faz noites?
Em todas as rotações hospitalares (Cirurgia Geral, Pediatria e Medicina Interna), os Internos de Formação Geral fazem noite. É atribuído um turno de urgência uma vez por semana, e é rotativo, uma semana é de dia e na seguinte, noite. Ou seja, são feitas duas noites por mês.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Por inerência ao próprio Internato de Formação Geral, não é suposto ter autonomia para decisões clínicas. Há sim uma autonomia relativa, se assim o puder chamar. Por exemplo, no Serviço de Urgência de Medicina Interna foram-me atribuídos doentes. Contudo, qualquer decisão deveria passar por um elemento mais velho, seja decisões diagnósticas, como decisões terapêuticas. Apesar de ser tida em conta a minha opinião e sugestão, não podia decidir sem discutir com um elemento mais velho primeiro (o que nessa fase, não deixa de ser uma segurança extra).
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
A relação médico interno-médico especialista é como qualquer outra relação humana. É altamente dependente da personalidade de ambas as partes. Há pessoas mais dadas e outras menos. Contudo, no que diz respeito à relação profissional é muito boa. Regra geral, há um grande interesse em passar conhecimentos e contribuir para uma melhor formação dos recém-formados.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
A maior parte da formação centra-se no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga. Contudo, em algumas rotações (e dependendo das deslocações do tutor) pode haver atividades que decorram noutros polos, como o Hospital de São João da Madeira, Hospital de Oliveira de Azeméis (consulta externa essencialmente) ou no Lenitudes (optativa de Oncologia).
Quanto às USFs, estas estão incluídas em duas ACES (ACES Entre Douro e Vouga I - Feira e Arouca e ACES Entre Douro e Vouga II - Aveiro Norte). As USFs e respetivos números de vagas dependem do ano em questão. Há USFs que estão na mesma rua do hospital, mas há também aquelas que implicam deslocação até Arouca. A escolha é feita, normalmente, pela ordem correspondente à nota de entrada no internato.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
O ano de Formação Geral é a oportunidade ótima para investir em atividades extra. Há um horário, há responsabilidades a cumprir, mas no fundo acabando o horário, acaba o trabalho. Raramente, é necessário o cumprimento de horas extras e o trabalho fica no hospital, não vem para casa. Assim, há tempo para investir em várias coisas. Acredito que uma delas seja a investigação, não tenho grande perspetiva para revelar, pois não a procurei, desta forma não faço ideia se é um procedimento fácil ou sequer possível. Mas se o problema for a falta de tempo, não me parece que seja um obstáculo inerente ao trabalho desenvolvido pelo IFG.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o IFG?
As vantagens são várias, algumas que me lembro, são, entre outras, as seguintes: bom acompanhamento do serviço administrativo do internato, bons acessos, estacionamento gratuito, boa organização dos horários e formações obrigatórias no ano de formação geral, inclusão e integração no trabalho pelos serviços.
As desvantagens são essencialmente devidas a não se tratar de um hospital central: não inclui todas as especialidades, a partir de um certo horário, não há especialidades ou alguns meios complementares de diagnóstico disponíveis e há pouco estímulo no ganho de autonomia.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
São muitos os fatores que vão ponderar quando estiverem a escolher o local para um ano que se anseia incrível. Pensem em cada um deles, nos prós e contras. Eu fiz uma lista do que era importante para mim, coisas como ser perto o suficiente para poder ficar em casa (poupar em alojamento), bons acessos, estacionamento fácil e de preferência gratuito. Depois queria sair do que estava habituada, tirei o curso no ICBAS, queria tentar fugir dos centrais e conhecer outras perspetivas. São muitos os motivos para a escolha e nenhum errado! Pensem no que vos fará mais felizes e realizados e de certeza que vão escolher bem.
 
Testemunho da Dra. Ana Rita Matos Guerra
IFG no Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/11/centro-hospitalar-de-entre-douro-e.html



Uma Pequena Reflexão Sobre Viajar:

Desde o início da humanidade que viajamos. Primeiro para sobreviver, mais tarde para conhecer, por fim para crescer. Podemos viajar andando ou pensando, mantendo-nos firmes no mesmo local ou percorrendo o mundo.
Como diz Álvaro Campos:

“Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir.
Sentir tudo de todas as maneiras.
Sentir tudo excessivamente,”

- Álvaro de Campo, in Poemas

Através deste excerto percebemos que viajar pode ser muito mais que visitar espaços físicos. Viajar pode ser percorrer memórias antigas, reviver o nosso passado, visitar os nossos momentos mais felizes e marcantes. Podemos ainda viajar pelo passado. Ao visitarmos locais históricos, museus ou mesmo lendo manuais de História, conseguimos experienciar os mistérios da Idade Média, sentir o calor e a suavidade das pinturas de Miguel Ângelo ou até saborear as notas dançantes de Mozart. Viajar é refletir sobre tempos, ideais e ideias. Criar momentos únicos que desafiam as leis da física e do real, mundos mágicos ou futuros distópicos. Ou simplesmente esvaziar a mente de todo o ruído interior.
No entanto, o que é que nos impulsiona a viajar sem sair de um lugar? Será um cheiro do passado, um manear clássico, um sorriso há muito esquecido? Os sentidos podem, sem dúvida, alimentar as melhores viagens, aquelas que embora sem valor monetário, exigem o máximo dos nossos sentimentos e criam saudade, arrependimento e felicidade… Aquelas que, fazendo-nos “sentir tudo excessivamente”, nos levam a reviver os nossos maiores desejos e pesadelos. Um livro, um filme ou mesmo uma música, também nos podem dar um bilhete para uma viagem emocionante, por “mares nunca de antes navegados”, transportados por uma “passarola” de um “voador”, ou seguindo Carlos até ao seu consultório no Rossio. Por fim, um espaço físico, como já referido anteriormente, pode transportar-nos no tempo, provando que as viagens no tempo são, há muito, uma realidade.
Já todos sabemos quais as vantagens de visitar novos locais. Ganhamos mais cultura, experiência, somos confrontados com realidades e perspetivas diferentes, e é uma excelente maneira de aprender de forma divertida. No entanto, quais as vantagens destas viagens mentais? Primeiramente, ajudam-nos a conhecer o nosso interior. Quando recordamos memórias ou refletimos sobre a nossa vida ou decisões, apercebemo-nos das nossas qualidades, manias e defeitos e, assim, conseguimos entender e mudar atitudes, bem como comportamentos menos corretos. Mais ainda, a nossa criatividade aumenta, ao fazer-nos imaginar diferentes situações. Pode ser ainda um mecanismo anti-stress, ajudando a libertar a tensão do quotidiano, visto que ao esvaziarmos a mente, permitimos que o nosso cérebro tenha uma pausa da quantidade de informação com que é bombardeado diariamente.
Em jeito de conclusão, viajar ajuda-nos a perceber o eu e o tu, o meio e as tradições, a relaxar e a compreender o mundo, e o que o transcende. Pode curar-nos, aumentar o nosso conhecimento ou, simplesmente, levar-nos pela mão à conquista de novos mundos. Faz parte do nosso ser e, como tal, é necessário viajar.


Inês Pires, 4º ano

Hospital de Braga, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 58

Número de vagas para ingresso em 2021: 60
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 72,305
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 70
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 70,333
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Depende da rotação.
Em Medicina Interna: as manhãs eram no internamento, e normalmente ficava com 1-2 doentes. Escrevia o diário, e se fosse o caso, a nota admissão, e no final da manhã reuníamos a equipa para discutir. A urgência era após o internamento das 13h até à 1h da manhã ou ao fim-de-semana. No Serviço de Urgência, assumíamos doentes e observávamos, podíamos sempre discutir o plano terapêutico com o especialista. Em termos de carga horária dependia da equipa, consoante acabasse a discussão mais cedo ou mais tarde.
Em Cirurgia: também fazíamos o internamento de manhã, e no meu caso tinha urgência uma vez por semana das 8h-20h ou 12h-00h (mas havia equipas que faziam noite). No internamento, passava visita com a equipa e ficávamos responsáveis pelos diários e notas de admissão/pedido de exames. No Serviço de Urgência, dependia da equipa. No meu caso, não via doentes sozinha. Em Cirurgia, quem quisesse ir ao bloco, também era bem-vindo! Eu aprendi a suturar, mas depende sempre da vontade de cada um, quem não gostava não era obrigado.
Tivemos oportunidade de fazer 1 mês de opcional cirúrgica (em vez de 3 meses de cirurgia fazíamos só 2), o que também foi positivo.
Em Pediatria: foram 2 meses, um de berçário em que víamos sozinhos a primeira avaliação dos bebés (as dúvidas discutíamos com os especialistas) e no máximo, saíamos às 20h30, e o outro mês era em pediatria mesmo e foi o estágio com menos autonomia de todos. Começava com uma reunião para apresentar os doentes, distribuíam e víamos o nosso com a equipa que nos calhava. No final, voltavam a reunir para discutir. Depois, tínhamos uma tarde de consulta e uma tarde de permanência no internamento. O dia de Serviço de Urgência era das 12h as 00h e era também mais observacional, não víamos doentes sozinhos. Foi o único estágio, em que tínhamos um horário de 40 horas atribuído especificamente e que tínhamos de cumprir rigorosamente. E não sentia que éramos muito úteis.
Em Medicina Geral e Familiar (MGF), variava consoante o tutor.
 
2) Faz noites?
Só alguns grupos de cirurgia faziam noites completas; mas, por vezes, saíamos da urgência de medicina interna à 1h e à 00h da pediatria e cirurgia (quem não fazia noite).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Sim, a única em que me senti como "aluna" foi no mês de pediatria (exceto o do berçário). Nos restantes estágios, tínhamos autonomia embora sempre protegidos.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
É muito variável, mas pessoalmente não tive más experiências.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Todas as rotações, exceto MGF, funcionam no Hospital de Braga.
Relativamente a MGF, as USFs podem ser em Braga ou Gerês/Cabreira (que são em Vila Verde ou Póvoa do Lanhoso).
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Em termos de investigação, não acho que seja habitual os IFGs fazerem investigação no hospital (mas também não procurei)... contudo, há tempo que sobra para fazer isso e outros projetos fora do tempo de trabalho efetivo.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
Como vantagens, destaco a oportunidade de fazer opcional (no meu caso pessoal, decidiu a especialidade que escolhi). Para além disso, é um hospital novo com boas condições, tem muitos e bons serviços/especialidades (que podemos experimentar nos tempos livres para os mais indecisos), autonomia razoável e estimulante sem nos sentirmos desprotegidos, e Braga é uma boa cidade para se viver.
Como desvantagens: as noites/sair a 1h da manhã, sendo que no dia seguinte voltamos as 8h30/9h e os recursos humanos do hospital, que são péssimos e nada eficazes.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
No fundo, o ano de IFG é aquilo que nos quisermos que seja. Quem quiser cumprir o seu trabalho mas sem se preocupar muito e aproveitar o tempo livre para outras coisas, que não a medicina, pode fazê-lo. Quem por outro lado quiser aproveitar para aprender mais, estudar, ir a congressos, experimentar especialidades, desenvolver o seu conhecimento também o pode fazer.
 
Testemunho da Dra. Carla Maria Araújo Ribeiro
IFG no Hospital de Braga, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano



Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 50

Número de vagas para ingresso em 2021: 38
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 63,643
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 45
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 66,168
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O meu dia-a-dia como Interna de Formação Geral (IFG) no Centro Hospitalar de Setúbal variou ligeiramente conforme o estágio que estava a realizar. Geralmente, entrava, em todos os estágios, por volta das 9h00 (em Cirurgia Geral entrava às 8h00-8h30 h) e a hora de saída era habitualmente entre as 15h00-16h30 (por vezes, no estágio de Medicina Interna poderia sair ligeiramente mais tarde). Nos dias de Urgência, obviamente os horários eram diferentes.
Durante o ano, foi possível sair do hospital e fazer algumas atividades com os outros IFGs e criámos boas amizades. O COVID estragou-nos muitos planos, mas ainda assim conseguimos manter-nos muito unidos.
 
2) Faz noites?
Nunca fiz noites. Todos os bancos são diurnos. Em Pediatria e em Cirurgia Geral, os bancos são sempre entre segunda e quinta-feira (num dia fixo, embora haja alguma flexibilidade para trocas esporádicas), não havendo turnos aos fins-de-semana. Em Medicina Interna realizamos a rotação da equipa de banco em que somos inseridos, embora sempre das 8h00-20h00 (dia semanal fixo e rotação de fim-de-semana).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
A autonomia para tomar decisões clínicas vai sendo progressiva. Somos sempre acompanhados e temos abertura para discutir tudo com assistentes ou internos mais velhos. Há sempre alguém para ajudar. Uma das coisas que não temos autonomia para fazer é prescrever no internamento: todas as prescrições têm que ser discutidas e realizadas por assistentes ou internos mais experientes. Mas isto não quer dizer que não aprendamos a prescrever, até porque há sempre vontade para nos ensinarem. No serviço de urgência podemos prescrever, mas discutimos sempre com alguém as decisões que tomámos.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
A relação entre os médicos internos e os médicos assistentes é muito boa. Em qualquer dos estágios e em qualquer situação, há sempre alguém que nos ajuda e nos orienta. Como é óbvio, e isto vale para qualquer local onde trabalhem muitas pessoas, há conflitos. Mas nunca me senti afetada por eles e fui sempre bem tratada.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O centro hospitalar compreende dois hospitais: o Hospital de São Bernardo (que tem uma unidade de Psiquiatria na periferia da cidade - a Unidade de Doentes de Evolução Prolongada (UDEP) que é destinada ao internamento de doentes crónicos) e o Hospital Ortopédico Sant’Iago do Outão. O Hospital de São Bernardo é onde decorrem todos os estágios hospitalares. O estágio de Cuidados de Saúde Primários decorre em várias USF e UCSP pertencentes ao ACeS Arrábida e que se localizam em Setúbal, Azeitão, Palmela, Sesimbra, Águas de Moura, Poceirão, entre outros locais. O estágio de Saúde Pública pode decorrer também em vários locais (Setúbal, Palmela ou Sesimbra).
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Durante o ano de IFG, consegui fazer uma pós-graduação e poderia ter feito mais coisas, se o COVID assim o tivesse permitido. Não consigo dar uma opinião informada sobre a conjugação de investigação ou atividade letiva porque foi um ano extremamente atípico.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Eu escolhi o Centro Hospitalar de Setúbal como primeira opção por motivos pessoais. Voltaria a escolher o mesmo hospital para o ano de IFG, agora por outros motivos: apesar do hospital ter alguns problemas (sobretudo burocráticos!), em termos de relações pessoais e aprendizagem penso que é uma escolha acertada. Em termos de acessos, o hospital está muito bem localizado: de carro, é muito perto da saída da auto-estrada e não é necessário ir para o centro da cidade (é fácil também arranjar estacionamento gratuito e o hospital tem um parque, embora seja pago); de comboio (Fertagus) é muito fácil já que a estação fica a 5 min a pé do hospital; o mesmo se passa com a paragem de autocarros. Uma parte do IFGs alugou casa em Setúbal (ou morava já em Setúbal) e uma outra parte vinha de Lisboa ou arredores.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O meu conselho para quem vai começar como IFG é que olhem para este ano como um ano de aprendizagem, que se quer calma, com menos pressão e com o devido apoio.
 
Testemunho da Dra. Andreia Filipa da Silva Curto
IFG no Centro Hospitalar de Setúbal, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/09/centro-hospitalar-de-setubal-epe.html



Centro Hospitalar de Tondela - Viseu, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 64

Número de vagas para ingresso em 2021: 62
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 67,398
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 64
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 60,463
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Depende da especialidade.
Na Medicina Interna: horário dividido entre internamento, Serviço de Urgência (12 horas) e consulta (para quem quiser). No Serviço de Urgência, fazem-se noites. Com a pandemia, voltámos a fazer fins de semana.
Na Cirurgia: horário dividido entre internamento, Serviço de Urgência (12 horas), consulta (se quiseres), reuniões de decisão terapêutica e bloco operatório. O Serviço de Urgência inclui noites, mas não inclui feriados nem fins de semana. Há várias equipas (patologia endócrina, esofágica, HBP, CR…), mas normalmente acabas por acompanhar uma e, caso pretendas, podes trocar com outros colegas durante a rotação para veres outros tipos de patologias e intervenções cirúrgicas. No Serviço de Urgência, há uma sala de pequena cirurgia, que normalmente tem algum movimento, e aí tens várias oportunidades para suturar, basta quereres. Além disso, caso queiras, também te deixam participar nas cirurgias.
Na Pediatria: horário dividido entre internamento, Serviço de Urgência (12 horas), neonatologia e consulta. Além disso, a partir de abril, começámos a inserir os doentes no TRACE-COVID, a fazer seguimento telefónico de doentes que iam ao Serviço de Urgência por febre e sintomas respiratórios, e no atendimento telefónico na LUPA (linha de urgência pediátrica de apoio), tendo sido esta uma forma de termos um papel mais ativo, dado que, durante um período, as consultas foram suspensas. As horas de Serviço de Urgência não incluem noites, mas incluem fins de semana. Temos um artigo, em grupo, para apresentar durante a rotação.
Em Medicina Geral e Familiar (MGF) e Saúde Pública: normalmente, temos o horário do tutor com quem ficámos, sendo que, durante este ano, os horários foram modificados e em algumas USFs, funcionavam em equipas espelho. A experiência durante a pandemia é um pouco diferente dos anos anteriores, visto que o período de trabalho foi dividido entre consultas presenciais; consultas telefónicas; seguimento no TRACE-COVID e nas ADR (nesta última, não participamos). O período em Saúde Pública é de 1 a 2 semanas. No entanto, dado o período em que vivemos, houve rotações que tiveram alguns ajustes e fizeram mais tempo.
De notar que durante o internamento e o Serviço de Urgência realizamos os testes de rastreio a doentes com suspeita de COVID-19. Para além disto, foi formada uma equipa, de forma voluntária, composta por IFGs, que ficou responsável por: comunicar telefonicamente os resultados da pesquisa de SARS-CoV-2 aos doentes; inserir os doentes que realizaram teste no TRACE-COVID e no SINAVE. Como era um trabalho extra, foi devidamente remunerado.
Também é importante salientar que, em Viseu, dão-te a oportunidade de fazeres 1 mês de opcional cirúrgica (oftalmologia, ortopedia, urologia, cirurgia vascular, neurocirurgia, cirurgia pediátrica) e 1 mês de opcional médica (gastrenterologia, psiquiatria, anestesiologia, anatomia patológica, doenças infeciosas, cardiologia, medicina física e de reabilitação, dermato-venereologia, oncologia, nefrologia, imagiologia, hematologia, pneumologia).
 
2) Faz noites?
Sim, nos moldes explicados anteriormente.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Autonomia propriamente dita não há muita, independentemente da rotação em que estejas. Vês doentes sozinho/a, mas tens sempre um especialista com quem discutir no fim e a quem podes propor alguns planos. Onde senti que tive mais autonomia foi durante a rotação de MGF.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Depende de ambos. Em todas as rotações por onde passei, gostei da relação que os especialistas e internos tinham. Mas tudo isto é sempre muito subjetivo, até porque todos temos personalidades diferentes, podemos não nos adaptar em determinadas circunstâncias e outras pessoas adaptarem-se. Claro que há sempre coisas que podiam correr melhor, mas acredito que se dermos sempre o nosso melhor, tudo se ajusta.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são no hospital S. Teotónio, em Viseu. Relativamente às USFs existem várias, incluindo fora de Viseu (S. Pedro do Sul, Castro Daire, Vouzela, Tondela, Mangualde).
A escolha das rotações é escolhida por ordem de colocação.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Durante este ano não tive interesse em apostar na área da investigação, mas creio que possa haver essa oportunidade. Houve IFGs que chegaram a publicar um artigo durante este ano e outros que apresentaram um trabalho de análise descritiva sobre a LUPA. Por isso, tens bastante tempo livre para realizar outras atividades.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens: o ambiente entre IFGs; ser um hospital distrital, onde a realidade é um pouco diferente daquela que vivemos durante a faculdade; várias atividades de lazer possíveis; cidade com ótima qualidade de vida e preços relativamente aceitáveis, face a outras cidades. Viseu é uma ótima escolha para quem gosta de cidade e quer qualidade de vida. É uma cidade pequena, mas com tudo o que é necessário, à exceção de comboio. Outro aspeto que me conquistou foram os espaços verdes: sem dúvida, que Viseu é a Cidade Jardim.
As principais desvantagens, para mim, foram: falta de autonomia durante o SU, muitas vezes por falta de espaço físico que o permitisse; algum trabalho burocrático, sobretudo na neonatologia.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Resumindo, se quiseres um ano para aprender e trabalhar, tens imensas pessoas que te ajudam. Se preferires ter um ano mais tranquilo, também tens todas as condições para isso. O mais importante ao longo do Internato de Formação Geral, é o que tu queres fazer dele. Não te esqueças disso, independentemente do local que escolhas.
 
Testemunho da Dra. Diana Sofia Neves Lucas Correia
IFG no Centro Hospitalar de Tondela - Viseu, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano

Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 33

Número de vagas para ingresso em 2021: 23
Classificação normalizada do último colocado em 2021: Não fechou
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 33
Classificação normalizada do último colocado em 2020: Não fechou
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Normalmente os dias são tranquilos... Em todos os estágios, há disponibilidade para passares por todas as valências das especialidades (consulta externa, técnicas, bloco, pequena cirurgia).
 
2) Faz noites?
Não. Não fiz noites, nem fins-de-semana.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Tens a autonomia que se supõe que um Interno de Formação Geral deva ter.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Há uma boa relação com os especialistas.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Na Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, há hospital em Elvas e em Portalegre. A USF em que fiz a rotação de Medicina Geral e Familiar foi a USF onde, atualmente, sou Interna de Formação Específica, a USF Raia Maior.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Sim, perfeitamente.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
A grande vantagem e que, ao mesmo tempo, pode ser vista por muitos como uma desvantagem, é o facto de ser um hospital pequeno, no interior do país e com poucos recursos. Contudo, tens acesso a todas as valências dos serviços e adquires prática.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O melhor conselho que posso dar é aquilo que sempre achei! Que num momento qualquer da sua vida profissional, um médico deve exercer no interior do país. As desigualdades acentuam-se e a partir do momento que o vivencia, passa a valorizar os recursos que nem sempre valorizou, enquanto estudante num hospital central.
        Aprendes a fazer Medicina com muito pouco. Medicina: mesmo!
        Boa sorte a todos.
 
Testemunho da Dra. Ana Cassilda da Silva Pinto
IFG na Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano

Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 27

Número de vagas para ingresso em 2021: 26
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 32,449
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 27
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 58,681
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
No Hospital Espírito Santo de Évora, o IFG acompanha o seu tutor/equipa, a que fica atribuído no início do estágio, nas suas tarefas diárias: ver doentes em ambiente de enfermaria ou consulta; realizar diários clínicos com proposta e discussão terapêutica; ajudar no bloco operatório; executar diversas técnicas (suturar, gasimetrias, punções venosas, punções lombares, mielogramas, etc), entre outros. Já o horário depende do tutor. Realização de 12 horas semanais de Serviço de Urgência (SU) (fins-de-semana: cerca de 3/4 em Medicina Interna; nas restantes rotações são durante a semana).
 
2) Faz noites?
Não.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Não. Pode ver doentes sozinho, mas há sempre discussão com um interno mais velho ou assistente.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Muito boa! A maioria está disposta a ensinar.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são no Hospital do Espírito Santo de Évora.
Em Medicina Geral e Familiar, pode ser na USF Eborae, Planície, Salus, Sol, Lusitânia (ou em outra do distrito, que seja previamente acordado com a Direção do Internato Médico).
 

6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?

Sim, há! Apesar de alguns estágios poderem exigir mais algum tempo, pode-se conjugar com outras atividades.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens: ambiente familiar, possibilidade de execução de técnicas, ajudar no bloco operatório, acompanhamento na enfermaria e SU, conhecimento das limitações da medicina no interior (nomeadamente, para desmistificar certas crenças), possibilidade de realizar múltiplas viagens pelo Alentejo e Espanha.
Desvantagens: poucos locais para investigação científica.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O melhor conselho é pensar se é um ano que quer economizar para o futuro (ficando perto de casa), ou um ano que quer desfrutar de determinados aspetos (praia, amigos, etc). Um equilíbrio entre ambos pode mostrar-se perfeito.
 
Testemunho do Dr. Filipe Jorge Pencas Alfaiate
IFG no Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano

Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/10/hospital-espirito-santo-de-evora-epe.html

Unidade Local de Saúde de Matosinhos, E.P.E

Número de vagas para ingresso em 2022: 40

Número de vagas para ingresso em 2021: 41
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 81,956
 
Número de vagas em 2020: 55
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 85,077
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia-a-dia é o normal de um médico no internamento. Entrada entre as 08h e as 08h30, dependendo da especialidade, ir vendo os sinais vitais dos doentes, reunir com a equipa e dividir os doentes. Depois, juntamente com a equipa, reunir com a enfermeira de referência, que nos passa informações sobre os nossos doentes, se aconteceu alguma coisa durante a tarde/noite, se temos que fazer alguma alteração na terapêutica, se há algo pendente. Depois, cada médico passa visita aos seus doentes, normalmente ficamos com 3-6 doentes cada um e, no final da manhã ou início da tarde, reunimos a equipa para discussão de todos os doentes. Depois, há um dia por semana de Serviço de Urgência-
 
2) Faz noites?
No hospital Pedro Hispano, os IFGs só fazem noites na rotação de Pediatria (quando fazem Serviço de Urgência no Centro Hospitalar Universitário de São João, que são cerca de 2 noites no total dos dois meses de pediatria).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Temos muita autonomia em Cirurgia, autonomia muito orientada em Medicina Interna e zero autonomia em Pediatria (exceto berçário). A autonomia nos Cuidados de Saúde Primários depende de orientador para orientador.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Muito boa; a maioria das vezes, há uma excelente relação com todos os profissionais. É um hospital bastante acolhedor.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
A nível hospitalar, é sempre no hospital Pedro Hispano, acrescentado que fazem 4/5 no Serviço de Urgência de Pediatria do Centro Hospitalar Universitário de São João (dia ou noite).
USFs há várias - centros de saúde em Senhora da Hora, Leça da Palmeira, Custóias e Matosinhos.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Absolutamente.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens:
  - Não fazer Serviço de Urgência em Cirurgia Geral (fins-de-semana e noites livres durante 3 meses);
- Serviço de Urgência de Medicina Interna é sempre de dia (não fazem noite);
- Acompanhamento por especialistas e por isso, aprendemos;
- Possibilidade de ir para a pequena cirurgia da urgência, para aprender a suturar;
- Possibilidade de ir para o bloco com a cirurgia plástica e equipa de mama;
- 6 meses sem Serviço de Urgência, com fins de semana livres, noites livres;
- Localização!
Desvantagens:
- Registo biométrico sempre obrigatório;
- Não fazer Serviço de Urgência de cirurgia (para quem gosta de especialidades cirúrgicas, pode ser mau);
- Zero autonomia em Pediatria (estágio observacional, o que pode ser mau para quem gosta da especialidade);
- Em alguns centros de saúde, há pouca autonomia.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Acho que deves escolher pensando naquilo que gostas, e se o hospital te oferece experiências que te possam ajudar a decidir a tua especialidade futura.
 
Testemunho da Dra. Raquel Diana de Lima Cunha
IFG na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, E.P.E. em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6º ano



Hospital Santa Maria Maior, E.P.E. - Barcelos

Número de vagas para ingresso em 2022: 26

Número de vagas para ingresso em 2021: 27
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 70,445
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 36
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 67,792
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O dia começa às 8h ou 8h30 em todas as especialidades. Faz-se um período de urgência semanal de 12 horas com rotação de fim de semana (isto aconteceu em todas as especialidades no meu caso; mas, por causa da Covid-19, algumas rotações não tiverem de fazer fim-de-semana em pediatria e cirurgia). Fazemos também uma ou duas tardes de consulta e/ou bloco.
 
2) Faz noites?
Não. Mas a urgência de Medicina Interna pode ser das 12h-24h em vez de 8h-20h (isto também funciona rotativamente).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Coisas simples sim, como decidir quais e quando pedir meios complementares de diagnóstico, terapêutica na urgência e no internamento. Não podemos alterar a terapêutica de ninguém, nem decidir altas sozinhos, mas os especialistas costumam ser recetivos à nossa opinião e tê-la em conta.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Depende da especialidade e do especialista. E também depende do interno... Mas no geral são muito acessíveis e não ficas desprotegido no serviço ou na urgência.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Todas as especialidades hospitalares são realizadas no hospital de Barcelos. Cuidados de Saúde Primários pode ser feito em qualquer USP do ACES Barcelos/Esposende, onde costumam abrir vagas para cada rotação, mas há abertura para solicitar outras vagas específicas caso aquela USP não tenha aberto vaga nessa rotação.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Acho que sim. Não conheço quem o tenha feito, mas temos muito tempo livre e a maior parte dos serviços permitem que adaptemos o horário às nossas necessidades.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens: hospital pequeno, familiar, com uma carga de trabalho relativamente leve. Ninguém te chateia desde que o teu trabalho apareça feito. Consegue-se ter muito tempo livre.
Desvantagens: não permite opcionais (salvo certas exceções), não se tem contacto com muitas especialidades e os casos mais complicados acabam sempre por ser referenciados.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Podem e devem vir para Barcelos sem medos. O ambiente é simpático e a maioria das pessoas também. E tem estacionamento fácil e gratuito todos os dias, exceto à quinta.

Testemunho da Dra. Sandra Catarina Lino Ferreira Ferraz
IFG no Hospital Santa Maria Maior, E.P.E. - Barcelos em 2020
Entrevistadora: Andreia Gi, 6ºano
 
Atualização em 2021 disponível em: https://revistanemia.blogspot.com/2021/10/hospital-santa-maria-maior-epe.html