Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E.


Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 80

Número de vagas para ingresso em 2021: 83
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 82,527

Número de vagas para ingresso em 2020: 75
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 81,291

 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Dependendo do estágio em questão, um dia tipo pode ser muito variável.
O estágio de Pediatria consiste em 1 mês de berçário e 1 mês de enfermaria/unidade de cuidados especiais pediátricos. No berçário, somos responsáveis pela observação dos recém-nascidos nas primeiras 24-48h após parto enquanto na enfermaria acompanhamos os especialistas e internos na avaliação das crianças internadas. Fazemos 1 urgência diurna semanal (9h00-21h00) e durante o estágio, 1 urgência noturna no Hospital Dona Estefânia (22h00-8h00).
No estágio de Medicina Interna, somos, principalmente, responsáveis pela avaliação dos doentes da enfermaria. Existem 4 enfermarias (2 no Hospital São Francisco Xavier e 2 no Hospital Egas Moniz). Adicionalmente, somos distribuídos por uma equipa de urgência em grupos de 3-4 IFGs e organizamo-nos de modo a assegurar os períodos de dia (8h00-20h00) e noite (20h00-8h00). Trata-se de cerca 5/6 períodos de urgência por mês, incluindo fins-de-semana, abrangendo funções no SO, no balcão e no circuito de COVID.
No estágio de Cirurgia Geral, asseguramos funções na enfermaria e existe bastante abertura para podermos ajudar no bloco operatório, na sala de pequena cirurgia eletiva e nas consultas. Em geral, os IFGs fazem uma urgência semanal diurna de 12 horas, mas em algumas equipas também podem fazer período noturno (8h00-20h00; 12h00-24h00; 20h00-8h00). Podemos optar pelo serviço de Cirurgia Geral no Hospital São Francisco Xavier, Hospital Egas Moniz e Hospital Santa Cruz; no entanto, os IFGs do Hospital Santa Cruz são integrados na urgência em equipas dos dois primeiros. No serviço de urgência, somos, principalmente, responsáveis pela abordagem dos doentes da pequena cirurgia.
O estágio de Medicina Geral e Familiar consiste em acompanhar o horário de trabalho do tutor atribuído. Este período incorpora um estágio de 2 semanas de Saúde Pública dedicado à realização de inquéritos epidemiológicos em teletrabalho.
 
2) Faz noites?
Sim, asseguramos períodos noturnos de urgência na Medicina Interna e, em algumas equipas, na Cirurgia Geral.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Promove-se bastante a autonomia dos IFGs, o que permite ganhar importante experiência prática mas estamos integrados numa equipa e temos apoio na tomada de decisões clínicas.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
Na minha experiência pessoal, a relação entre internos e especialistas é boa, sem conflitos de maior e sempre senti que o meu trabalho era valorizado.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O estágio de Pediatria é realizado no Hospital São Francisco Xavier; no estágio de Medicina Interna, pode optar-se pelos Hospitais São Francisco Xavier e Egas Moniz enquanto no estágio de Cirurgia Geral, pelos Hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz. No entanto, os períodos de urgência são sempre efetuados no Hospital São Francisco Xavier.
O estágio de Medicina Geral e Familiar decorre nas USFs do ACES de Oeiras e Cascais.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Existe alguma flexibilidade para conjugar outras atividades, no entanto não são permitidos estágios opcionais e, portanto, prende-se principalmente com o aproveitar de folgas e do horário pós-laboral.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
O Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental oferece uma boa capacidade formativa e oportunidades de enriquecimento prático aliados a um ritmo de trabalho que permite uma abordagem mais completa dos doentes. O contributo dos IFGs é importante para o trabalho de equipa e estamos, de forma geral, bastante apoiados.
Uma desvantagem que deve ser referida é que, pelo facto de ser composto por 3 hospitais, a realidade e a experiência dos IFGs pode variar consoante a equipa onde são integrados.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Penso que devem tomar uma decisão consciente, pedindo a opinião de IFGs que tenham passado nos diversos Centros Hospitalares e desta forma, optar pelo que vai mais ao encontro dos objetivos de cada um para o ano de formação geral.

Testemunho da Dra. Catarina Pereira Moita
IFG no Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/02/centro-hospitalar-de-lisboa-ocidental.html

Hospital Distrital Figueira da Foz, E.P.E.


Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 30

Número de vagas para ingresso em 2021: 23
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 80,947

Número de vagas para ingresso em 2020: 30
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 76,055
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
O Hospital Distrital Figueira da Foz (HDFF) é um hospital relativamente pequeno, de forma que é fácil incluir-se nas redes diárias. Como é suposto, a semana regular é de 40 horas, 12 das quais no Serviço de Urgência (SU) do estágio respetivo, exceto durante o estágio de Medicina Geral e Familiar em que não existe o dia semanal de urgência. 
 
2) Faz noites?
Essa é uma vantagem do HDFF, ainda que comum em muitos hospitais menos centrais. Os IFGs não fazem noite (na verdade, nem os IFEs), e só há um turno regular de SU semanal (12h).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Depende do estágio, de quem estiver a tutorar no momento e – sobretudo – da personalidade do IFG. A autonomia pode ir até uma certa independência para gerir casos ligeiros de forma quase completa, mesmo no serviço de Urgência, mas apenas de o IFG se sentir confortável em avançar até esse ponto. Pessoalmente, gostei de ter esta liberdade de poder testar a minha capacidade de gestão autónoma, sabendo que tinha sempre alguém responsável pronto a ajudar. 

4) Como é a relação médico interno-médico especialista?

Uma vez mais, como seria de esperar, depende muito das pessoas em particular, mas é globalmente boa. O HDFF é um hospital relativamente pequeno, de forma que é fácil ser integrado nos círculos de trabalho de cada serviço e, como não há muitos IFGs por ano, a abertura para a integração dos internos é maior que num hospital de maior dimensão.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são realizadas dentro do Hospital Distrital da Figueira da Foz e as rotações dos Cuidados de Saúde Primários nas USFs da cidade (USF Buarcos, USF São Julião da Figueira e USF Nautilus) e extensão de saúde de Alhadas. A rotação de Saúde Pública decorre na USP da Figueira da Foz, no mesmo espaço físico que a USF São Julião da Figueira.
 
6) Há flexibilidade para conjugar internato de formação geral com outras atividades, por exemplo, investigação?
Pode haver, sim, mas depende muito da iniciativa do próprio interno. Tal como na questão da autonomia, há margem para fazer um estágio mais calmo e regular ou mais inovador e diferente. Nas rotações de Cirurgia e Medicina Interna, há trabalhos para apresentar em reunião de serviço, é uma oportunidade para fazer artigos de investigação clínica úteis para o serviço e para o próprio interno, basta querer!
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar internato de formação geral?
Como vantagens apontaria o ambiente quase familiar, a localização junto à praia (mas ventosa!) e os preços relativamente baixos de arrendamento e custo de vida da Figueira da Foz quando comparado com outras cidades de média dimensão.
Como desvantagens, a própria dimensão do hospital limita alguma oportunidade de formação mais diferenciada, não só porque não existem todas as especialidades (útil para opcionais com vista à escolha da especialidade) como porque muitas técnicas mais diferenciadas e até alguns MCDTs requerem que o doente seja transferido para os CHUC, por exemplo. À exceção de quem viva mesmo junto ao Hospital, a deslocação é impossível sem viatura própria ou partilhada com outros colegas pela falta de transportes públicos e por estar longe do centro da cidade. 
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
A vida é feita de escolhas, e a cada uma é preciso pesar vários fatores: custo de vida, mudança de cidade, relações interpessoais, oportunidades de aprendizagem, etc. Cada um de nós faz uma ponderação diferente de cada um dos fatores, e isso leva a que um mesmo sítio possa ser ideal para um IFG e péssimo para outro. Para quem, como eu, quiser um ano mais pacato depois da faculdade e antes da especialidade, sem gastar muito e com um ambiente calmo, o HDFF é uma opção a considerar!
 
Testemunho do Dr. Pedro Alexandre Mendes Pereira
IFG no Hospital Distrital Figueira da Foz, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/05/hospital-distrital-figueira-da-foz-epe.html

Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 19

Número de vagas para ingresso em 2021: 19
Classificação normalizada do último colocado em 2021: Não fechou

Número de vagas para ingresso em 2020: 19
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 
Não fechou
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
A carga horária é de 40h semanais – das 8h00 às 20h00 no dia de permanência no Serviço de Urgência (1x/semana, dia fixo, na respetiva especialidade; nos Cuidados de Saúde Primária faz-se SU com a Medicina Interna); nos restantes 4 dias da semana, das 8h30 às 16h30. 
Nos Cuidados de Saúde Primários, somos atribuídos a um especialista de Medicina Geral e Familiar e acompanhamos o seu dia-a-dia. Assim, realizam-se consultas de Saúde Materna e Infantil, Planeamento Familiar, consulta de Saúde do Adulto, Consulta Aberta e visitas domiciliárias. Estas consultas foram, na sua totalidade, presenciais mas, também para dar resposta à necessidade de alguns utentes, realizaram-se “consultas/contactos por via digital”.  Este ano (e no ano transato) houve ainda acompanhamento dos doentes COVID+ do domicílio. Inicialmente a minha participação foi praticamente observacional (foi a minha primeira rotação e a minha especialista estava acompanhada pela sua interna) mas com o tempo, e mostrando vontade, foi-me possível participar nas consultas, na realização do exame físico e nos rastreios populacionais organizados. No fim do estágio realizei um panfleto e um trabalho de revisão. Atendendo às características desta ilha, e pela polivalência dos seus médicos de família, todo o estágio foi realizado nos Cuidados de Saúde Primários sem existir um momento definido para a Saúde Pública. 
Na Cirurgia Geral, também se é atribuído a um especialista e ficamos a pertencer à equipa na qual este se integra (cada equipa tem a sua área de diferenciação, embora todas façam cirurgias “generalistas”). O principal trabalho do IFG é a enfermaria, a ver todos os doentes da sua equipa, com tudo o que isso implica (história clínica, exame físico, diário clínico, notas de entrada e notas de alta). No fim da manhã, discute-se o caso do doente com o respetivo médico assistente (plano, ajustes terapêuticos, diagnósticos diferenciais, MCDTs…). No restante tempo, assiste-se a consultas, pequenas cirurgias e cirurgias no bloco operatório. Existe total abertura à nossa participação no bloco como 2º/3º cirurgião (ajudante), sendo que a equipa convida e motiva a participar (contudo, IFGs que não gostem da área não são “crucificados” e podem ficar a assegurar trabalho de enfermaria). Todas as sextas-feiras, há reunião do serviço onde é expectável que cada um de nós apresente os doentes que viu durante a semana para discussão interpares dos casos. Ainda nessas reuniões, são apresentados diversos trabalhos pelos internos da especialidade e cada um de nós, IFGs, apresenta um Journal Club (ou atualização de Guidelines) relevantes para o serviço. 
Na Medicina Interna, a equipa médica está dividida em duas tiras, e dentro de uma delas é-nos atribuído um especialista como nosso tutor. No início da manhã, são atribuídos os doentes que são da nossa responsabilidade na enfermaria (com tudo o que isso implica, já enumerado anteriormente), para que no fim da manhã/ início da tarde se discuta o caso com o nosso tutor. Temos doentes COVID+ internados que ficam ao encargo da Medicina Interna, mas existiu sempre o cuidado da equipa em salvaguardar-nos e não somos nós a ir observar estes casos. É ainda expectável a nossa participação nas Consultas Externas da Especialidade. Cada um dos IFG tem também de apresentar um trabalho de atualização de conhecimentos/revisão ao serviço. Esta é uma rotação com duração de 4 meses e, ao contrário do que muitos hospitais hoje praticam, no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) existe a preocupação de garantir uma Formação Geral abrangente e enriquecedora, pelo que ainda é dada a possibilidade de realização de um mês de opcional à nossa escolha. 
Na Pediatria (ainda não fiz este estágio pelo que me baseio em relatos de colegas), o trabalho também consiste em enfermaria, consultas externas, neonatologia e berçário. Inicialmente o estágio é mais observacional, mas existe total abertura à realização de atos, como o exame físico do recém-nascido. 
Referir ainda a participação em consultas multidisciplinares, nomeadamente a reunião multidisciplinar de patologia oncológica, a reunião multidisciplinar de mama e a reunião multidisciplinar da Unidade de Tratamento Cirúrgico da Obesidade e Doenças Metabólicas. 
Em todas as rotações, há um dia por semana de SU, nas respetivas especialidades – tanto se pode ficar nos gabinetes (inicialmente sempre acompanhados/observacional, mas com o tempo, passa a ser mais autónomo embora se discutam todos os doentes) como na Sala de Observações (onde estão os doentes que requerem maior atenção). Os IFGs têm autonomia para pedir MCDTs e prescrição interna (principalmente quando são situações clínicas mais banais e que já foram aprendidas em situações prévias). Contudo, não podem fazer prescrição externa nem dar alta. 
 
2) Faz noites?
No HSEIT, o IFG não faz nem noites nem fim-de-semana. Nos feriados, apenas se trabalha caso seja o dia no serviço de urgência (nessa situação, o vencimento do dia é superior, calculado como horas extras, e ainda se ganha um dia de folga).
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Existe autonomia limitada, isto é, é esperado que existam decisões mais simples que já devemos ser capazes de tomar sozinhos. Porém, altas e prescrição externa é algo que nos é vedado. É expectável que discutamos sempre todos os casos e efetivamente nunca somos “abandonados” - existe sempre um sénior (especialista ou mesmo interno da especialidade) com quem falar. Pode ocorrer que não seja o nosso tutor mas assumem que é verdadeiramente trabalho de equipa, pelo que existirá sempre alguém disponível. 
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
A minha experiência é muito positiva. Todos os especialistas (e internos) são muito recetivos à nossa presença e estão empenhados na nossa formação – convidam-nos a observar e realizar procedimentos, têm paciência a dar explicações mesmo às nossas questões mais básicas (e deixam-nos à vontade para questionar) e integram-nos nas discussões dos casos clínicos. O mesmo acontece com especialistas de outras áreas para além daquelas das nossas rotações obrigatórias. A relação com outros profissionais de saúde também é muito satisfatória, sendo que nunca vivi “guerras” de classes profissionais. 
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
O estágio de Cuidados de Saúde Primários é realizado ou no Centro de Saúde de Angra do Heroísmo (onde fiz o meu estágio) ou no Centro de Saúde da Praia da Vitória. Para além do edifício “central”, existem Postos de Saúde distribuídos pelas diferentes freguesias. Assim sendo, como éramos poucos e se chegou a acordo, foi dada a possibilidade de escolha de lugar (sendo que tiveram em atenção aos IFGs que não tinham carro próprio).
As restantes rotações hospitalares realizam-se no Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira. 
Este ano tivemos um colega da Madeira a quem foi permitido a realização do estágio de MGF e a opcional na sua ilha (contudo, não posso garantir que sempre seja assim, até porque tem de existir acordo mútuo entre a instituição de origem e a que recebe). 

6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
De que tenha conhecimento, não existe nenhum centro de investigação organizado como acontece nos centros hospitalares centrais. Contudo, e embora não tenha conhecimento de que algum colega o esteja a fazer, penso que, se for demonstrada vontade nesse sentido, existirá possibilidade de integração em algum projeto. Para além disso, existe tempo livre que pode ser aproveitado conforme as preferências de cada qual, quer seja a investigar (nem que seja à distância) quer seja para aproveitar e conhecer a Terceira e as ilhas ao redor. 

7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens:
- a ilha e as suas gentes.
- horário laboral – não se trabalha no turno da noite nem ao fim-de-semana; o horário é respeitado.
- facilidade na marcação de férias e folgas.
- acessibilidade e rapidez na resolução de assuntos burocráticos. 
- o hospital é novo pelo que tem muito boas condições.
- o ambiente laboral – ambiente acolhedor e descontraído, sem snobismo, com possibilidade de aprender com colegas empenhados e com conhecimentos muito abrangentes.
- ser um Hospital periférico/não universitário – existe vontade em acolher IFGs e nunca senti competição sobre quem consegue fazer o quê, visto que há oportunidades para todos. 
- sentimento de proteção, isto é, nunca se é deixado ao “abandono”.
- a chance de realizar estágio opcional, que tanto pode servir como auxílio na nossa escolha de carreira como para aperfeiçoar determinados conhecimentos que consideremos deficitários na nossa formação académica. 

Desvantagens:
- Para quem não é residente na ilha, existe pouca oferta de habitação ao redor do hospital (apesar de preços ligeiramente mais baixos que nas grandes cidades), e os transportes públicos são limitados. 
- Limitação em participar em congressos em regime presencial, uma vez que implica deslocação externa (embora este ano para grande parte deles tenha existido a possibilidade de assistir online).
- A escolha da especialidade não ocorre na ilha Terceira, pelo que é sempre necessária pelo menos, uma deslocação aérea. 
- Não existem todas as especialidades no HSEIT, pelo que pode ser um pouco mais difícil esclarecer questões sobre as mesmas antes da escolha da especialidade. 

Pesando os prós e contras, se fosse hoje fazia exatamente a mesma escolha e colocaria o Hospital de Santo Espírito da ilha Terceira em primeira opção. 

8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O ano de internato de formação geral é um período de travessia da tua vida - já não és aluno, mas também ainda não te sentes 100% médico; saíste de meses de elevada pressão a estudar e depois do ano de formação geral, inicias a formação específica que também exigirá muito de ti. Então, embora considere que deves ter em conta as tuas perspetivas futuras (isto é, prioritizar um hospital que te permita vivenciar a especialidade que ambicionas ou que te prepare para a realização de tarefa) e que este é um ano de muita aprendizagem, não deves menosprezar a qualidade de vida que podes ter nesta fase. 
Também, na minha opinião, fazer a formação geral fora dos grandes centros urbanos (onde a maioria de nós fez toda a sua formação académica) é uma experiência muito enriquecedora. 
Acima de tudo, não te esqueças que ano de formação geral é aquilo que fazes dele.

Testemunho da Dra. Isabel Maria Vieira da Silva
IFG no Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Hospital Prof. Dr. Fernando Fonseca, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Número de vagas para ingresso em 2022: 44

Número de vagas para ingresso em 2021: 45
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 78,664
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 50
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 85,077
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Como muitos dirão, o nosso ano de formação geral foi muito atípico por causa da pandemia e variou muito consoante a altura do ano em que fizemos determinados estágios, pelo que tentarei explorar aquilo que foi mais constante. No que diz respeito ao próximo ano, existirá sempre um certo grau de imprevisibilidade, uma vez que os hospitais se estarão a adaptar ao pós-COVID, na melhor das hipóteses, o que considero ser importante ter em consideração.
Habitualmente, iniciamos o trabalho entre as 8h30 e as 9h00, dependendo dos serviços.
No caso de Medicina Interna, a semana divide-se entre internamento e "banco" de 12 horas, que pode ser durante o dia ou durante a noite e pode calhar ao fim-de-semana. Quando fazes noite, no dia seguinte, tens o dia de descanso. Na enfermaria, os IFG estão inseridos nas tiras e são-lhes atribuídos doentes, que são discutidos com os especialistas responsáveis das tiras. Dependendo do serviço de Medicina e da quantidade de doentes internados, o horário de saída varia bastante. No caso dos "bancos", também depende da equipa em que estás inserido. As funções variam entre avaliar doentes em SO (doentes não respiratórios), no ADR (doentes respiratórios) e balcões. Há sempre alguém com quem discutir os doentes, seja na urgência, seja na enfermaria, pelo que estamos sempre acompanhados. É um estágio muito exigente no geral, mas também muito enriquecedor, uma vez que a população do HFF tem várias peculiaridades e o hospital serve uma população muito grande. Acredito que acaba por ser uma mais-valia na nossa formação, porque nos motiva a desenvolver mais capacidade de resolução do doente.
No estágio de Cirurgia, o horário é semelhante, sendo que muitas vezes estamos despachados ao início da tarde. Os IFGs estão fundamentalmente responsáveis pela enfermaria. Existem normalmente duas passagens (manhã e final da manhã) com um assistente para se discutirem os doentes. Existe algum apoio de internos, mas o trabalho é feito muito entre IFG. Fazemos urgência um dia por semana e não fazemos noites. Habitualmente estamos alocados à pequena cirurgia, onde suturamos e existe a possibilidade de praticar alguns gestos (drenagem de abcessos, tratamento de úlceras, etc). Estamos sempre acompanhados por alguém. Não é costume os IFGs estarem integrados no bloco operatório, mas se estiverem com interesse podem perguntar aos assistentes que costumam deixar sem problema.
Em Pediatria, o horário é semelhante. O ambiente é muito bom no serviço e o estágio divide-se entre enfermaria, SU e consulta. No internamento, acompanhamos um interno ou especialista na observação dos doentes e existe sempre uma grande abertura para explicar tudo. No SU, estamos sempre acompanhados e existe sempre possibilidade de discussão do doente. Na consulta, é dada a possibilidade de escolher as áreas que mais nos interessam para assistir.
No caso de Medicina Geral e Familiar/Saúde Pública, penso que foi o estágio mais atípico de todos. No meu caso, fiz no Verão e foi-nos pedido que colaborássemos com a Saúde Pública durante um mês, para realizar inquéritos epidemiológicos aos doentes COVID positivos, entre outras tarefas. Este mês foi feito em teletrabalho e eram 8 horas diárias. O estágio de MGF também ficou bastante aquém do seu potencial, uma vez que na altura eram poucas as consultas presenciais e os centros de saúde ainda estavam a recuperar depois de um ano de pandemia. No geral, é um estágio muito variável consoante o centro de saúde e o tutor, pelo que o horário depende bastante, bem como as funções. No geral, os IFGs acompanham o tutor nas consultas e por vezes pode ser dada autonomia para fazer consultas.
 
2) Faz noites?
No meu ano apenas se faziam noites nos "bancos" de Medicina Interna.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Os doentes são sempre discutidos com algum especialista, sendo que eu senti sempre que existia uma grande abertura para as nossas perspetivas sobre o doente.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Na vasta maioria dos casos, existe um ambiente de grande abertura, não sendo imposta distância aos internos. Os serviços são compostos por pessoal jovem no geral, o que torna a comunicação fácil e aberta.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são feitas no HFF. Quanto às USFs, podemos escolher entre o ACES Amadora e ACES Sintra, sendo depois colocados nas várias USFs dessas zonas (existe algum cuidado para não ficar alocado a nenhuma USF muito longe de casa).
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
No geral, uma vez que a carga horária não é excessiva, existe sempre a possibilidade de conciliar com outras atividades, sejam elas quais forem. Quanto à investigação, não somos diretamente encorajados a tal, mas diria que não existiria qualquer entrave caso o interno demonstrasse esse interesse.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o IFG?
O HFF é um hospital com boa capacidade formativa. Existem especialistas de grande qualidade e sempre com enorme disponibilidade para ensinar. Da mesma forma, os estágios são exigentes, sobretudo em Medicina Interna, o que permite adquirir várias competências que vão ser importantes nos anos seguintes. Acho que, fruto desta exigência e da experiência em tempos COVID, estou mais preparada para o futuro, mais desenrascada e com capacidade para gerir várias tarefas em simultâneo. Além disso, talvez por ser um hospital distrital, existe uma grande facilidade de comunicação entre especialidades, o que permite, caso seja do interesse de cada um, ir conhecer outros serviços e recolher mais informação para facilitar a escolha da especialidade.
Quanto a desvantagens, destacaria talvez os "bancos", no sentido em que são bastante trabalhosos e existe alguma desorganização do sistema, embora isso também possa ser visto como uma oportunidade de aprendizagem. Outro aspeto menos positivo foi o facto de terem sido solicitadas múltiplas tarefas extra-COVID aos IFG, por vezes com prejuízo de outros estágios, nomeadamente no apoio à Saúde Pública, à Saúde Ocupacional, à realização de testes COVID e consultas pós-COVID. Contudo, penso que este problema foi transversal a todos os hospitais, pela escassez de recursos.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Acima de tudo, relativizar! É uma escolha sem dúvida importante, mas também só depende de nós até certo ponto. Sobretudo durante a pandemia, por muito que queiramos controlar determinados aspetos do nosso estágio, torna-se desgastante esse processo, porque está um bocadinho fora das nossas mãos. Em todos os hospitais é possível ter um bom ano de formação geral, depende da nossa vontade e dos nossos objetivos.
 
Testemunho da Dra. Catarina Vital Santos Ferreira Nunes
IFG no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/05/hospital-prof-doutor-fernando-fonseca.html

Centro Hospitalar Universitário de São João, E.P.E.

 

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Número de vagas para ingresso em 2022: 72

Número de vagas para ingresso em 2021: 75
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 78,664

Número de vagas para ingresso em 2020: 85
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 70,545
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Depende da especialidade e da dinâmica de cada equipa, mas geralmente o trabalho de um IFG no Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) divide-se entre o internamento e a urgência. No internamento as nossas tarefas incluem a visita aos doentes, redigir diários e participar na discussão clínica. Na urgência, vemos doentes e orientamos o diagnóstico e a terapêutica após discussão com os tutores.
 
2) Faz noites?
Sim, faço noites e fins de semana no Serviço de Urgência durante os estágios de Medicina Interna, Cirurgia e Pediatria.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Não temos autonomia para prescrever no internamento nem para o exterior, embora possamos prescrever fármacos em contexto de urgência após discussão com os tutores. Ao fim de algum tempo, é esperado que saibamos orientar os doentes e acabamos por assumir algumas responsabilidades, embora as decisões clínicas major não estejam a nosso cargo.
 
4) Como é a relação médico interno-médico-especialista?
Depende muito das equipas, das especialidades e do próprio interno, mas, no geral, existe um ambiente propício para a aprendizagem e para o desenvolvimento enquanto médico.
 
5) Em que hospitais e USFs podem ser efetuadas as rotações?
As rotações hospitalares são feitas no Hospital de S. João; a rotação de Cuidados de Saúde Primários pode ser feita nas USFs/USP dos ACES Porto Oriental e Maia/Valongo.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sim. Raramente são ultrapassadas as 40 horas de trabalho semanal, pelo que é possível dedicar o restante tempo a outras atividades.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Para mim, a principal vantagem de escolher o CHUSJ é o enorme potencial de aprendizagem e treino clínico a que temos acesso, aliado a um horário de trabalho que não é demasiadamente extenso, permitindo-nos obter “o melhor dos dois mundos”. Uma potencial desvantagem é sermos expostos a situações de grande responsabilidade e stress, sobretudo no contexto da Urgência em que nem sempre temos apoio no imediato; isso faz com que o IFG neste hospital não seja tão “relaxado” como noutros locais.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Diria para escolher o local para o ano de Formação Geral de acordo com as expectativas que tem para este ano. Se a expectativa for aprender bastante e ganhar treino em competências clínicas, sem comprometer a possibilidade de ter algum tempo livre para explorar outros interesses, o CHUSJ poderá ser um bom local!
 
Testemunho da Dra. Mariana Martins de Andrade
IFG no Centro Hospitalar Universitário de São João, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/03/centro-hospitalar-universitario-de-sao.html

Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira, E.P.E.

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano


Número de vagas para ingresso em 2022: 42

Número de vagas para ingresso em 2021: 41
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 60,350

Número de vagas para ingresso em 2020: 42
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 56,202
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
Medicina Geral e Familiar - integramos a equipa do nosso tutor, fazemos o seu horário e acompanhamos as suas consultas/vemos doentes sozinhos e, no fim, discutimos para orientar. No fundo, cada um consegue ter autonomia, se quiser. Se não, também acompanha o tutor e isso é ok.
Cirurgia - acompanhamos o tutor no dia-a-dia de internamento, bloco e consulta. Não tive oportunidade de entrar em cirurgias e quem o fez foi em raras vezes. Suturamos na urgência mas está sempre alguém mais velho a supervisionar. Geralmente são os IFGs que fazem os diários do internamento.
Medicina Interna - somos responsáveis por x doentes diariamente. O serviço é um pouco desorganizado. Em certos dias, havia pouca gente para muitos doentes e senti-me um pouco mais sobrecarregada, mas tudo fazível. Assim que os teus doentes estão orientados, há alguma liberdade para sair um pouco mais cedo. No Serviço de Urgência (SU), aprendemos imenso e fazemos de tudo um pouco. Há oportunidade para realizar  procedimentos como paracenteses, toracocenteses, biópsias medulares, punções lombares, entre outros. Há 4 equipas e uma delas é o caos, mas tirando essa todas são tranquilas.
Pediatria - no fundo não se passa muita coisa. O serviço é bastante grande mas há poucas crianças no interior... Acaba por ser "seca" às vezes...
O horário tipo é 09h-18h com uma hora de almoço a meio. Temos de "picar" à entrada e saída e à hora do almoço antes e depois.
No dia de SU é jornada contínua das 08h-20h.
 
2) Faz noites?
Nunca fazemos noites, feriados ou fins-de-semana. Se, por um lado, não ganhamos mais porque não fazemos horas incómodas, por outro sabemos que vamos poder viajar ou ir a casa no dia x ou y. Nada paga qualidade de vida!
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
A nossa opinião é tida em conta e certas coisas vamos fazendo de acordo com o nosso senso clínico mas regra geral, todas as decisões são tomadas em equipa ou com alguém mais graduado.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
Os médicos especialistas são, por norma, muito simpáticos e acessíveis. Estão disponíveis para tirar dúvidas e ajudar e não te fazem sentir "burro" se não souberes alguma coisa. Não há aquela coisa do "sr professor". Mas para todas as regras há exceção, não esquecer.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Hospital Pêro da Covilhã maioritariamente. Em Medicina Interna, podemos ir ao hospital do Fundão, mas, por norma, em períodos curtos de duas semanas.
Os centros de saúde são mais variáveis. Covilhã, Teixoso, Fundão, Belmonte... Sempre relativamente perto, mas muitas vezes é preciso carro - eu, ou tive sorte ou toda a gente é acessível para dar boleias, não tenho carta, nem carro, e nunca não cheguei a algum lado por isso.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Há sem dúvida flexibilidade para fazer muitas atividades, desde que o trabalho em si não saia prejudicado. O facto de haver a Faculdade de Medicina mesmo ao lado ajuda. 
Alguns colegas auxiliaram na avaliação prática de alunos dos primeiros anos - avaliação de como desinfetar as mãos, suturas simples, medição de sinais vitais, etc. 
Nesta era COVID, muitos integraram as equipas de testes na universidade. O SNS24 aqui funciona continuamente e há muito trabalho remunerado para ganhar uns trocos extra - já que não fazemos as noites, feriados e fins-de-semana. 
Penso que ninguém integrou equipas do centro de investigação, mas se houvesse interesse duvido que fosse recusado. 
Há ainda colegas a leccionar aulas de casos clínicos de preparação para a Prova Nacional de Acesso (PNA) a alunos de sexto ano. No fundo, há muita oferta de atividades extra-emprego.

7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Vantagens: custo de vida da cidade acessível; não fazer noites/feriados/fins-de-semana; imensa natureza com lagos, praias fluviais ou poços para descobrir; neve no inverno e muito sol no verão; tutores acessíveis e simpáticos; autonomia com tutoria - há sempre alguém disposto a tirar dúvidas e a ajudar a tomar decisões; bom para conhecer uma realidade diferente de hospitais centrais ultra-especializados - estudei em Lisboa e a experiência é diferente mas muito positiva; bastante tempo livre para aproveitar (há uma tarde compensatória pelo dia de urgência e, às vezes, conseguimos sair mais cedo).
Desvantagens: acesso de transportes públicos limitado; em tempo COVID, há poucas atividades culturais (não sei como era na época não COVID); para quem é muito tímido, é preciso sorte com os colegas que calham porque, se for como este ano, há muita gente que estudou cá e que já se conhece - eu tive sorte porque é tudo malta simpática; carro é um must (ou boleia).
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
O meu conselho é escolherem um sítio onde aprendam alguma coisa, mas consigam aproveitar para descansar depois do ano intenso que é o estudo para a PNA. Se forem parar ao sítio para onde não queriam nada ir, go with the flow, é um ano fixe e o mindset ajuda a que o aproveitem ao máximo.
 
Testemunho da Dra. Sara Inês Pinto Sousa
IFG no Centro Hospitalar Universitário Cova da Beira, E.P.E. em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi 

Hospital de Cascais

Cartaz: Gonçalo Sabrosa, 3º ano

Número de vagas para ingresso em 2022: 8

Número de vagas para ingresso em 2021: 9
Classificação normalizada do último colocado em 2021: 89,496
 
Número de vagas para ingresso em 2020: 12
Classificação normalizada do último colocado em 2020: 85,077
 
1) Como é o seu dia-a-dia enquanto interno nesse centro hospitalar?
No que concerne ao horário laboral, este depende bastante do estágio em questão (Medicina Interna, Cirurgia, Pediatria e Medicina Geral e Familiar – e, dentro desta, a especificidade da Unidade de Saúde Pública) e interesse e envolvimento do interno na área. Dito isto, regra geral, o dia inicia-se por volta das 8h00/9h00, estendendo-se de forma variada consoante o estágio. Com exceção do estágio de Medicina Geral e Familiar, em que há organização dos profissionais por turnos (turno da manhã: 8h00-14h00 e da tarde: 14h00-20h00), fazendo uma média dos restantes estágios hospitalares, diria que 16h00 é a hora de saída mais comum, com exceções pontuais tanto para mais tarde, como para mais cedo (e, claro, nos dias de "banco"!). Reforço o segundo ponto anteriormente mencionado. De acordo com a minha experiência, muitas vezes permaneci mais tempo no hospital por estar particularmente interessada e envolvida numa atividade em particular. Acho que este ano é justamente o grande (e talvez o único) ano que temos para experienciar o máximo que possamos das diversas especialidades e fica ao nosso critério aproveitá-las ou não, de acordo com as prioridades que delineámos para o corrente ano e, claro, interesse pessoal.
Quanto ao dia-a-dia de um interno de formação geral em Cascais, uma vez mais, varia muito em função da especialidade em que estamos inseridos naquele período. A nível hospitalar, nos dias de enfermaria e de forma mais transversal, o dia inicia-se com um breve "catch-up" dos doentes internados e sua distribuição pelos diversos elementos da equipa. Segue-se a revisão individual de cada doente, em termos de exame objetivo, avaliação de intercorrências, sinais vitais e resultados de exames complementares efetuados, incluindo, idealmente, a comunicação com a equipa de enfermagem responsável. Por fim, de novo em equipa, discutem-se os doentes de forma mais pormenorizada, delineando-se o plano apropriado. Além dos dias de enfermaria, têm-se os dias de "banco" nas 3 especialidades hospitalares, os dias (ou parte de dias) de consultas (em Medicina Interna e Pediatria) e, no caso especial de Pediatria, 2/3 semanas de berçário. Já no estágio de Medicina Geral e Familiar, as valências incluem a Saúde de Adultos, Saúde Infantil, Saúde Materna, Planeamento Familiar e Saúde da Mulher. O dia-a-dia depende da valência em questão, sempre em regime de consulta, bem como da independência que é dada a cada interno ao longo do seu estágio. No meu caso, se inicialmente acompanhava o meu tutor nas consultas, estando eu encarregue essencialmente do exame objetivo, acabei por passar a ser eu própria a conduzir a consulta, discutindo o plano com o meu tutor no final, com um grau de autonomia em crescendo.
 
2) Faz noites?
Os moldes de internato de formação geral mantiveram-se face ao ano anterior. Por conseguinte, neste centro hospitalar não se faz serviço de urgência no horário noturno, apenas no diurno. Este horário diurno varia consoante a especialidade, sendo formalmente, das 8h00-20h00 em Medicina Interna e das 9h00-21h00 em Pediatria. Em ambas as especialidades, o horário efetivo acaba por se estender um pouco além do previsto, uma vez que tem de ser feita a passagem dos doentes de uma equipa para a outra. Não obstante, a escala de urgência em que somos integrados inclui fins-de-semana, a que corresponde um dia sem horário durante a semana prévia, que é respeitado. Em regime de exceção, face a sobrecarga de trabalho e/ou ausência de elementos de equipa, esse dia sem horário poderá ter de ser protelado para a semana seguinte, sem, contudo, ser posto em causa.
 
3) Tem autonomia para tomar decisões clínicas?
Um dos aspetos que considero ser mais positivo em Cascais é o facto de nos ser dada bastante autonomia sem com isso existir qualquer tipo de “abandono”. Isto é, qualquer doente que esteja a nosso cargo é, em qualquer momento, discutido com um assistente. Na enfermaria, na maioria das vezes, o assistente corresponde ao nosso tutor, chefe da nossa tira. Porém, nos dias em que o tutor está ausente, é-nos sempre atribuído, no início do dia, um assistente com quem a discussão e delineamento do plano dos doentes da tira deve ser executado. No Serviço de Urgência, o assistente em questão pode ser o chefe de urgência ou um dos assistentes da equipa de banco, consoante a disponibilidade dos mesmos e podendo ou não ficar definido a priori. Importa referir que, informaticamente, o acesso ao sistema operativo é limitado para os IFGs, não tendo acesso a todos os serviços do hospital, à terapêutica do doente, nem a alguns dos exames complementares de diagnóstico (mais específicos). Desta forma, ainda que o plano seja discutido entre o interno e o especialista, tem de ser através do acesso informático do médico residente que estas prescrições e requisições são feitas.
 
4) Como é a relação médico interno-médico especialista?
O ambiente hospitalar varia de acordo com a especialidade, como em qualquer hospital. De uma forma global, o ambiente é muito bom e a relação com os especialistas também, com bastante proximidade entre todos. É-nos dado completo à vontade para discussão de casos e esclarecimento de dúvidas e, regra geral, fazem-nos sentir em casa e parte integrante da equipa.
 
5) Em que hospital(ais) e USF(s) podem ser efetuadas as rotações?
Todos os estágios hospitalares são feitos no Hospital de Cascais, sem possibilidade de estágios opcionais, não incluídos no programa obrigatório do internato de formação geral. No que concerne às Unidades de Saúde Familiar associadas, no presente ano houve alteração face ao ano anterior, estando disponíveis para estágio: USF São Domingos de Gusmão e USF Alcabideche. Já o estágio de Saúde Pública é realizado na Unidade de Saúde Pública de São João do Estoril.
 
6) Há flexibilidade para conjugar o internato de formação geral com outras atividades, por exemplo investigação?
Sem dúvida que sim. Este é o ano em que a disponibilidade para outras atividades extra-laborais é maior desde há alguns anos e, indubitavelmente, maior do que a dos anos subsequentes. Em comparação com o internato de formação geral noutros centros hospitalares, consigo reconhecer que o Hospital de Cascais se destaca por proporcionar uma carga de trabalho bastante equilibrada, variando obviamente de acordo com o estágio, como acontece em todos os hospitais. Destaco uma vez mais que este ano é também um ano que depende muito do próprio e dos seus interesses pessoais em determinada área, que facilmente leva ao prolongamento de horários e maior envolvimento em áreas de maior apreço, sem que se descure aqueles que são os deveres transversais a qualquer área, claro. Neste centro hospitalar há abertura para que esse envolvimento aconteça, sendo inclusive fomentado pelas equipas respetivas.
 
7) Quais são as vantagens e desvantagens de escolher esse centro hospitalar para realizar o internato de formação geral?
Começando pelas desvantagens, creio que a maior é o acesso ao hospital, dificultado para quem não tenha transporte próprio. Isto porque em termos de transportes públicos, o único disponível é o autocarro, cujos horários e rotas são limitados. Porém, para quem tem transporte próprio, existe um grande parque de estacionamento, totalmente gratuito para os funcionários, de fácil acesso e sempre com lugares disponíveis. Ademais, reconhece-se um espaço de refeições pequeno, ainda mais limitado pelas restrições impostas pela pandemia corrente, o que, em horas de maior afluência, pode levar a maiores tempos de espera e a dispersão de pessoas do mesmo grupo. Por fim, há grande dificuldade na atribuição de cacifos, com limitação na sua aquisição sobretudo pelo sexo feminino. Só tardiamente no ano é que consegui adquirir um cacifo, numa janela de oportunidade excecional e sempre partilhado com outra colega.

Relativamente às vantagens deste hospital, começo por mencionar a ótima localização e instalações. É um hospital novo, moderno, com equipamentos também eles novos e em excelente estado e quartos com condições extraordinárias. O refeitório tem igualmente bastante qualidade e variedade. À parte destas questões mais funcionais, o hospital ganha sobretudo pelo ambiente, pautado de juvenilidade e descontração, num ambiente mais familiar, face também ao menor número de profissionais de saúde existentes, inerente ao menor número de especialidades quando comparado aos grandes centros hospitalares mais centrais. Daqui advém uma maior comunicação e interajuda entre os demais, inclusive inter-especialidades, o que se mostra altamente benéfico e contribui para uma melhor prestação de cuidados de saúde ao doente, objetivo major.
 
8) Que conselho daria a um finalista de medicina que está prestes a fazer essa escolha?
Pegando naquela que foi a minha experiência pessoal e partilhando o meu raciocínio de deliberação, creio que os fatores mais importantes a ter em conta, sem ordem definida, são:
- Experiência hospitalar prévia e feedback de internos de anos anteriores: ao longo do curso fomos contactando com diversos hospitais em variadas especialidades, o que nos levou a ter experiências melhores e piores em cada um deles, que devem ser tidas em consideração aquando da nossa escolha. À parte essa experiência pessoal, construída em fases mais precoces e imaturas do nosso percurso, facilita muito perguntar a quem já passou pelo mesmo processo de decisão e cuja opção levou a uma opinião formada e conhecedora do internato de formação geral no local em causa, reconhecendo prós e contras de elevada fidedignidade, tanto maior quanto mais recente tiver sido a experiência.
- Local de residência e meio de transporte: sem dúvida que, no caso deste hospital, poderá ser um fator limitante, pelos motivos supramencionados na questão 7).
- Objetivos e prioridades para o ano de internato de formação geral: neste ponto, creio que o Hospital de Cascais permite quer um ano mais tranquilo em termos de sobrecarga horária e de trabalho, se essa for uma prioridade do interno; quer um maior envolvimento em área(s) de interesse, desde que integradas no plano obrigatório do internato (ou seja, que correspondam a Cirurgia Geral, Medicina Interna, Pediatria e Medicina Geral e Familiar). Há espaço, portanto, para um espectro alargado de opções individuais em termos de entrega e exigência no desempenho.
- Objetivos e prioridades para o ano de internato de formação específica: uma vez que o Hospital de Cascais é um hospital distrital, o número de especialidades existentes é restrito, mesmo em relação a outros hospitais distritais. Este pode ser um aspeto limitante se os interesses do interno enquanto escolha futura fugirem às 4 especialidades previamente mencionadas. Uma vez que não é dado espaço temporal para estágios fora dos obrigatórios, é necessário ponderar bem esta limitação, ponderando eventualmente realizar o internato num centro que tenha a(s) especialidade(s) de interesse, o que facilita o contacto intra-hospitalar e acesso à(s) mesma(s).
 
Testemunho da Dra. Rita Neves Ferrão Relvas
IFG no Hospital de Cascais em 2021
Entrevistadora: Dra. Andreia Gi

Testemunho de 2020 também disponível em:
https://revistanemia.blogspot.com/2021/04/hospital-de-cascais.html